Recados paroquiais

A poucas rodadas do final do 1º. turno da série B, já é possível se fazer algumas considerações. De cabeça quente, com o cérebro fervendo, o raciocínio embota. Muita gente fez isso ao longo de campeonato estadual e em parte da série B e já começa a ter que rever alguns conceitos. Agora que o radiador esfriou, é possível analisar o que há com o nosso Avaí, aquele para o qual o nosso amor, dizem, ninguém cala.

1 – É preciso, de início, sempre repudiar os “coleguinhas da imprensa”. Eles só vêem crises acontecendo no Avaí, enquanto que para outros em pior situação o mundo é como um arco-íris e com lírios cor de rosa. É impressionante a quantidade de casas mal-assombradas, cavernas mal iluminadas, morcegos, baratas e escorpiões que eles encontram na Ressacada. As raposas carecas, ratazanas saltitantes, anões de jardim e corujas plantonistas devem, a cada rodada, fazer uma reunião e estabelecer na sua pauta qual nova crise vão reproduzir pelos lados dos Carianos. Chega a ser patológico e requer tratamento tamanha postura. É diretor que contradiz dirigente de futebol, conselheiro querendo assumir a direção, presidente que frita treinador, jogador que não fala com outro. Daqui a pouco até os quero-queros vão bailar nessa dança conspiratória. Essa gente não é responsável pela má campanha do Avaí. Eles apenas não querem uma boa campanha, ou querem que as suas verdades se tornem realidade. E o mais curioso é como isso é repercutido no entorno da Ressacada por quem se diz torcedor.

2 – Qualquer pessoa com, no mínimo, dois neurônios já imaginava que não haveria vida fácil para o Avaí na série B. Até porque ficou bem claro (e os surdos que se apresentem) que o vôo do Avaí neste ano seria o de se recuperar após o fracasso na série A do ano passado e com parcos recursos. Para qualquer pessoa que não dependa de medicamentos para regular sua massa encefálica, isso significa dificuldades, dificuldades e mais dificuldades. Ficaremos brigando para entrar na zona de conforto até o fim do campeonato. Então, se ninguém quer “sofrer”, que não vá aos jogos, e no momento da partida ligue a TV numa novela ou num canal de desenhos. Afaste-se de tudo o que representa o Avaí na série B neste ano, pois isso é só para quem tem coragem, vontade e é torcedor de verdade, sem contra-partidas.

3 – Para os torcedores que vaiaram o Robinho, e agora vaiam Julinho, Nunes, Capixaba e demais, e ameaçaram rasgar sua carteirinha de sócio, o item acima também é válido. Aliás, quem acompanhou o Avaí na série C anos atrás, os anos terríveis e amargos da série B até 2008, os últimos anos do campeonato estadual, e os três anos de série A, não deve se incomodar com a campanha deste ano. Terá algumas alegrias e outras decepções, mas deve ter em mente que jogamos o campeonato como fortes e bravos. Muita gente joga a toalha ao primeiro sinal de derrota ou cara feia, mas se esquece do que já passamos. A Ressacada, hoje, é uma terra ONDE OS FRACOS NÃO TÊM VEZ. É lugar para homens e mulheres de brio e não para torcedor de ocasião. Portanto, se você chegou agora, se não sabe que aquele goleiro é o Diego, que aquele que joga com a camisa 10 é o Cléber Santana e com a 5 é o Bruno, e já está vaiando o time, não apareça mais por lá. Ali, na Ressacada, não é lugar para você, torcedor-modinha. Reserve seu lugar na Beira-Mar, quando o Avaí conseguir o acesso.

4 – O Avaí precisa de jogadores em posições estratégicas? Sim. Que posições são estas? As laterais do campo, a meia esquerda e o ataque, para a finalização. Então quer dizer que os jogadores que estão lá não servem? Servem. Servem, sim. Servem muito e deverão ser aplaudidos. Mas com o andar da carruagem, eles estão no seu limite, o limite falado pelo técnico Hémerson Maria, o de que não podem mais errar. Para o bem de suas carreiras e para lhes dar um descanso psicológico, os jogadores destas posições precisam ser substituídos. E isso é fácil? Claro que não, é muito difícil, dadas as nossas condições financeiras. Será que é preciso desenhar para quem ainda não entendeu?

5 – O segundo turno começa logo ali na frente. Que de uma vez por todas os torcedores se cocem e comecem a frequentar a Ressacada. O apoio ao Avaí deve ser dado pelos torcedores. Não será a imprensa e nem o anjinho da guarda, ou uma santa inventada que vão nos valorizar. Ninguém é dono da verdade e aqueles que acham que entendem de futebol e vivem execrando o time do Avaí vão ter que engolir as suas tolices quando ele se classificar. Há muita gente com síndrome de grife e destilando viralatismo por aí, o que reflete baixa auto-estima. E que não venha com aquele papinho de “queremos sempre o melhor”. Busque-se o melhor, mas se valorize o que se conquista. Um pouquinho de humildade não faz mal a ninguém.

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2 pensamentos sobre “Recados paroquiais

  1. esse item 3 ficou irreparável . E os demais corretíssimos. Fazer festa depois que ganha tem um monte bastou ver no estadual, a Beima Mar literalmente parou, mas no jogo contra o Marcilio tinha menos de 3 mil pessoas na Ressacada.

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