O admirável mundo das Alices

Nestes dias de folga no futebol e de eleições, comecei a ler o que anda acontecendo nas redes sociais e no ponto de vista de algumas pessoas sobre a situação do futebol como um todo e mais especificamente de nosso Avaí e passei a rir.

Eu me divirto com os puros de alma. Aquelas pessoas motivadas por um amor cristão na idealização de um mundo lindo, maravilhoso e cor de rosa. Um mundo que deveria ser mais harmonioso, perfeito, castiço e imaculado. Um mundo sem erros.

Insisto no tema, o qual não posso deixar de abordar: a condenação constante e sistemática da direção avaiana por suas atitudes.

Claro que deram algumas topadas na touceira e andaram mais do que as pernas poderiam alcançar, mas não pecaram por omissão. É para poucos a coragem de administrar um clube de futebol e fazê-lo disputar, palmo a palmo, pontos com alguns grandes e mais endinheirados do que a gente. E esta coragem se mede por aquela falta de propostas por partes de seus críticos. Quando muito, um esperneio midiático, não com muita relevância, e que se dissolve na falta de objetivos.

Volta e meia surgem os arautos da moral e dos bons costumes a pedir a cabeça do presidente, ou de um ou outro diretor. Usam da retórica da decência e da retidão a todo momento neste sentido. Se arvoram como donos da verdade e posam de virginais. E dizem que eu é que vivo a imaginar um conto de fadas. Crianças, acordem!

O presidente Zunino e alguns diretores que ainda o apóiam não tem alternativas. A situação é esta. O que pode ser feito e o que foi feito é isso. Ninguém, repito, ninguém faria diferente. É muita inocência imaginar que alguém que assumisse a direção de nosso clube o administrasse de tal forma a estarmos agora numa séria A, jogando uma vaga de Libertadores, ou se preparando pra ir a Tóquio jogar o Mundial. E sem dívidas, com caixa limpo e rentabilidade européia. Dizem ainda que o estádio, em suas mãos, estaria sempre cheio, que nossos uniformes e produtos licenciados seriam vendidos com preços de artigos chineses, que as decisões internas da diretoria seriam abertas a todo o público, que a RBS não teria espaço na Ressacada, e que nossos jogadores das categorias de base (olha só!) estariam jogando no time principal junto com atletas de ponta. E depois poderiam ser vendidos para Barcelona ou Manchester United, rendendo uma graninha ao clube. Tá bom, juro que não vou rir!

Sim, porque este é o discurso corrente, são as situações ou os erros mais apontados. Caramba, quanta ingenuidade! Será que as pessoas acreditam mesmo nisso ou não tem o que falar e acabam enchendo lingüiça, ou posam de conhecedores da fórmula do sucesso?

E, para ser mais difícil de eles engolirem, o presidente Zunino ainda investiu no clube, imagina se não tivesse feito. Imagine, você aí, se tem alguém que torça para o seu clube e que ponha dinheiro lá dentro, em cascatas, como foi feito. Corram o interior do Brasil e perguntem quantos Zuninos eles não queriam por lá. Claro, empresários para pôr dinheiro e arrendar o clube está cheio. O exemplo está ali, bem pertinho da gente. Como começa a gente sabe, mas como terminaria eu nem quero imaginar.

Mas a situação na Ressacada não é essa. Não estou falando que há falcatruas, desvios e roubos na Ressacada e nem aprovo isso. E sei que isso não existe e se alguém souber, por favor, aponte e prove. Agora, o resto, a condução do clube está sendo feita de acordo com aquilo que é possível ser feito. Repito: não há outra fórmula. E os adolescentes dizem que fariam diferente? Onde, como, meus neguinhos? Tanto não fazem que até agora, depois de 10 anos, ainda não apareceu ninguém com coragem suficiente para assumir.

Deixa eu bocejar um pouco, vai, porque é muito enfadonho ler e ouvir esses argumentos soltos e sem produtividade. Ô, admirável mundo da inocência!

O futebol, a maneira de conduzi-lo, é assim em qualquer lugar. Nós, ou alguns, é que somos tomados por uma realidade que não existe, almejando uma fantasia de faz-de-conta. Por acaso um destes defensores da fantasia lembra do tempo que jogávamos na série C? De como eram as acomodações no estádio? Como era o gramado? Que jogadores passavam por aqui? Alguém um dia iria imaginar que jogaríamos um Sulamericana de igual pra igual, inclusive fora do país, e que não é nada impossível de ocorrer outra vez? Qual é o nosso tamanho agora?

Ah, sim, alguém vai dizer que sou acomodado, que defendo tudo isso por interesses e que alimento esperanças bobas. Não, nada disso, não é assim que eu penso, todavia estou apenas sendo pragmático. Até já apontei onde estão os erros e como deveria se corrigido. Já discordei de alguns pontos de vista, de algumas medidas antipáticas, de posicionamentos equivocados. Porém, também tenho consciência de que o que PODE ser feito pra fazer o Avaí um clube estupendamente grande, que bata de frente com os gigantes do futebol nacional, terá um preço muito alto. Pode ser feito, mas levará anos, do jeito polianisticamente almejado. E, conhecendo o nosso povo, o nosso torcedor, ninguém vai querer. Não querem esperar num clube e num time uma temporada para se ajeitar, imagine anos de construção de uma estrutura.

Mas, a vida é assim. Há os que vivem e há os que sonham.

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