Com um olho no retrovisor

Eu sempre digo que modinha e oportunista comigo não se cria.

Aparecer no meio de festas coletivas apenas para comer o salgadinho prontinho e a bebidinha geladinha é ser oportunista. Quero ver é ajudar a montar a festa, ou ficar para limpar os pratos.

No âmbito do futebol temos um monte de pessoas com esse comportamento. Gente que é oportunista é a que se diz torcedora de um time, mas só quer o filé mignon, o time bem montado, algumas vitórias na bagagem para, aí, sim, aparecer num estádio, chorar de emoção e dizer que ama o seu clube até morrer. Pode ficar enfezadinho, de mal comigo, me cobrar as cervejas que me pagou no passado, mas é oportunista quem age assim.

E normalmente é o que fica pedindo altos investimentos, condições confortáveis para assistir ao “espetáculo” e não quer jogador caneludo. Sabe aqueles que frequentam camarotes pagos pela direção? E o mais curioso é que sai dizendo por aí que o clube o expulsou, por isso a coisa degringolou. E que vive apontando os problemas para ajudar o clube.

– Rapaz, se não fosse a minha crítica a coisa não andava.

Na Ressacada continua uma onda decretadora da tal elitização, a mesma tecla batida há tempos. Não se olha para frente, apenas para trás. Dizem que a direção avaiana não consegue pôr gente no estádio porque os preços são altíssimos. Neste ano, só para se ter uma ideia, a torcida abandonou por completo o seu clube, chegou a convocar público zero ou para show sertanejo,  e se não fossem uns 3 mil torcedores que compreenderam a situação, seria um estádio deserto.

Mas a tal tese da elitização diz que o estádio se esvaziou desde que os preços foram majorados. Em 2008, por exemplo, a torcida comparecia porque os preços eram acessíveis, dizem. Mas vejam só que interessante isso aí embaixo:

Arquibancada: 60,00

Cadeira: 130,00

Ingressos: 50,00

Que preços são estes? Um absurdo, né? Cobrar ingressos tão caros assim deve, com certeza, afastar torcedores do estádio. Porém, estes são preços cobrados pelo Criciúma no Heriberto Hulse e que teve uma média de 8 a 10 mil torcedores em toda a série B.

Será que é porque o time empolgou? Tinha jogadores de altíssima qualidade? Bom, este time foi montado às pressas e nem campeão estadual ele foi. E depois que houve promoção, aí era lotação em todos os jogos.

Quando me disponho a falar de torcidas, muita gente me enfenca o pé na porta porque acha, não sei de onde, que torcedor é um ser intocável e imaculado. A propósito, para me enfiar o pé na porta e falar mal de mim há uma porção, a maioria por me desconhecer completamente, outros porque eu não falo o que eles querem. Mas isso é outro assunto.

Torcedor é uma categoria de humano diferente do habitual. Até já me inspirei a achar um nome genérico para os anais da Biologia, tipo Homo intriguentus, ou Homo pentelhus, ou quem sabe Homo emotivus. E esta última opção é a que cabe melhor para definir esta categoria de ser bípede (nada) racional, pois a emoção é o que mobiliza as suas atitudes. E aí a razão escorre pelo ralo.

Será interessante ver, por exemplo, o banho que a torcida do Palmeiras dará nas outras torcidas na série B de 2013. Não vai ter preço de ingresso que os segure. Não vai ter decepção com dirigentes, com jogadores, com jornalistas, com árbitros e federações. E alguém dirá:

– Pô, mas eles são time grande.

Pois é, eles são grandes e vão continuar grandes, independente das crises, porque a torcida não larga o osso. Eles olham para a frente e não pelo retrovisor. Já aqui no Sul da Ilha, o que tem de neguinho virando estátua de sal…

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Dona Nesi, a guerreira avaiana

Dona Nesi Nilda Brina Furlani é Diretora de Ação Social, Comunitária e de Filantropia do Avaí Futebol clube. É uma pessoa honrada, honesta, dedicada e muito competente. Carrego nos adjetivos porque me orgulho em saber que uma pessoa assim existe e está em nosso clube.

A incansável Nesi Furlani nasceu na Palhoça, na Grande Florianópolis e está no clube desde o início da gestão do presidente João Nilson Zunino, que começou em janeiro de 2002. Ou seja, há 10 anos vem prestando relevantes e importantes serviços de ação social no clube.

