Quando a comida quente pela a língua

É curioso como o ser humano precisa antecipar etapas para se sentir seguro. Ele não espera a coisa se definir, ele já declara suas opiniões, imputa intenções, faz mesuras literárias, estabelece conceitos e arregimenta seguidores. E se assina como crítico. Na maioria das áreas humanas, onde a construção de um projeto não depende destas pessoas, a coisa funciona assim: o apressado como cru e quente. Ele quer se meter, mas como não foi convidado dá palpites à sua natureza. Torcedor de futebol, então, é o mais escrachado destes humanos apressadinhos. Queres ver, então, quando tem um blog.

Neste dia de recesso da praia, porque a água tá fria pra dedéu!, me vi de volta diante desta máquina do capeta que é o computador. E pus em dia todas as informações, mensagens, lembretes, notas de rodapé, ensaios, críticas e nomes e sobrenomes falando do Avaí. Na maioria dos casos, é o mais do mesmo. O mesmo discurso, meio ensebado é claro, porque ninguém é burro de meter o pé na porta com tantas boas novidades vindo, mas os galhos de enchente encalhados estão prontos para largar a sapatada assim que alguma coisa não fechar como “eles querem”.

A tacada de mestre da direção avaiana foi ter centralizado recursos para um ano importante, que coincide com a eleição para a presidência, mas também com Copa do Brasil e a possibilidade de subir para a série A. E ainda conquistar o Bicampeonato. Isso é estratégico e é assim mesmo que se faz, não há maldade, ilegalidade, corrupção, joguinho de cena ou coisa que o valha como o pessoal da mussarela com calabresa que colocar na cabecinha dos incautos. Quem construiu, faz por merecer, é a lei dos mais fortes. Alguém quer fazer melhor?, cresça e apareça, mas apareça sempre e não às vésperas de uma eleição, pois isso, sim, é oportunismo. A propósito, há uma frase muito bacana de Einstein, para o pessoal que o adora, que é mais ou menos assim: “agradeço, imensamente, às pessoas que me disseram não. Por causa disso eu fui lá e fiz”, que deve ser o lema de vida do presidente Zunino, para os fracasados.

Mas voltando à bovina gelada, mal o Avaí estreou e já há um discurso de que deve trazer reforços, que deve azeitar a máquina, que o jogador Danilo não serve, que Marquinhos Santos tem que aparecer mais e que Sergio Soares precisa saber mexer. Tudo isso está sendo vomitado pela mídia especializada em recreações, da Capital, mas repercutido por seguidores honestos de suas majestades, para um time que possui as melhores perspectivas de todos os outros nove concorrentes ao Chevroletão 2013. Primeiro porque tem a obrigação de manter a hegemonia, segundo porque tem uma história de 90 anos a ser valorizada e depois, porque é o Avaí, seu tanso, não precisa dizer mais nada.

A paciência é uma virtude. Quem a possui certamente come uma comidinha mais palatável e não tem que recorrer a Hipoglós para refrescar as queimaduras da língua. Minha dúvida, embora nem seja uma esperança, é quando esses caras vão aprender, se é que conseguem.

Anúncios

2 pensamentos sobre “Quando a comida quente pela a língua

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s