Responsabilidade e culpa. Agora é a vez da torcida.

Eu deveria me ater a falar do esquema de jogo que o Argel imporá ao Avaí na partida de hoje, contra o Vitória. Falar que é o mesmo esquema que deu certo no final do turno, ou seja, um 4-4-2, com três volantes. E por isso as esperanças aumentam. E deveria, também, questionar, mesmo que retoricamente, a razão que levou o treinador a não aproveitar, sequer no banco de reservas, quaisquer dos reforços que recentemente chegaram na Ressacada.

Porém, as linhas que transporei agora neste texto me levarão para uma espécie de “limbo”, num lugar que eu não precisaria me aventurar. Pior que vou conseguir angariar manifestações contrárias de “todos os lados” avaianos. Mas quem disse que eu consigo parar de escrever? Assumo a responsabilidade das letras seguintes.

Num time bem próximo do Avaí, quem queria ser parceiro virou (ou está virando) dono. Ou será que já era dono e os demais eram apenas figuras de presépio? Mas, como no momento a questão é o Avaí, resta dizer que no sul da ilha já existe há muito tempo um dono. E tanto lá, como cá, a torcida não é dona. Mas isto é culpa de quem? Do dono ou da torcida? No Avaí, inclusive, o dono, recentemente, andou culpando a torcida. Será que ele tem razão? (Já tem leitores que pararam por aqui e estão “rasgando elogios” nos comentários, mesmo que tão somente mentais).

Mas vamos analisar, brevemente, o conceito da palavra “culpa”. Segundo o Dicionário Priberam da Língua Portuguesa há culpa quando há “falta voluntária contra o dever; omissão; desleixo”. Pois então, não foi isso o que realmente ocorreu? Se a torcida não é a dona, quem é culpado de não se associar ao clube? Quem se omite e não vai ao estádio? Quem critica a diretoria e por desleixo, negligência mesmo, não paga mais as suas mensalidades de sócio? Se a torcida não é a dona a culpa é da própria torcida! Inclusive eu assumo a minha parcela de culpa neste “processo”. Mas é incrível como vejo e leio pessoas que eram associadas ao Avaí, mas por que discordam de ações da diretoria deixaram de ser sócios. Se não farão mais parte da vida social e jurídica do clube como é que pretendem contribuir para modificar a situação que tanto reclamam? Hipoteticamente falando, se o Estatuto do clube passar a prever eleição direta para presidente, quando todos os sócios poderão votar, e se aqueles que são contra o presidente não possuem mais direito a voto por que deixaram de ser sócios, mas restaram como sócios muitos simpatizantes da atual diretoria é difícil prever o resultado de uma eleição?

Num rápido e simples exercício matemático, se o Avaí possuísse 15 mil sócios pagando uma média R$ 70,00 (setenta reais) no valor da mensalidade a receita mensal seria de R$ 1.050.000,00 (um milhão e cinquenta mil reais). Um bom dinheiro para ser administrado e bancado por sócios que então ativos na sociedade Avaí poderiam se chamar de donos, representados por Conselho e Diretoria vigilantes pelo valor que lhes é passado para gerir.

Então quer dizer que eu estou culpando a torcida pelo momento atual do Avaí? Claro que não! Eu disse que há culpa do torcedor por ser omisso, por não se fazer presente na vida do Avaí. Mas isto não quer dizer que ele seja o responsável pelo atual momento do clube. Tem a sua parcela de culpa, mas não é o responsável. (Este é o momento em que o “lado” que me criticava, deixa de me criticar, e o “lado” que apoiava passara a fazer as críticas).

Responsabilidade“, segundo, também, o Dicionário Priberam da Língua Portuguesa, é a “obrigação de responder pelas ações próprias, pelas dos outros ou pelas coisas confiadas”. Ou seja, a responsabilidade do Avaí estar passando pelo momento que passa é do Conselho Deliberativo, da Diretoria do clube, e do dono do clube (sempre que sócios / torcedores / não forem atuantes num clube ele passará a ter um dono, e no caso de clubes de futebol, poderá até mesmo ser empresário de jogadores, são diversos os exemplo no Brasil e no mundo). Assim, é responsabilidade destes gestores as falhas nas contratações de profissionais e, inclusive, de não realizar um investimento consistente em publicidade e propaganda “mola motriz” de ações (em diversas áreas) dos séculos passado e presente.

Portanto, o fato do torcedor/associado ser “culpado” é, também, por (ir)responsabilidade dos gestores. Mas a (ir)responsabilidade dos gestores também é por culpa dos torcedores/associados. Assim o Avaí passa a vivenciar um ciclo vicioso. E essa passa a ser a “mola motriz” de tudo o que ocorre na Ressacada. Mas desde quando são necessários tantos lados, tão opostos, numa relação que deveria ser passional? Por que precisa continuar a existir o lado deste ou daquele, quando na verdade todos deveriam ser apenas avaianos, com divergências, é claro, pois elas movem as relações sociais, mas acima de tudo avaianos.

Pois agora é a vez da torcida! Desde as últimas rodadas do campeonato catarinense deste ano, com a batuta do maestro Cléber Santana e dos Comandantes (H)Emersons, o “slogan” do Avaí passou a ser o seguinte título de um filme: “À espera de um milagre“. Mas mesmo o milagre vindo com o título do catarinense o torcedor continuou incrédulo, ainda mais por ações inesperadas da diretoria logo após a conquista. Como não há um marketing forte e a mídia local não colabora, o torcedor ficou à espera de  outro milagre. Mas ele não veio.

Mas o Avaí nunca foi um clube de esperar por milagres. O torcedor do Avaí apoia o time e vai ao estádio por que tem certeza de que o milagre vai ocorrer. Por que o Avaí é assim conhecido: “Esse Avaí faz coisa”! O que para muitos é milagre para o Avaí é a rotina. Superação é a palavra de ordem. Sofrimento, quase sempre. Mas o torcedor sempre acreditou. Por que então deixaria de acreditar agora? Quantos elencos se superaram dentro da Ressacada com o incentivo do torcedor avaiano? Você lembra se foi fácil garantir o acesso em 2008 na partida contra o Brasiliense? Não foi! Mas a torcida estava lá, empurrando acreditando que o milagre aconteceria e não esperando por ele!

Na verdade se fosse para escolher um título de filme que represente o Avaí eu escolheria: “Missão Impossível“. Afinal, mesmo sendo “impossível” o personagem principal sempre cumpre as suas missões. Assim como o Avaí, que faz coisas!

Portanto, independente de culpados e/ou (ir)responsáveis. Independente de esquemas táticos. Agora é a vez da torcida! Com ela o Avaí chega a lugares que nenhum outro acreditaria que ele pudesse chegar!

Anúncios

Um pensamento sobre “Responsabilidade e culpa. Agora é a vez da torcida.

  1. Texto primoroso, meu caro.
    Sempre tenho insistido que o tripé diretoria/time/torcida tem que expurgar suas mazelas e assumir suas incompetências. O problema é que quando um quer ser protagonista, o outro se sente intimidado ou incomodado. E faz beicinho. Daí para o fracasso é uma passagem de ônibus da Palhoça.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s