Alma vendida

Não sou muito inclinado a escrever sobre a vida e as coisas de nosso rival maior, mas o que estamos assistindo acontecer por lá merece uma observação. E uma reflexão.

Nunca a história de Fausto, de Goethe, foi tão bem contada lá pelos lados do Scarpelli. Parece que alguém copiou todo o enredo da obra e o aplicou na íntegra. Venderam a alma para o diabo e agora ele veio cobrar.

Na Ressacada, nos tempos das vacas anoréxicas, tanto quanto neste Estadual, éramos humilhados insistentemente e tendo que ouvir que doladelá era o lugar dos “planos de gestão de ponta”, do “clube com estrutura”, do “planejamento”, dos “projetos”, da “visão de mercado”, “do melhor time” e da “melhor campanha” e toda a papagaiada mercadológica do mundo corporativo feita para encher o bolso de meia dúzia de empresários abonados e falastrões. A decisão do campeonato que nos trouxe a hegemonia local derrubou tudo isso e a pífia campanha no Brasileirão corrobora toda a farsa montada.

Muita gente caiu no conto do “clube organizado”, principalmente a torcida deles, que comprou aquela idéia com soberba e galhardia, mas agora percebeu que andava era sobre um terreno movediço, instável e em vias de afundar completamente. A humilhação talvez esteja mudando de lado. E também a mídia, que se apossou dos benefícios do momento, pois adora uma boa história para vender jornais.

Agora, o que se vê por lá é patético e beira ao ridículo. Algum dia a mansão de papel, que foi mal construída, desaba. E no buraco mais profundo. Avaí e Figueirense possuem as mesmas histórias, mas por aqui insistem em declarar que um é BEM melhor que o outro. E esse UM não é o Avaí.

Aliás, é bom que se esclareça que nada disso é culpa da imprensa, mas insistentemente eu afirmo que ela forma opiniões e fundamenta projetos, mas com a única e exclusiva proposta de manter o mercado midiático.  Nunca vou esquecer a frase proferida pelo senhor Miguel Aroldo Livramento, instantes depois da decisão, de que sabia dos problemas por lá, mas não divulgava que era para não tumultuar.

Que esta reflexão sirva para que a gente que comanda os desígnios do Avaí entenda como funciona a coisa. Nossa trajetória foi construída com muito suor, muitas lágrimas, muito sofrimento e não decidida em gabinetes acarpetados e refrigerados. Foi lá na chuva, no vento, no frio ou debaixo de sóis abrasadores que chegamos onde estamos. E que valorizemos cada passo de nossa caminhada, sem campanhas midiáticas ou marketings de prateleira.

Que se entenda que nós, os torcedores mais fiéis do Avaí, aqueles 4 mil de nossa média histórica, queremos o seu melhor, queremos que ele continue crescendo, sabendo das dificuldades, compreendendo que o mundo da bola é cruel e terrível, e se hoje apontamos para possíveis desvios de rotas, é para o nosso bem, o bem do Avaí, e não para o de interesseiros derrotados que querem voltar ao passado das contas de açougue feitas em papel de pão.

Que se construa um castelo fundamentado no bom convívio com a torcida, a torcida que o apóia. E, acima de tudo, que não vendamos nossa alma para a mídia colonizada, a mesma que está ajudando a afundar o co-irmão. As lições estão aí para ser aprendidas.

Eu defendo a todo custo o Avaí, sim. Para os avaianos.

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