Em busca da razão perdida

O maniqueísmo do bem e do mal permeia entre torcedores de futebol. Isso é inegável e faz parte desta cultura. Se não está bom, está ruim, e vice-e-versa. Isso é comum, pois torcedor é aquele tipo de ser humano que se move pelas emoções, deixando a razão nas bilheterias. É praticamente impossível exigir de um torcedor um pouco de bom senso. Sentar numa arquibancada e vibrar, chorar, sorrir, esbravejar, xingar e aplaudir é algo natural e definitivamente esperado de um apreciador do futebol que possui um time para torcer. Já vi senhoras polidas chamando palavrões e homens recatados chorarem copiosamente por seu clube. Ali, na arquibancada, desde que não haja violência, pode tudo.

Ali, na arquibancada.

Pois quando isso é transportado para o dia a dia, o troço muda de figura. Quando a pessoa traz as suas angustias, frustrações e desânimos junto com um comportamento de arquibancada para a vida fora do estádio, é sinal de perigo. Uma luzinha amarela de sensatez sendo perdida começa a piscar.

Espera-se do homem e da mulher com mais que dois neurônios, possua capacidade cognitiva e que saiba e compreenda as quatro operações básicas da matemática, ao sentar-se à frente de um computador, ao ler um jornal, ou ouvir uma rádio, estando de fora de um estádio de futebol, que tenha uma postura de cidadão. Uma disposição de respeito e assertividade para com o semelhante. Compreender seus direitos e deveres numa vida em sociedade.

Mas há quem não aja assim e, parece, faz questão de ser irascível.

Tenho lido e ouvido constantemente torcedores avaianos transformarem singelos comentários acerca dos jogos relacionados ao seu time em espetáculos de grosseria e afronta, ofendendo pessoas envolvidas com seu clube, sejam dirigentes, treinadores ou jogadores, e ate outros torcedores, sob a alegação de que são apenas torcedores e aí pode tudo.

Não, não pode, não. Dentro do estádio, sim, lá fora, não. Lá fora há um respeito ético e solene de cidadão e não de “matador de aluguel”.

Neste momento fora do estádio deveriam ser tachadas como pessoas lúcidas. Dotadas de capacidade mental normal. E intelectualidade beirando à média. São pessoas comuns, mesmo que tenham uma paixão clubística. O futebol é algo que beira ao prezar aliado à emoção, uma diversão contagiante, e não uma declaração de guerra, ainda mais fora de um estádio. A exacerbação deste comportamento vira inquisição e tribunal com juízes covardes, cujo acusado não pode se defender. E transforma adultos barbados em adolescentes juvenis ou idosos incontinentes.

É esperado de homens e mulheres, que buscam soluções, algo entre a calma e a parcimônia. No âmbito do futebol mais ainda, uma vez que a emoção embota o cérebro, se não for dosada. O mundo é bem mais complexo do que o simples apertar de botões LIGA e DESLIGA, como quer a patuléia desvairada do futebol.

Os ataques caóticos aos jogadores do Avaí pela derrota contra o São Caetano poderão ter conseqüências. É bom algumas cabeças ditas pensantes usarem isso em benefício do clube. Não era necessária tanta agressividade. Claro que cada pessoa tem o direito à opinião e achar o que bem entender das coisas, mas essa síndrome de Inquisição é sem sentido e desmedida. Poderemos estar perdendo para nós mesmos, torcedores.

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