O fim dos coitadinhos

A visão simplista do bem contra o mal tem prevalecido no entorno da Ressacada nestes últimos tempos, dito por poucos, mas que se repercute no todo. Corretos e virtuosos cavaleiros e amazonas da honra e da moral espraiam-se no intuito de manter o status do bom torcedor, aquele ser sem rosto e sem identidade que sofre e vibra com seu time, cujo único motivo de existência é poder assistir a uma partida de futebol bem jogada. Neste cenário criado por espertos e interesseiros não há lugar para qualquer ato o qual este humano imaculado, o bom torcedor, não seja levado em conta. E o bom torcedor acredita nisso, o que é pior.

O meio de vida utilitarista, que prega a busca por um prazer individual e resultando numa maior felicidade para um maior número de pessoas, está sensivelmente presente nas críticas contra a diretoria avaiana. Ela, a diretoria, não percebe, segundo essa ótica, que há necessidade de preservar seu bem maior, o bom torcedor, ao invés de enxotá-lo ridiculamente com ações de preços exorbitantes de ingressos.

Por essa razão, o bom torcedor”se vê no direito de exigir mais do que pode, ou do que imagina, muitas vezes com ações de energia desproporcional,  buscando uma espécie de cota por haver sido deixado de lado em referência aos supostos negócios estabelecidos. E todos estes cavaleiros e amazonas moralistas, num raciocínio medíocre, repetem a encenação romântica de futebol para as multidões e jogadores que joguem por amor à camisa.

Só que o futebol mudou. Passou o trem e as pessoas o perderam na estação lotada.

A lógica da economia de mercado e do profissionalismo neste esporte o transformou. Hoje, vai a um estádio de futebol quem pode e não quem quer. Hoje se percebe que há um grande descompasso entre os chamados injustiçados e os que querem apenas apreciar a um espetáculo. Mas, para um espetáculo, deve haver investimentos. O torcedor que exige tem que ser o primeiro a colaborar. Não é mais admissível a espera por dias melhores, ou a tola análise de que estádio só enche com time que empolga. Isso era no passado. Isso era nos tempos de saltimbancos e trupes de teatro de beira de estrada.

No futebol moderno mediado pelo mercado, quem não investe não tem como usufruir.

Em 2013, que já começou a ser pensado dentro da Ressacada, o torcedor avaiano tem que cair em si diante da situação que o envolve. Se associar e se antecipar aos gastos que o clube terá, que não são pequenos. Tem que admitir as limitações de seu clube e agir no sentido de melhorá-la. Terminar, definitivamente, com esta postura passiva e confortável de esperar pelos acontecimentos. De correr como cahcorro atrás da roda e depois quando carro para não saber o que fazer.  Que seja ator e não espectador. Se exige com fervor a sua cota de participação no processo, que se dê por merecer.

Apenas vamo vamo Avaí e crítica por crítica não ajuda a levar seu clube ao lugar que ele deseja. Não existe santo nessa história, que fique claro, e a história do bom torcedor, enxotado e desprezado, um coitadinho sem eira, nem beira tem que se encerrar. Por respeito ao próprio torcedor.

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2 pensamentos sobre “O fim dos coitadinhos

  1. Existem um fator que estava conversando com um colega hoje.
    Os valores pagos aos atletas estão completamente fora da realidade no Brasil.

    “O jogador é bom e merece”.
    UM CACETE pra ele!
    porra, quantos gênios da ciência ganham 100 mil por mês?

    Cara, aqui no Avaí já tivemos qtos jogadores ganhando mais que isso?

    Esse fator está matando o futebol brasileiro. As vezes falamos em tirar o jogador A ou B de um time pq ele ganha só 30 mil.
    30 mil por mês é dinheiro pra cacete. = 360 mil ano + premios, bichos, casa, carro, médico, comidinha no clube,…

    Outra dia olhei as dívidas dos clubes brasileiros:
    Botafogo quase 600 milhões….
    Da onde eles vão conseguir pagar?
    E trazem o Seedorf por 700 mil mês.

    No Avaí o clube pagou bem pelo CS10, pelo Linconl, Marquinhos, e alguns outros menos gabaritados.
    Analisando friamente da de imaginar que isso vai virar um poço sem fundo.
    Pior, não temos torcida que de apoio, não temos bons patrocínios e dependemos da mesada de um cara que parte da torcida quer expulsa-lo.

    Eu sou torcedor, aquele que quer ver o clube jogando bem, não faço contas, não pago salários, não corro atrás de patrocínio, então de olhos fechados imagino que o clube não teria problema algum em contratar mais 3 Cleber Santanas.
    Pode contratar que a torcida paga….rosca que paga!!!

    Ah, hoje vou ao jogo, será que serei o único?
    Não vou vaiar, apesar de achar que algumas peças não jogam nem no meu time de pelada, de ver o Argel mais perdido que cego em tiroteio, de ver o Arroz dando entrevistas como nunca, talvez tentando se justificar pelos “serviços prestados”, mas vou e espero gritar gooooooooooooolllll e de preferência que seja do Bruno, pois ele tem raça e faz jus ao nosso hino.

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