Da província ao esplendor

A situação pela qual passa o nosso rival, que eles insistem em dizer ser uma avaianização e eu replico ser uma bela cochilada no muro, mostra muito bem o sintoma de grife que assola nossos clubes. Creio que se possa dizer, aí sim, que há um processo de figueirização galopante no Avaí e com algumas contaminações no Criciúma.

Desde que subiu para a série A com o Figueirense, há pouco mais de 10 anos, a Capital Florianópolis saiu de sua condição de província no âmbito do futebol para adquirir um status de visibilidade no cenário do esporte mais assistido no mundo. Nossa cidade passou a ser reconhecida no Brasil, graças ao Figueirense, e percebeu-se que aqui também se jogava futebol.

Aqui na província sabe-se, porém, que etapas lá dentro foram atropeladas para dar condições a que estivessem participando anualmente na competição. Havia uma queda vertiginosa, até 1999, quando estavam devendo o fundilho das calças, onde havia uma situação de total insolvência, até a possibilidade de fechamento das portas. Aí, a entrada do grupo de Paulo Prisco Paraiso possibilitou o pagamento de dívidas e a oxigenação financeira do clube, desde a área do futebol até os bastidores (uau!). Isso resultou em contrato com parcerias e a montagem de um grupo vencedor, tendo opções a cada temporada para manter a estrutura vitoriosa. Os meandros e quiprocós, contudo, todo mundo conhece. A soberba e a arrogância, aliadas à vaidade e aos posers subiu-lhes à cabeça.

Enquanto isso, em nosso clube, havia a tentativa de montar uma estrutura interna passo a passo, ao mesmo tempo em que se deveria correr atrás das conquistas do rival. O Avaí, quando foi pegado pela administração Zunino, não estava a perigo como o lado de lá, porém também não era o melhor dos mundos. A estrutura profissional precisava ser toda construída. Todavia, atropelamos etapas muito mais para satisfazer o ciúme em nossa torcida do que para manter o projeto de construção da estrutura. Aponte o dedo quem daria o título estadual para o rival em troca de se poder pagar dívidas internas. Ninguém faria isso. Os hipócritas agora vem com um discurso totalmente diferente disso, mas a realidade é bem outra.

Ainda assim, a direção do presidente Zunino conseguiu estabilizar as contas do Avaí, de tal forma que em fins de 2007 éramos um clube viável. E mente quem diz que hoje as contas em déficit são avassaladoras. E tanto é assim que a empresa LA Sports só aceitou participar do projeto do Avaí porque havia algo sólido e perspectivas financeiras dentro da Ressacada. Isso foi dito pelo seu próprio dono, não estou inventando.

Nesse meio tempo, com a ascensão do Avaí, a turma doladelá quis ser mais ainda do que já era. Resolveram abandonar o projeto vencedor e quiseram, graças às suas vaidades afloradas, levar o clube nas mãos. Queriam ganhar também o que a empresa do PPP ganhava. E o resto da história todo mundo já sabe.

Na Ressacada, uma situação parecida quase aconteceu. As vaidades foram elevadas, a soberba imperou e o caminho foi desvirtuado. Entendendo que poderia mandar mais que a direção avaiana, também, a parceira LA quis assumir o projeto avaiano, com os aplausos de muitos conselheiros e torcedores, sugando o que pudesse de sua estrutura. O resultado foi que o presidente disse NÃO para eles e para outros assemelhados e rufiões de ocasião e resolveu tocar sozinho o barco da Ressacada. É bom prestar atenção em alguns discursos moralistas por aí, que tocam uma música bem diferente dessa.

No último jogo deste ano, ouvi torcedores do Criciúma, gente aparentemente bem “calçada”, dizer que eles eram série A e que Santa Catarina só tinha um time mais vezes vencedor. Ou seja, um discurso parecido com o que já ouvi por aí e que levou um à bancarrota e levará o outro, se soluções não forem tomadas a tempo.

Temos que aprender, de uma vez por todas, que futebol no Brasil só tem valor em dois lugares: Rio e São Paulo. Serão sempre os maiores, mesmo falidos.

O que tenho dito sempre e repetidas vezes é: ou jogamos todos do mesmo lado, ou não teremos nenhum lado para nos encostarmos nos próximos anos. E com muita, mas muita humildade.

Acontece que não vai dar certo porque, por aqui, o presidente Zunino é odiado. É um ódio singular e elementar, às vezes pesado demais, que ofende familiares, parentes e amigos e chega a contornos fora dos padrões humanos. É um ódio que cega algumas pessoas e mesmo que haja alguma coisa boa achada no Avaí, é de bom tom não repercutir ou dizer que exista, que é pra não dar valor algum ao presidente. Vá que alguém o chame de chapa branca, né. Imaginou chegar na Toca do Leão e ser mal visto pela galerinha por ter elogiado alguma coisa do presidente, mesmo que seja a cor da meia? Agora, se o presidente Zunino é odiado por 9 dentre 10 torcedores (alguns inclusive querendo que ele volte a ser atropelado por aquela moto), é bom saber também que a transição (??) que houve lá nos Estreitos está longe de ocorrer por aqui, pois ele é avaiano sob quaisquer condições.

Mas pra que eu ainda perco tempo com isso, né?

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