Quem vai à Ressacada e vê aquelas crianças recebidas pelo Avaí não sabe, não tem a dimensão da dedicação e o amor que esta valorosa mulher tem pelo seu trabalho.

Aliás, o futuro avaiano está garantido em suas mãos, pois cada vez que um grupo de meninos e meninas senta-se nas arquibancadas para assistir a um jogo, ganhamos mais e mais admiradores do Leão da Ilha.

A Dona Nesi merece todas as nossas reverências e distinções. E respeito absoluto pela pessoa que é e pelo seu trabalho. É sempre importante lembrar disso para que não reste nenhuma dúvida quanto ao papel que ela desempenha e às coisas que defende.

Um grande beijo, Dona Nesi, a senhora merece todo o nosso carinho e apreço.

A (má) informação

Houve um tempo em que jornalistas punham notícias e artigos em seus jornais e revistas, ou os divulgavam em rádios e TVs, e a patuléia ignara e estúpida aceitava tudo de bom grado. Era o tempo em que jornalistas ditavam a moda, diziam o que se devia comer, o que vestir, como se comportar, quais amizades se deveria fazer e até em quem votar. Era o profissional que fazia a interface entre o poder e o populacho. Por isso, durante tanto tempo, a imprensa foi chamada de 4º. Poder.

Com o advento da internet essa ordem foi subvertida.

Se antes os incautos consumidores de mídia agiam por efeito manada, hoje, não. Nos dias atuais a informação se democratizou e todos podem passar informações daqui pra lá e de lá pra cá sem freios ou retenções. E pensar como querem. Não há mais como haver um comando geral, igual a um PCC que defina quem pode matar ou roubar. Não há mais ditames verticais. A internet estabeleceu a horizontalidade e a liberdade de expressão é usada ao limite pleno.

Dessa forma, quando jornalistas ranzinzas nativos e blogueiros que vivem com a boca no trombone INFORMAM que o Avaí cometeu uma gafe por haver colocado o Flamengo numa saia-justa, mentem descaradamente. A maioria dos jornais do país e os sites dispostos na internet apoiaram a iniciativa da direção avaiana e muitos comentaristas criticaram abertamente o clube da Gávea, indo contrariamente ao que o piloto automático anti-Zunino apontou por aqui.

A propósito, eu não lembro de ter visto comentários desmerecedores ao Avaí na mídia nacional. Exceto, claro, um ou outro, cujos nicknames eram singelamente parecidos com os de paparicadores de professores de deus aqui na província. Mas, é claro, foi uma nobre e apaixonada coincidência.

Será que é porque ainda há muitos puxa-sacos do Flamengo em nossa província? Continuam seguindo as determinações do MAL? Ou é o professor de deus que agora virou o dono da informação e pauta todo mundo?

Ou seja, os mandriões ainda estão se deixando levar como no passado.

Luiz, o copeiro

O órgão máximo e soberano do futebol brasileiro contratou um novo funcionário. O nome dele é Luiz. A função? Copeiro!

Mas ele não servirá os cafezinhos nas dependências da Confederação Brasileira de Futebol. O objetivo dele é muito maior. É o de conquistar o título da Copa do Mundo em terras brasileiras.

Assim como 2001/2002 o treinador-copeiro vem para um comando de “tiro curto”, ou seja 2013/2014. E provavelmente deverá ter a mesma “carta branca” que teve quando conquistou o pentacampeonato. Afinal, assim como na última passagem ele sucede treinadores com fortes vínculos empresariais (antes Luxemburgo – depois de Luxemburgo passaram rapidamente Candinho, 1 jogo, e Leão, 10 jogos -, agora Mano).

Com Mano eu tinha 99% de certeza que a seleção não conquistaria o título da Copa do Mundo. E depois do fracasso viriam à tona os problemas das construções dos novos estádios e as críticas em relação aos elefantes brancos construídos.

Porém, com o copeiro Felipão arrisco a dizer que a seleção tem uns 85% de ficar com o “caneco” em nossas terras (os outros 15% deixo pelo clima que uma final no novo maracanã pode causar no imaginário da população e dos jogadores).

E com o título lembaremos dos equívocos/problemas?

