Falta de oportunidade

A eliminação precoce do Figueirense, nos pênaltis, pela Sulamericana, é só mais um capítulo do sangramento diário que ocorre no clube do Estreito. As previsões mais otimistas dão conta que será rebaixado à série B ainda neste ano. As pessimistas, então, nem se fala.

Como torcedor avaiano, é evidente que vou fazer minhas gozações básicas e habituais em relação a essa fase deles. Não sinto nenhum remorso e creio ser natural, dadas as rivalidades, torcedor proceder assim. E que nenhum aspirante a Prates da vida venha me proibir disso.

Por outro lado, como habitante de Santa Catarina e apreciador do futebol, considero tudo isso péssimo. Será uma desgraça absurda ter o Figueirense como rebaixado, ao perceber que estamos no iminência de nos classificarmos, juntamente com Criciúma e Joinville. Quatro clubes de futebol, de Santa Catarina, na série A, seria a redenção de nossas pretensões. Um avanço considerável para o esporte catarinense. E falo isso porque quem deveria impor respeito aos nossos valores, omite-se, seja por incompetência ou interesses burlescos.

A Federação Catarinense de Futebol, por exemplo, é um nada de coisa alguma. Durante anos age muito mais para agraciar apadrinhados e festejar suas existências do que gerir em benefício do futebol em nosso estado. Não discute cotas de TV em favor dos clubes, não os auxilia quando demandas judiciais externas os atrapalham a vida, administra um quadro de árbitros defasado e amador e permite que estádios antiquados e imprestáveis sejam utilizados como praças de esportes no campeonato catarinense.

A mídia esportiva é outro ponto envolvido que há muito deveria fechar as portas e contratar terceirizados a fazer seu papel. Possuímos verdadeiros guetos a fazer guerrinhas tribais entre Capital e Interior, promovidos por arremedos de jornalistas, nobres bufões arcaicos a dizer tolices e escárnios sobre o nosso futebol. Invariavelmente não opinam com a razão, mas com o pensamento ora voltado para benesses clubísticas, ora por total incompetência e falta de conhecimento de regras, táticas e quitutes mais. O futebol catarinense, a depender da cobertura de nossa mídia , não cresce, não avança, onde opiniões e gostos pessoais ridículos tomam o lugar de análises que deveriam ser mais bem fundamentadas.

E temos os empresários que administram os clubes, alguns deles com pensamentos do tempo em que se jogava futebol com bola de capotão. Há necessidade de uma reciclagem urgente nesse quadro. O futebol, que se tornou um negócio, se bem administrado alia a isso o prazer e a diversão proporcionados pelo esporte. Promove a interação entre as entidades e gera os recursos necessários para fazer evoluir ainda mais a competitividade e a continuidade dos eventos. A realidade, contudo, mostra-nos um ou outro abnegado tendo que administrar as dificuldades e investir nas correções de ruínas.

Talvez a mudança de mentalidade almejada por aqui esteja no esforço do clubes que jogam atualmente a série B, fazendo com que os olhos do futebol nacional nos vejam de forma diferente, com dignidade e respeito, coisa que deveria partir de seus promotores, mas graças às sua deficiências operacionais e intelectuais, isso não acontece.

A queda de Avaí, Joinville, Criciúma e mesmo Figueirense pode ser uma boa para aquela parcela de humanos movidos pela emoção, os torcedores, mas para o ambiente do futebol e para a evolução do esporte como um todo é ruim e não acrescenta nada.

Não é por falta de oportunidade, mas o futebol de Santa Catarina já cansou de ser fraco, por culpa exclusiva de seus responsáveis.

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2 pensamentos sobre “Falta de oportunidade

  1. Alexandre, faz muito tempo que falo sobre isso, o Brasil precisa de uma LIGA e os estaduais também deveriam ser Ligas, nas ligas os clubes poderiam ganhar por méritos, as cotas poderiam ser mais bem dividida, mais de uma emissora de TV poderia transmitir isso gera mais grana pros clubes…mas quem vota pra presidente da federação?

  2. Pois é, o buraco é bem maior do que a gente imagina. A estrutura organizacional de nosso futebol (do futebol brasileiro como um todo e do catarinense por completo) está defasada e é regida pelos méritos das contas bancárias de uns poucos. Quando um Zunino, um PPP ou um Angeloni tratam de investir para alavancar a coisa, a estrutura não ajuda. E aí é meio que invenção da roda aqui, invenção da pólvora ali e toca o baile.

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