Profissão: papel higiênico de repórter

Ouvindo ontem pela rádio o jogo do time da Capital doladelá, que insiste em permanecer na série A, deu pra perceber, nitidamente, a diferença dos discursos entre o clube deles e o nosso, um tratamento muito diferenciado. Aliás, essa tecla é batida todo santo dia e muita virgem vestal imagina que somos adeptos de conspirações e conchavos de alcova. Longe disso. Já fui vacinado desde menino, já freqüentei banco de escola até a universidade, sei ler e escrever de acordo com as regras ortográficas e gramaticais vigentes e sei contar 1 + 1 de frente pra trás sem titubear. Ou seja, pra tanso eu ainda não sirvo, embora há quem queira dizer ao contrário.

Mas, voltando à vaca da Sibéria, é estampado o quanto se aplicam falas diferentes para cada um. Isso numa cidade onde os nativos ainda se conhecem.

Seria muito interessante se não precisássemos deles. Poderiam dizer o que bem entendessem que não afetaria em nada à cotação do dólar., nem a quatidade de feijão na feijoada. Todavia não é assim neste mercado da bola. E que se entenda que isso não é uma reclamação por dor-de-cotovelo ou ciúmes, um despeito arrivista, mas a compreensão do quanto tal postura afeta na imagem do clube lá fora. Se são formadores de opinião e são construtores do discurso de mídia, tem que compreender que a informação é uma coisa mais letal que uma arma de guerra. Se a fculdade não lhes ensinou, que ao menos aprendam com a vida.

Claro que de vez em quando leio e ouço a bobagem de que o Avaí os aceita, que os tem procurado para entrevistas e recepções e até faz questão de oferecer seus produtos para divulgação nas redes de mídia porque é tolo. Existe até a conversa de que o presidente, por ter a sua empresa e precisar de divulgação em rede, baixa as calças inadvertidamente para os fulanos e madames da imprensa. Evidentemente que tal assertiva é algo que não pode ser levado à sério. O Avaí precisa manter um bom relacionamento com a mídia, seja de qual bandeira for, pois não é nenhum Flamengo ou Corinthians a poder peitar os formadores de opinião. Não dá pra ficar de biquinho para um e agradinhos para outro. As posturas pessoais devem ser mantidas afastadas do posicionamento profissional, que é exatamente o que não se vê na mídia travestida de imparcial.

O que se quer, antes, é um tratamento isonômico. Equivalente.

É comum perceber que se esbraveja contra nossos jogadores por um mal desempenho e passa-se a mão na cabeça dos outros incompetentes, que é para diferenciar bem o tratamento. Nosso treinador é tido como um nada, um apêndice, sem grife e sem cultura, mesmo fazendo boa campanha e montando esquemas táticos de deixar europeus de queixo caído, enquanto que para os outros seus treinadores estão em nível de seleção brasileira, ainda que percam jogos ridículos. Nosso clube, que é o mais vezes campeão do Estado e ainda detém a marca de melhor desempenho em nível nacional na série A, nunca chegará a lugar algum, segundo a mídia. Enquanto isso, doladelá, se for achada uma lata de bosta de vaca, logo será repercutida a ideia de que eles estão criando gado e vão vender horrores no mercado de carne.

Contudo, sabendo de quem vem, nada mais me espanta. São néscios e incompetentes e vivem nos seus empreguinhos de “jornalistas esportivos” por favores familiares ou por tempo de uso. Exijo a cada dia essa isonomia, mas sei que é chover no molhado. O que me incomoda é perceber que blogueiros e torcedores, que também não aceitam aquele discurso, repetem ipsi verbis tudo o que é divulgado nas suas rádios e TVs, parecendo verdadeiros ghost writers.

O exemplo da exposição de camisas, comentada por aspirantes a costureira e tratada de forma desdenhosa por alguns “donos da verdade”, é lamentável. Tenho outra palavra para isso, mas vou respeitar meus leitores. E a história de nossa vitória na terça-feira, desmerecida pelos mesmos, e a derrota do time doladelá, tratada como uma jornada de azar, dão a exata noção disso.

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