Sempre a mesma tecla

Diz uma antiga história, das redações de jornais, que de tanto bater na mesma tecla o jornalista acabou quebrando a tecla e a máquina de escrever. Ficou sem assunto.

Claro, a máquina de escrever mudou para os modernos teclados de computador, mas a insistência em dizer sempre a mesma coisa, para alguns jornalistas (e mesmo blogueiros que posam de jornalistas), permanece sempre igual. The sound remains the same, disse um intelectual americano, o som (da tecla) continua o mesmo.

Pois não é outra tecla que bate, que não aquela das cobranças acintosas e perniciosas em relação ao clube do Sul da Ilha. Seria cômico, se não fosse trágico, se pensar que numa Capital sobejamente dividida entre dois clubes de futebol, com praticamente as mesmas aspirações, culturas e conquistas, um tem o seu rabo sempre puxado e o outro tem o seu pau de galinheiro encoberto em papel de seda.

Os jornalistas da Capital batem sempre na mesma tecla de que no Avaí nada presta, ou tudo o que é feito por ali, no Sul da Ilha, vem com um pacote de carga negativa rasgadamente grande. Enquanto que, no lado alvinegro, quando muito houve um erro de avaliação, ou um desentendimento entre empresários. Nada que o seu planejamento não possa sanar em médio prazo. Por que isso? Qual a razão de se fazer tais ponderações?

Embora meia dúzia de abobados que envergam camisas com listras azuis e brancas pensem da mesma forma, sempre pessimista, e sequer compreendam que os dois clubes andam, dia após dia, em condições iguais, o posicionamento tanto de Avaí quanto de Figueirense no cenário do futebol nacional depende do apoio de suas torcidas e da mídia local. Sem cooptações, sem associações, sem apaniguamentos, mas entendendo as necessidades conjuntas. Suas diretorias fazem limonadas sem nem mesmo terem limões nas mãos. Fazem muito com muito pouco. E, por isso mesmo, não podem errar.

Mas, o que vemos, são que erros cometidos num lado, o lado continental, estão sendo sempre abafados (para desespero de sua própria torcida, que quando vê, a coisa já está arrasada), e do outro, o lado ilhéu, sendo não apenas apresentados, mas incisivamente elevados à categoria de guerra nuclear.

Não faço e nunca fiz apologia a falcatruas e negociatas. Contudo, não exagero na dose, por compreender que essas situações precisam ser mais bem esclarecidas antes de se sair por aí a atacar todo mundo. Uma acusação leviana destrói reputações e as desculpas por uma palavra mal colocada jamais revertem o erro. Nunca mais!

Porém, onde há o fato, que ele seja apresentado com suas reais implicações. E aí os noticiários que se dizem imparciais arrancam a pele dos dirigentes avaianos até o osso e temperam com rosas a dos dirigentes alvinegros (contando ainda com a eficaz colaboração de adolescentes azulinos nas redes sociais). Que balança é esta? Que necessidade é esta de encobrir passivamente ali e divulgar aqui com requintes de crueldade?

Os jornalistas da mídia local já estão sem assunto. Seus teclados estão quebrados. E cada dia mais suas vergonhosas posturas surgem na telinha para expor seu corporativismo medíocre. E os colegas e coleguinhas das redes sociais, ávidos por avisar a todo mundo que são donos da verdade, ansiosos por seguidores a lhes massagear o ego, ainda posam de virgens juvenis, sem saber que se explicarmos bem explicadinho, há alguns que possuem mais ficha corrida que as donzelas do Bataclã.

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2 pensamentos sobre “Sempre a mesma tecla

  1. Aguiar, a mídia em geral tem uma paixão pelo time “doldecá” (Tô no continente) que é vergonhoso. Tudo bem que independente da profissão o sujeito tenha sua paixão por clube A ou F, e que mesmo sem querer ele deixe essa paixão transparecer, isso faz parte, mesmo que não seja o ideal para um profissional da mídia, um formador de opiniões. Acontece que aqui na nossa região essa paixão exacerbada beira ao ridículo.
    A Granja que tu mesmo fazes está deixando de ser uma caricatura e tornando-se um retrato fiel. Os caras não tem a menor vergonha de dizer que “eu sabia”, “fulano me falou semana passada”,….poxa, e a credibilidade?
    Se fosse meu funcionário seria demitido na hora.
    jornalista, radialista, comentarista, sei lá a profissão deles, mas dormir com a notícia é uma total falta de respeito com os clientes.

    Em geral admiro os blogueiros pq dispoões de seus tempos para debatermos assuntos do nosso time.
    Ocorre que alguns colegas preferem até na hora boa achar motivos para denegrir o clube. Talvez “denegrir” não seja a palavra certa e nem o clube o alvo, mas é o que entendo.

    Não vou dizer que estão procurando pelo em ovo, mas que estão com saudades de umas 3 derrotas seguidas, isso não me resta dúvida. Poder encher a boca e dizer que o ZUNINO é BURRO PRA BARALHO PQ O CS10 PERDEU UM GOL, O DIEGO COMEU UM FRANGO, O HM É UM APRENDIZ.
    Tirando as cagadas do Marcelinho Arroz vamos falar do que?
    Ingresso tá barato, pode levar a sogra junto, a feijoada estava boa, vem de uma série de vitórias. Jogar tudo na conta do hômi é a brincadeira favorita.
    Eu queria muito que todos os críticos apresentem um nome, um projeto, uma parceria, qualquer coisa. Ano que vem terá mudança e a gente (torcida) já poderia até ir conhecendo o futuro do clube.
    Juro por Deus que independente do nome que venha para presidente do Avaí, continuarei torcendo por ele e pelo sucesso do seu projeto, afinal meu time continuará sendo o mesmo.
    E tem outra, queria mais ainda que esse cara pegue o club na série A com um bom número de sócios, estádio bonito, time bem montado e a torcida empolgada, assim o futuro presidente terá um trabalho mais fácil.

    abraço

    • Perfeito, Fábio, é esse o pensamento que eu tenho. Não sou contra as críticas. Também sou crítico. Mas quando se critica, deve-se apresentar alternativas, senão vira mimimi tolo, coisa de menino birrento (e meninas também). Tipo: vou contar pra minha mãe que tu fez malvadezas. É um discursinho chato e sem noção.
      Alguém que sabe o caminho deve ensinar como chegar, deve apresentar propostas. O que vejo destes blogueiros por aí é birrinha mesmo, coisa de menino levado, que mete o pé pra parecer entendido. Assim como a nossa própria imprensa, que decide levantar a bola de um lado e denegrir o outro, pra dizer que entende do riscado. Conversa, ninguém entende nada.
      Queria, mesmo, que alguém assumisse esse torço todo, alguém de fora dessa bagaça e visse como é complicado. E alguém que ficasse esse tempo todo tomando na bunda, como o presidente, e não arrendando o pé.
      Frequentemente eu pergunto: quem tu achas, então, que pode assumir o Avaí e manter isso assim? Eles desconversam, dizem que é papo aranha o meu, mas não dizem nada.
      Frouxos!

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