A grande farsa da elitização

EM JULHO DESTE ANO PUBLIQUEI ESTA POSTAGEM. PARA QUEM AINDA CONTINUA DESVIRTUANDO A REALIDADE E INSISTINDO NUMA MENTIRA ESFARRAPADA PARA ACHAR DESCULPAS PELA FALTA DE PÚBLICO NA RESSACADA, DÊ UMA OLHADINHA NESTE TEXTO. ELE É DIDÁTICO E ELUCIDATIVO. A FONTE É A PRÓPRIA FEDERAÇÃO, NÃO É INVENÇÃO MINHA. LEIA. PROMETO QUE NÃO DÓI.

Desde 2009 se disse que houve um processo de elitização na Ressacada. Dizia-se que com a majoração dos preços dos ingressos os torcedores foram enxotados e que dificilmente voltariam ao estádio, se esta política de preços não fosse revista.

De certa forma, observando à luz dos acontecimentos, é bem verdade que uma alta de preços de ingressos às arquibancadas para assistir a uma partida de futebol dificulta sobremaneira a ida de torcedores ao estádio. Numa cidade como a nossa, com custo de vida elevado e habitada por uma classe média de baixo poder aquisitivo, onerar uma atividade casual como é o esporte é fator limitante, ainda que seja uma prática dos clubes de futebol como um todo e não apenas do Avaí Futebol Clube.

Embora seja sócio e tenha facilitado esse acesso pela diluição ao longo do mês dos preços praticados no estádio, ainda assim fui crítico desta prática. Tirar do estádio torcedores que querem estar ao lado do clube é uma iniciativa emburrecente. Seria assim, se os números não me desmentissem.

O gráfico abaixo (cujos dados estão disponíveis na FCF) faz uma revelação que eu mesmo não havia percebido durante muito tempo. Ele apresenta, historicamente, o deserto que sempre foi a Ressacada. Os torcedores avaianos, tidos como a maior e melhor torcida de futebol de Santa Catarina, não frequentam seu estádio, não têm como hábito estar nas arquibancadas.

Nos anos em que fizemos belas campanhas, a média subiu um pouco mais, revelando que as fases boas ajudam. Mas, diferente do que se apregoa, nosso torcedor não tem como costume levantar o time. Não é de nossa prática fazer crescer o espetáculo, ou incentivar quando fazemos campanhas ruins. Somos tidos como torcida-modinha justamente pela falta ao estádio. E isto está devidamente estampado aí, neste gráfico, desde quando o presidente Zunino nem fazia parte da direção dos Carianos, algo que pode ser levantado como desculpa pela falta. E até mesmo antes de haver majoração de preços de ingressos.

Outro ponto importante é uma colocação, muito peculiar, de que o torcedor precisa de fidelização para ir ao estádio, alegação que quer justificar a ausência das arquibancadas quando há promoção de ingressos, ou seja, uma minoração dos preços. Diz-se que o torcedor que havia sido enxotado precisa se recuperar do susto dos preços altos para poder voltar, colocação pueril e simplista, obviamente dita por quem quer achar uma boa desculpa.

Há também quem diga que num passado o futebol local era amador e de pouco interesse ao nosso público, haja vista que divide-se os apreços aos nossos clubes com amores a times de outros estados. Concordo em parte, mas é bom se registrar que nos últimos anos, desde 1988, vive-se uma realidade futebolística mais alinhada com o futebol nacional, ainda que as carências financeiras sobressaiam.

O torcedor avaiano, diga-se, não vai ao estádio porque nunca foi. Não ia quando o acesso era mais ruim, quando as instalações eram sofríveis, quando os times não empolgavam.

Se ainda carecemos de times com grife, dadas as realidades financeiras, temos motivos na estrutura da Ressacada para poder participar das festas de futebol por aqui.

Mas, preferimos ficar em casa e arrumar uma boa desculpa pela ausência. A tal elitização foi inventada, foi uma farsa, uma desculpa para enganar néscios. Mas os números não se pode enganar e eles revelam outra coisa.

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11 pensamentos sobre “A grande farsa da elitização

  1. É AGUIAR, POR ISSO QUE SOU CONTR A AS PROMOÇOES, NOSSOS TORCEDORES SÓ VÃO NA BOA, E NOIS AQUELA MEIA DUZIA DE 4000 QUE SEGURAMOS A ONDA COMO SOCIO OU PAGANTE POR JOGO.
    PARABENS PELO SITE
    SERGIO BAYESTORFF
    PRESIDENTE DA CONFAGE
    CONFRARIA AVAIANA GASTRONOMICA E ETILICA

