A vez de Santa Catarina

Há alguns anos se difundiu a tola ideia de que Santa Catarina (e principalmente Florianópolis) não poderia contar com dois ou mais clubes na série A do campeonato nacional. Isso vinha sendo afirmado exatamente naqueles anos nos quais o nosso rival participava do Brasileirão, fazendo algumas campanhas razoáveis, acesso que conseguiu naquela oportunidade todo mundo sabe como. Evidentemente, tal ideia surrealista partia das nababescas instalações da Rua Humaitá, quiçá tornar-se-á um shopping, e era difundida pela rede famosa, aquela que chupa bomba e anda a cavalo. Ou vice-e-versa, o que dá no mesmo.

Ora, ainda que eu torça para que os doladelá caiam até a série Z, por outro lado e sem incoerência ou pieguice tola, quero que mais clubes de Santa Catarina participem deste campeonato, inclusive eles. Obviamente que somos os atores principais, haja vista termos mais torcedores no Estado e, segundo o atual ranking da CBF, somos os melhores classificados do Estado. Mas, que outros também alcancem este status. Isso é excelente para o crescimento de nosso futebol, trará mais investimentos e não mais seremos tratados como meras ou gratas surpresas, porém como absolutas realidades.

Santa Catarina, durante muitos anos, por razões geográficas que se aplicavam na História, ficou de fora de decisões importantes nos diversos setores da vida nacional. O relevo acidentado impedia, por exemplo, que as pessoas do Oeste progressista se relacionassem com os povos trabalhadores do litoral. Ir de Lages a Joinville era um tormento, em função das estradas precárias que serviam à região contornando a Serra. Subir pelo litoral, de Criciúma até Itajaí, causava estertores nos viajantes, graças a uma estrada esburacada e perigosa. E sair do Sul ou do Norte para ir decidir negócios em Joaçaba ou Chapecó levava dias, razão pela qual os contatos eram raros ou inexistentes.

Isso teve reflexo na formação de nosso povo, na história do Estado e até nos aspectos culturais, incluindo aí o futebol. As rivalidades se acirravam graças ao comportamento de guetos que iam se formando em cada microrregião. Eram vários estados dentro de um só. Falando exclusivamente de nosso futebol, uma das razões de ele ser tão pobre e pouco visível é justamente por esse individualismo regional formado, em detrimento de uma postura coletiva e sem intercâmbios. Grande responsabilidade disso tudo, dessa pouca visibilidade, eu credito também à nossa federação de futebol, que mostra-se autoritária, inepta e deficiente, cujas cabeças carecem de um pensamento empreendedor e vive de conchavos para favorecer um ou outro ao invés de todos.

Penso que a temporada de 2013 poderá abrir horizontes para o futebol, além de outros esportes, alcançarem destaque na mídia nacional. A força da torcida do Avaí, por exemplo, quando quer participar e não ficar de mimimi, o leva a alcançar resultados memoráveis. A exposição de nosso rival, por outro lado, aliado que sempre foi à mídia local, deverá fazer outros olhos se voltarem para cá. As participações de Joinville e o bebê Chapecoense darão um plus a mais na competição, mostrando a força de nosso interior. E o Criciúma na série A consolida esta boa fase.

Pelo volume de participantes, estamos na iminência de nos tornarmos a 3ª. força do futebol nacional. E pela perspectivas dos negócios atrelados, podemos até superar a marca de alguns grandes e decidir, num futuro próximo, um título nacional. Basta ninguém achar que é mais importante que a realidade.

Anúncios

6 pensamentos sobre “A vez de Santa Catarina

  1. É isso mesmo, Aguiar.

    E digo mais, “essa vez” já poderia ter começado já faz um bom tempinho. E não tenho dúvidas que não ocorre de vez em virtude da frágil FCF e da inepta imprensa local.
    E os clubes precisam de uma vez por todas se libertar das migalhas dos direitos de TV. A valorização do futebol catarinense passa, primeiramente, por esta situação. A
    Torço, inclusive, para que o “boato” existente em relação ao Guarani, de Palhoça, se concretize.
    E concordo que se os dirigentes de clubes e os torcedores deixarem de lado os complexos de inferioridade muito em breve títulos importantes ficarão em nosso Estado.

  2. Aguiar e Rateke, infelizmente não vejo um futuro tão bom.
    Avaí e o “outro” com sérios problemas financeiros.
    Chapecó e JEC tem mais possibilidades em razão das grandes empresas que “podem” investir neles.
    Não sei o planejamento do Avaí para 2013.
    O outro começa contratando tecnico de 200k mês, o que considero perigoso. Pode dar certo ou virar uma corda para se enforcarem. Torço para a segunda opção.

    A FCF é um atraso.
    A RB$ vai continuar dando esmolas e os clubes aceitando.

    Sinceramente gostaria de estar errado, mas acho difícil.

    Abraço

  3. Fábio, o futuro é incerto com certeza. Melhor assim. Se fosse previsível não seria nada bom. E o ponto chave do futuro dos clubes catarinenses passa pelas esmolas e migalhas dos direitos de TV. Ou seja, se houver uma real valorização neste ponto o futuro será melhor.
    Digo mais, é preciso fugir dessa ciranda de salários distantes da realidade brasileira para manter empresários. Mas isto creio que só mudará, em se tratando de Brasil, após um provável fracasso pós Copa 2014, seguido de escândalos de obras super faturadas.

  4. Gilberto, se a gente for falar em copa de 2014, aí mesmo que vamos ver que o futebol brasileiro é vergonhoso.
    O que serão feitos com estádios em centros com futebol inexpressivos, super faturados, obras em atraso, cidades sem infraestrutura, falta de segurança e por aí vai.
    Se formos falar em seleção brasileiro, aí os empresários pintam e bordam.

    Em SC temos times com estádios sem condições de abrigarem uma partida de futebol. Brusque, Guarani, antes o Imbituba, só como exemplos.

    A emissora detentora dos direitos de transmissão paga uma migalha aos clubes, a falta de visibilidade afasta patrocinadores e a guerra interior x capital deixa inviável uma união para buscarem valores melhores para a prática do futebol.

    Vivemos de Zuninos, Angelonis, pontes e algumas empresas que não dão continuidade a longo prazo.
    A torcida que poderia dar um bom respaldo é mais ausentedo que comprometida. É exigente, porém do sofá da sala e em frente aos teclados.

    Sinceramente, gostaria de ser otimista, mas não vejo um futuro tão promissor para o futebol brasileiro e em especial de SC.

    Vamos ver e aguardar o que vai acontecer.

    abraços

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s