Qual poder nós temos?

Muito se fala em poder de blogueiros, que no mundo informatizado atual posariam de alternativa à midia trivial. O que se percebe, contudo, é que a vaidade toma conta. Sejam blogs esportivos, políticos, de assuntos gerais, grande parte se acha um segmento diferenciado aos jornalistas, outros seguem a mesma linha editorial das grandes corporações de mídia, e no geral faltam argumentos sólidos. O uso prolongado e abusivo, ao invés de alongar, encarquilhou tanto blogueiros quanto usuários. A liberdade de expressão passou a ser usada como ferramenta de ataque. Grande parte do conteúdo dos blogs, em função da liberdade, e, às vezes, até do anonimato de alguns, serviu como bala de canhão na guerra midiática. Eu, de minha parte, como um blogueiro, constantemente me policio para não cair no lugar-comum do tal exercício desenfreado da liberdade de expressão. Sim, liberdade de expressão é o apanágio da democracia, e que deve ter a sua dose de forma a não se vulgarizar, de remédio não virar veneno.

A propósito, Democracia é uma palavra fácil e ótima de ser pronunciada. No mundo ocidental do laissez-faire e do liberalismo, tem efeito de retórica assombroso, sendo que, na maioria das vezes, é usada como aquele tempero para salgar carne em decomposição. De modo geral, erroneamente interpretada, é dita como o pensamento da maioria, quando na verdade trata-se de equilíbrio de forças.

Não se conduz atitudes e competências pelo que pensa a maioria, mas pelo que ordena o bom senso. Uma turba de celerados, a maioria ali, naquele instante, num linchamento público, pode muito bem fazer justiça com as próprias mãos, mas se duvida que as intenções ali perpetradas sejam reais e verdadeiras.

O grande barato de uma democracia é que ela pode ser mola para deflagrar revoluções. Imagina-se que, com a liberdade de escolhas e de condutas, num equilíbrio constante, se pode, também decidir por mudanças drásticas na condução dos processos. Apenas se esquece de pensar que revoluções se fazem com propostas concretas, exeqüíveis e que possam ser entendidas como fazendo parte de um processo dinâmico. Nunca pode ser motivado pelo inconformismo adolescente, aquele da birra bicuda e do bater de pezinhos.

A outra pauta dada à democracia é no tocante às informações. Algumas informações, quando muito estapafúrdias, devem ser verificadas à exaustão. Quem repercute algo assombroso ou, ao menos, surreal, ou ainda quem sabe duvidoso, corre o risco de depois ter que desmentir, se a coisa se revelar um engano. Claro, se for honesto.

Portanto, blogueiros como livres-pensadores devem ter isso em mente. Não quero ser professor de deus, não tenho essa presunção. Apenas penso que o direito é o reflexo da justiça. E o justo é aquele que verifica que os dois lados têm razão, cabendo o uso do bom senso para se perceber quem tem a verdade.

Agora a pouco se noticiou que a Ressacada foi pichada com palavras agressivas. Quem apóia isso, não tem o meu apoio. Isso não é democracia e nem liberdade de expressão. O poder que nós temos, de divulgadores de informações, é o de construir soluções, fomentar o debate e aliar-se ao novo, não o de acusar sem provas. Não é o de achar erros sem investigar. Difundir e dar guarida a agressões, de qualquer natureza, é o primeiro passo para se perder a credibilidade.

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Um pensamento sobre “Qual poder nós temos?

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