  2. Aguiar, eu só acredito que há algo além dos torcedores avaianos serem “torcida-modinha”.
    Eu mesmo, te confesso, gostaria de estar associado ao Avaí e assistindo aos jogos do Leão lá na Ressacada, nesta série B. Contudo, dependo de transporte público para me locomover e onde eu moro conseguir um ônibus que saia do centro depois das 22h que me deixe próximo da minha residência, só por um milagre.
    Citei meu próprio exemplo para ilustrar que existem outras circunstâncias que tem afastado o torcedor do estádio em todo o Brasil. Devemos lembrar que são recentes os casos de brigas entre torcidas e violências nos estádios e isso também atinge o senso comum da população.
    A própria “disseminação” da TV por assinatura (em muitos lugares pirata mesmo), que proporciona assistir a partida de futebol no conforto de sua casa.
    Não tenho a receita para que haja aumento de torcedores nos estádios de futebol. Mas, a priori, acredito que ou se construa um elenco, grupo de jogadores, que façam partidas que satisfaçam e tragam o torcedor de volta, mesmo contra todas as adversidades, ou realmente será necessário rever as políticas de preços praticados de ingressos e associados e que os dirigentes esportivos entendam que precisam é fechar melhores negócios com as empresas que detém o direito de transmissão dos jogos!
    Esse assunto, na verdade, rende uma tese de doutorado!

  3. Gilberto, a tua explanação apenas corrobora a minha tese de que não existe a tal ELITIZAÇÃO. O torcedor só vai na boa, que é para valorizar todos os problemas que ele enfrenta. Concordas? O “caso a caso” vai se diluindo na medida em que a afluência de público se mantém na média.

    • A tal “elitização” se existiu ou existe apenas seria contrária aos interesses do próprio clube.
      Te confesso que não sou contra a “elitização”. Vejamos o futebol em alguns estádios na Europa. Mas para isso muita coisa ainda precisa ser modificada no futebol nacional. Tanto em termos de estrutura (circunstância que alguns clubes vem adotando, como o Avaí) quanto em termos de mudança cultural de comprometimento de jogadores e empresários (especialmente em relação às categorias de base e à formação de elenco profissional).
      Mas o teu texto exemplifica bem que o público do Avaí é constante mesmo com o aumento e redução dos valores de ingressos/associados. E isto é fato!
      Por isso, penso que os dirigentes precisam se unir (será possível?) para exigir melhores verbas das empresas de TV por direito de transmissão. E com isso será possível montar times melhores e gradativamente (mesmo com as partidas sendo passada pela TV) o torcedor vai ao estádio assistir ao espetáculo futebol.
      Muitos saudosos podem lembrar que o Maracanã já teve muitos públicos acima de 100.000 pessoas, mas quantas opções de lazer haviam na época? Ainda mais no período da ditadura?
      Estou falando que o assunto rende uma tese, rs!

      • Perfeito! Fica claro que o torcedor não vai porque aumetaram os ingressos. Ele não vai porque nunca foi, essa é a verdade. Talvez o que precisa é se rever fórmulas de melhorar essa afluência e que não passa por preços de ingressos.
        Como bem dissestes, dá uma tese de doutorado, meu velho.

  4. Aguiar, parabéns pelo espaço e vida longa ao site, como diz o André Tarnowsky.
    Sobre a elitização, também concordo que não é a responsável mor pelo problema de baixa média de público constante, da qual demonstrado graficamente, mas a grande questão é a seguinte, quanto vale o Avaí show? Os preços de ingressos cobrados hoje em dia são justos?
    Sempre considerei que as médias de público na Ressacada raramente passariam de 5000, 6000 antes de 2008 pelo fato da região, considerando a relação população x torcida (que não é linear, diga-se de passagem), ter uma população inferior aos grandes centros, onde públicos de 50, 60, 70000 não eram raros. Mas nos dias de hoje não pode ser descartada, pois se a nossa região fosse de 4000000 de habitantes (atualmente são 1000000), os 4000 de sempre seriam bem mais.
    Acho que o fator preponderante nos dias de hoje é a empolgação. Time bom, campeonato bom, independente de preço, levam grandes públicos aos estádios, e temos o JEC como exemplo, não pelo time, mas pela empolgação vem pelo tamanho do campeonato. Se não subir nos próximos 2 anos, a média vai cair naturalmente. Não podemos esquecer do Avaí em 2009, tinha um time bom e os resultados estavam aparecendo, somados a empolgação de jogar na primeira divisão.
    Falando de Avaí, umas 3 boas contratações trará um público maior à Ressacada de imediato, mas se os resultados não aparecerem, voltamos à média baixa novamente.
    Particularmente, faço parte dos 4000 de sempre e sou sócio. Independente deste ou daquele fator, enquanto eu puder estarei na Ressacada.
    Como já escrito nos comentários, este assunto rende uma tese.
    Grande abraço.

    • Concordo plenamente, Raniere. O assunto é polêmico, mas não pde ser analisado de forma simples:
      – Ah, aumentaram os preços e daí o pessoal não vai.
      Não é apenas isso e acho, hoje, que é o menor limitante.
      Abraços

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