Campeões de confidencialidade

A descoberta dos contratos feitos entre uma empresa e a direção do time do Estreito chama a atenção para um comportamento que é, muitas vezes, hipócrita e em outras, inocente. De todos os lados, é bom que se diga. Falei ontem aqui sobre a história da democracia ser usada como moeda de troca por todos, e por blogueiros que se acham poderosos por deter informações, quando nem se sabe exatamente o que isso significa. Mas, pra encher a boca de bobagens há mais candidatos do que para o BBB da Globo.

Quero deixar claro, antes que algum analfabeto funcional idiota mude as minhas palavras, o que é costume, que não sou favorável a falcatruas, conchavos e tramóias em qualquer aspecto da vida.

Mas, é bom esclarecer, que não inocente e, também, que o futebol tem as suas atitudes estranhas, cuja absorção para alguns é indigesta. É fato! O que deploro é a sanha desenfreada pela moralidade e pela ética, quando o próprio futebol não é assim e a vida de muita gente muito menos. Quem não quer que o seu time ganhe um campeonato aos 47 do 2º. tempo, com gol de mão e impedido e, se possível, em cima do rival? Há gente que vaia fair play, só pra saber como a honestidade no futebol é comum, né, donzela? Talvez alguns torcedores ajam dessa forma por inocência, mas outros é por interesses mesmo. A própria Polyana tinha o seu dedo sujo.

Nessa história que se abateu sobre o nosso rival, que me parece um belo de um vôo de galinha, vai uma perguntinha básica: as pessoas que tiraram o Prisco a chutes não sabiam das intenções do Lodetti? E é o Lodetti, esse monstro pintado agora de marginal, o único dedo podre da história? E agora surgem jornalistas posando de bons moços defensores da moral e dos bons costumes, como se eles mesmos não soubessem do que se tratava antes. Alguns blogueiros deixam correr lágrimas (de crocodilo), dizendo-se enganados pelas circunstâncias. Como temos virgens vestais nesse mundo? Sassinhora! Doladelá e doladecá. Isso muito me comove.

A palavra que mais está em voga agora é a tal CONFIDENCIALIDADE. Diz-se que as direções de clubes de futebol não podem esconder coisas dos torcedores, esse eterno alienado emotivo que quer saber de tudo, por querer apenas o bem do clube. Sei! Ora, caçarolas, todos temos nosso grau de confidencialidade. Isso é tão claro quanto a luz solar no Verão. E torcedor não é essa coisinha imaculada como muitos querem deixar entender.

– Ah, mas no futebol é diferente, estamos falando de uma instituição pública. – diz o incauto politicamente correto.

Conversa! É apenas mais um território que se apropria disso, nem melhor, tampouco muito pior.

O problema da confidencialidade discutida aí é porque muito nego velho queria informações de alcova, aquele digno comportamento de marias-fofoqueiras que querem saber de tudo da vida dos outros e sair contando por aí, essa é a verdade. O cara quer ser o dono do assunto, ter a “melhor fonte”. O papinho de querer o bem do clube é uma afronta à inteligência, o que se quer é informação quentinha e pronta para divulgar aos outros. Apenas isso, nada mais que isso. Ter informação é ter poder. Lembra da democracia das informações?

Certa vez um determinado moço, blogueiro famoso, me mandou um e-mail pedindo informações relevantes de dentro da diretoria avaiana, justamente pela minha condição de proximidade com o presidente. Cumprindo isso, garantia que meu nome não seria divulgado nem sob tortura. Queria me contratar como um X9 particular. O resultado, obviamente, seria mais acesso e seguidores em seu blog, coisa que nunca negou. Claro que eu tenho as minhas confidencialidades e não dei a letra por achar isso uma ignomínia. Eu tenho os meus pudores. E agora a figura posa de defensora da moral e dos bons costumes e dá de dedo na direção avaiana. Vá se catar!

Alguns amigos dele vivem dizendo que na Europa é assim, na Europa é assado, e lá tudo é perfeito. Quer dizer que no reino encantado do futebol não existem as suas podridões e que lá não há confidencialidade? Se alguém cheio de pruridos souber como o Manchester United e o Chelsea são geridos, abandona o futebol por completo. E nos clubes brasileiros, também citados por eles, não há isso? E o pior é que eles acreditam. Bom, se acreditam até em e-mails de empresário de jogador, o resto é firula. A propósito, essa é a gente que quer tomar o poder no Avaí.

O problema é que depois de tudo isso meia dúzia de tansos vem me hastear a bandeira da democracia. Como temos bons atores neste mundo.

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2 pensamentos sobre “Campeões de confidencialidade

  1. Em nenhum lugar existe santo, nem igreja, nem futebol, nem na torcida.
    Sigilo absoluto só no cemitério, isso qdo não há ninguém.
    Caro Aguiar, na Europa onde dizem que o futebol é o melhor do mundo, muitos clubes são comprados (negociados), a máfia dos resultados divulgadas com freqüência na Itália, os russos comprando clubes e por aí a fora.
    O Corinthia com o seu ex-presidente que assumiu uma pasta na CBF, indicou o treinador,…isso se a gente começar a falar dos estádios que estão sendo remodelados pela Copa do Mundo vai dar uma tese para o doutorado e confirmaremos que há um buraco sem fim.
    Acho que com esse barulho causado pela dupla da capital, nós torcedores, esquecemos de lembrar as negociadas da FCF com a empresa gaucha para transmissão do campeonato local, as arbitragens, as voltinhas de carrinho maca do presidente, os favorecimentos a um determinado clube, enfim, é o negócio não é tão belo.
    Dentro do nosso time, se a gente lembrar, todos os anos tem jogadores que são baladeiros, mercenários e fazem panelinha da igreja.
    Ah, os empresário vem aqui e colocam jogadores sem intenção de retorno algum, juras…

    Quem sabe se o Zunino sair eles, os empresários, vão começar a aparecer, volta o João Carlos Dias para gerente de futebol e começa a fazer mágica, nada pessoal com ele, aliás, ele já conseguiu muito para o clube.

    Sem querer comparar o futebol é cheio de interesses em todos os níveis, inclusive alguns torcedores.

    Abraço e vamo pra correria

    • Exato, Fabio. Quando posto esse assunto os caras me detonam dizendo que sou a favor de falcatruas. Pelo contrário.
      Mas eu não sou inocente. E se há algum inocente aí querendo assumir o Avaí no lugar do Zunino, dizendo que faria algo diferente, mais transparente e blábláblá, é bom parar de ler Alice no País das maravilhas.

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