Mas ouso a dizer que para conquistar um torneio como a Copa do Mundo não existe no Brasil treinador melhor qualificado. E isto não significa que eu considere o Felipão o melhor treinador.

Confesso que para uma seleção que já teve Dunga no comando eu não via com maus olhos uma possível vinda do treinador Guardiola. Contudo, a vinda do espanhol não deveria trazer os 85% de chances de vencer. Afinal, ser copeiro é um dom!

E também não é o fato de que no Brasil não existem técnicos tão bons ou melhores que o Guardiola, mas o choque tático que tal contratação poderia causar poderia ser válido para o futebol brasileiro.

Pois, se temos o melhor futebol, os melhores jogadores (sim nós ainda temos), qual a razão dos treinadores brasileiros serem tão acanhados taticamente falando?

Ou seja, no meu ponto de vista o Brasil será campeão com o Felipão. Mas, ou os treinadores brasileiros passam a demonstrar capacidades táticas ou não vai demorar muito para a seleção ser dirigida por um treinador estrangeiro.

Por enquanto, vamos de copeiro mesmo. Vai que é tua Luiz!

 

Da província ao esplendor

A situação pela qual passa o nosso rival, que eles insistem em dizer ser uma avaianização e eu replico ser uma bela cochilada no muro, mostra muito bem o sintoma de grife que assola nossos clubes. Creio que se possa dizer, aí sim, que há um processo de figueirização galopante no Avaí e com algumas contaminações no Criciúma.

Desde que subiu para a série A com o Figueirense, há pouco mais de 10 anos, a Capital Florianópolis saiu de sua condição de província no âmbito do futebol para adquirir um status de visibilidade no cenário do esporte mais assistido no mundo. Nossa cidade passou a ser reconhecida no Brasil, graças ao Figueirense, e percebeu-se que aqui também se jogava futebol.

Aqui na província sabe-se, porém, que etapas lá dentro foram atropeladas para dar condições a que estivessem participando anualmente na competição. Havia uma queda vertiginosa, até 1999, quando estavam devendo o fundilho das calças, onde havia uma situação de total insolvência, até a possibilidade de fechamento das portas. Aí, a entrada do grupo de Paulo Prisco Paraiso possibilitou o pagamento de dívidas e a oxigenação financeira do clube, desde a área do futebol até os bastidores (uau!). Isso resultou em contrato com parcerias e a montagem de um grupo vencedor, tendo opções a cada temporada para manter a estrutura vitoriosa. Os meandros e quiprocós, contudo, todo mundo conhece. A soberba e a arrogância, aliadas à vaidade e aos posers subiu-lhes à cabeça.

Enquanto isso, em nosso clube, havia a tentativa de montar uma estrutura interna passo a passo, ao mesmo tempo em que se deveria correr atrás das conquistas do rival. O Avaí, quando foi pegado pela administração Zunino, não estava a perigo como o lado de lá, porém também não era o melhor dos mundos. A estrutura profissional precisava ser toda construída. Todavia, atropelamos etapas muito mais para satisfazer o ciúme em nossa torcida do que para manter o projeto de construção da estrutura. Aponte o dedo quem daria o título estadual para o rival em troca de se poder pagar dívidas internas. Ninguém faria isso. Os hipócritas agora vem com um discurso totalmente diferente disso, mas a realidade é bem outra.

Ainda assim, a direção do presidente Zunino conseguiu estabilizar as contas do Avaí, de tal forma que em fins de 2007 éramos um clube viável. E mente quem diz que hoje as contas em déficit são avassaladoras. E tanto é assim que a empresa LA Sports só aceitou participar do projeto do Avaí porque havia algo sólido e perspectivas financeiras dentro da Ressacada. Isso foi dito pelo seu próprio dono, não estou inventando.

Nesse meio tempo, com a ascensão do Avaí, a turma doladelá quis ser mais ainda do que já era. Resolveram abandonar o projeto vencedor e quiseram, graças às suas vaidades afloradas, levar o clube nas mãos. Queriam ganhar também o que a empresa do PPP ganhava. E o resto da história todo mundo já sabe.

