Rancor pragmático

O mundo é seletivo. É duro e cruel. Mas, às vezes, parece fazer sentido. Ele é muito óbvio.

Vira e mexe nos incomodamos, rimos ou nem achamos graça das imprecações, para com o Avaí, do homem do sapato branco, o sujeito que se põe à frente na fila para que todos o percebam, aquele cuja aposentadoria polpuda ainda não chegou, o pseudo-comentarista e dublê de criador de pardais que não esconde suas preferências clubísticas. Adjetivado a contento, não é preciso mencionar seu identidade, até porque meu teclado me censura. Mas todos sabemos de quem se trata.

Todos temos acompanhado, queiramos ou não, as suas ranzinzices quando fala do Avaí. Chegam a ser chatas, de tão estapafúrdias.

– É folclórico! – Diria um incauto.

Quer ser crítico, mas se perde nos argumentos e ainda nos vem com a estúpida desculpa de que é pago para comentar. Quando abre o seu ralo, as excrescências que deposita nos microfones são de dar pena, tal a falta de razão que sua mente elabora. Usa e abusa de velhos aforismos, chavões antiquados, como se soubesse a receita da sopa ou a dose do remédio. A propósito, só ele sabe.

Até há bem pouco tempo via defeitos nas belas instalações da Ressacada, chamando todo aquele magnífico complexo de puxadinho. Descobriu-se, tempos depois, que tal destempero era por nunca haver alguém da diretoria tê-lo chamado a conhecer o lugar. Ao longo dos anos falava do presidente como quem tratava de um doente pútrido, como quem se afastava de uma doença infecciosa. Chamou-o por diversas vezes de cacareco, com todo o desrespeito possível usado contra alguém. Soube-se que era porque não estava sendo convidado a jogar dominó com o presidente. Olha só, que coisa!

E, por tempos a fio, falou mal de todos os técnicos e de todos os jogadores de destaque que já passaram pela Ressacada, revelado agora, pela sua condição de ser pago para comentar, ou talvez de nunca ter sido convidado a trabalhar pelo Avaí.

Agora, as críticas ao técnico Hémerson Maria chega às raias da estupidez absurda, uma vez que tenta defender uma tese furada dita há muito tempo, a de que técnico de futebol sempre erra e erra muito, quando a realidade do Leão apresenta exatamente outra coisa.

E aí surge-nos uma das razões de muito destas palavras amigáveis: ao final do campeonato do acesso muitos foram convidados a estrelar o famoso vídeo da campanha, até a gente da rádio que trocas as notícias, e ele não. Para alguém que se acha um famoso colunista, se ofendeu. Esta é a razão de tanta raivinha. Seria hilário, cômico e estúpido, se não fosse trágico e tolo.

Poderíamos até insinuar, se não soubéssemos da verdade, duas hipóteses para tal postura: má-fé por entender de futebol e se achar o único conhecedor de tudo, ou incompetência, por não entender de nada. Nem uma coisa, nem outra. A competência e a boa-fé estão acima de qualquer dúvida retórica ou alegação sofismática. Conclui-se mesmo que a razão de tudo isso é a expressividade do óbvio: o ressentimento e o rancor.

E o pior é que nove dentre dez torcedores dizem que não o ouve, que é folclórico, que não dá pra ser levado a sério, fazem cara de nojinho, mas repetem ipsi verbis o que ele vomita. Vá entender.

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