Os valores de almanaque

Gritar fogo! num auditório lotado tem a inevitável consequência de tumulto generalizado e a sensação de dever cumprido por quem adora um sensacionalismo. Normalmente os sádicos e muito tarados é que tomam tais atitudes. Uma pessoa com a mente em dia e bem estruturada na vida não executa tais atos, exceto se for um palhaço cínico de circo ou um adolescente mimado.

Todavia, é corrente que jornalistas usam de tais expedientes para vender notícia e aumentar prestígio. Possuem um dever empregatício para isso. Má notícia tem o seu valor e vende muito jornal, aumenta audiência em rádio e TV e confere ao portador do aviso do capeta seus cinco minutos de fama intermináveis. Tuiti e feicibuqui são indispensáveis ao dono do galão de gasolina.

Pois a onda agora na Ressacada, a gasolina jogada, é dizer que alguns jogadores que possuam demandas jurídicas contra o clube não podem jogar. Sequer fazer parte do elenco. E se fizer, que não entrem em campo. Se entrarem, que não assumam a tarja de capitão e, pecado de todos os pecados mortais, nem toquem na bola. Honestamente, eu gostaria de saber de onde saem estas teorias? Que mente iluminada e brilhante é capaz de bolar tão mirabolantes teses?

No último jogo do Avaí contra o Ceará, por exemplo, o alvo era o Bruno. Foi dito pelos jornalistas mais insanos do mundo, aqueles da rede famosa, que ele nem deveria ser escalado, quanto mais entrar em campo. A tolice era tamanha que quando ele fez o gol houve alguns segundos de silêncio, pois todas as teses e teorias sofreram um baque absurdo. Não estavam acreditando. Eu pagaria toda as mega-senas acumuladas do mundo só para ver a cara de pastel daquelas sumidades jornalísticas. E, claro, de seus seguidores no meio da torcida, pois durante a partida usaram e abusaram de torcer contra o seu time.

O episódio, inclusive, apresentou gente defendendo valores estranhos, baseados numa moral tosca tirada de algum Almanaque Rauliviera (pra quem não sabe, era o gibi de cabeceira dos pouco dotados de estudo) empoeirado. Talvez sejam os mesmos valores de gente que faz cursinho de fotoxópi e posa de publicitário, ou de quem se diz conselheiro do clube bem dotado da palavra, que diz fazer e acontecer, mas que a cada reunião onde o presidente surja mete o rabinho no meio das pernas com a famosa frase “sou voto vencido”. Ou de quem frequentava o camarote do presidente e hoje o chama de tirano. Ou ainda os valores de quem desejava montar um bar dentro da Ressacada, porém como teve o negócio negado, vive às turras com a direção. Mas isso são outras histórias.

Esquecem, os defensores destas bobagens, sob o título de amadorismo, que não se pode negar trabalho a alguém. Está na Constituição, a mesma Constituição que esfregam no nariz para “obrigar” o clube a pagar os salários de atletas e de funcionários do clube. O Avaí tem que pagar os salários que estão atrasados, sim, senhores, é dever de ofício. A direção avaiana sabe disso e está mobilizada a resolver esta pendência que denigre a imagem do clube. Mas o clube também sabe que estes atletas têm contratos e direitos. E um deles é cláusula pétrea, que é a necessidade de trabalhar. Jogando podem, inclusive, resolver suas carreiras futuras, graças ao aparecimento na mídia. Estes defensores dos valores e das atitudes queriam que o Avaí encerrasse seus jogadores com pendências jurídicas num quarto escuro, fazendo birra por causa de uma arte cometida?

E essa é a gente que se diz oposição na Ressacada. Estamos ferrados!

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