Na Ressacada, uma situação parecida quase aconteceu. As vaidades foram elevadas, a soberba imperou e o caminho foi desvirtuado. Entendendo que poderia mandar mais que a direção avaiana, também, a parceira LA quis assumir o projeto avaiano, com os aplausos de muitos conselheiros e torcedores, sugando o que pudesse de sua estrutura. O resultado foi que o presidente disse NÃO para eles e para outros assemelhados e rufiões de ocasião e resolveu tocar sozinho o barco da Ressacada. É bom prestar atenção em alguns discursos moralistas por aí, que tocam uma música bem diferente dessa.

No último jogo deste ano, ouvi torcedores do Criciúma, gente aparentemente bem “calçada”, dizer que eles eram série A e que Santa Catarina só tinha um time mais vezes vencedor. Ou seja, um discurso parecido com o que já ouvi por aí e que levou um à bancarrota e levará o outro, se soluções não forem tomadas a tempo.

Temos que aprender, de uma vez por todas, que futebol no Brasil só tem valor em dois lugares: Rio e São Paulo. Serão sempre os maiores, mesmo falidos.

O que tenho dito sempre e repetidas vezes é: ou jogamos todos do mesmo lado, ou não teremos nenhum lado para nos encostarmos nos próximos anos. E com muita, mas muita humildade.

Acontece que não vai dar certo porque, por aqui, o presidente Zunino é odiado. É um ódio singular e elementar, às vezes pesado demais, que ofende familiares, parentes e amigos e chega a contornos fora dos padrões humanos. É um ódio que cega algumas pessoas e mesmo que haja alguma coisa boa achada no Avaí, é de bom tom não repercutir ou dizer que exista, que é pra não dar valor algum ao presidente. Vá que alguém o chame de chapa branca, né. Imaginou chegar na Toca do Leão e ser mal visto pela galerinha por ter elogiado alguma coisa do presidente, mesmo que seja a cor da meia? Agora, se o presidente Zunino é odiado por 9 dentre 10 torcedores (alguns inclusive querendo que ele volte a ser atropelado por aquela moto), é bom saber também que a transição (??) que houve lá nos Estreitos está longe de ocorrer por aqui, pois ele é avaiano sob quaisquer condições.

Mas pra que eu ainda perco tempo com isso, né?

Sem Olho e Sem Dente

A Lei do Olho por Olho, Dente por Dente não faz parte da minha biblioteca. Não sou do tipo raivinha que, ao ver alguém fazendo uma coisa errada, por vingança vou fazer do mesmo jeito, que é pra não ficar por baixo. Não sou desse tipo. Por isso, acho insensato se chamar torcedores do Criciúma de meliantes, graças ao que alguns imbecis fizeram na Ressacada no último jogo do ano, sábado passado. Repito, não foram torcedores do Criciúma, foram alguns imbecis. Como há em nossa torcida e como existe em diversas torcidas pelo Brasil e pelo mundo.

Usar o argumento genérico, como faz a nossa mídia, quando algum problema mais grave ocorre no meio de nossa torcida, é leviano e reflete um ódio acumulado. Tivemos alguns bandidos que inadvertidamente mutilaram um idoso, o seu Ivo. Era gente que, no país dos meus sonhos, iria para cadeia e ficaria lá até criar paranhos nas axilas. Da mesma forma, puniria exemplarmente alguns meliantes vestidos de alvinegro que agrediram covardemente torcedores do São Paulo, quando de um jogo entre eles e o nosso rival. Assim como também devem ser punidos os salafrários que encurralaram a torcida do Avaí lá em Joinville, bem como estes trastes que se travestiram de torcedores de Tigre e quebraram cadeiras na Ressacada.

São casos típicos de patifes vagabundos que se aproveitam da situação e se infiltram entre torcedores comuns, destilando ódio e exacerbando suas impotências existenciais. Merecem punição severa e exemplar, seja em qualquer torcida.

Por isso, não admito a generalização, seja de PM, de jornalistas ou de outros torcedores que desfraldam as bandeiras da sensatez e colocam na mesma vala comum gente de bem com arruaceiros. Essa raivinha tem que acabar, de todos os lados. O porque ele fez eu também faço é coisa de moleque, não de gente que se diz adulta e civilizada.

Eu gosto de definir bem as coisas, uma vez que na ânsia de se querer punições, ajustes, transparências e caterva a quatro, o piloto automático ligado sempre na mesma tecla reedita as inquisições e condenações sumárias. E o rabo, muitas vezes, fica muito bem escondido para se dar uma boa olhada para ele.

Futebol é diversão e não agressão.