As futricas da Granja

Os bichos-cricri da famosa granja Comigo Boi Não Dança (ou mais conhecida pelas iniciais CBN-D), a Raposa Felpuda, maledicente e ardilosa, o Sapo Duende, encrenqueiro e eterno inconformado, o Gambá Pretibranqui, com a cara e os pelos pintados de emoção, que substitui o Bode Espanhol enquanto ele vai polindo umas castanholas,  o Ratão do Banhado, que não deu certo em lugar algum e acabou dando na Granja e o Morcego Moicano, que posa de intelectual para fazer gênero, estavam se abanando por causa do calor dentro da estufa da Granja do Vizinho.

– Rapazi, – começou, desesperada, a Raposa Felpuda, largando o cachecol – o que estamos fazendo aqui?

– É que o dono da Granja, Granjão, Granjaço do Vizinho – interpôs-se o Gambá Pretibranqui – chamou a gente para apresentar o novo capataz deles, o Capitão América.

– Humm, não é aquele tal? – confirmou, sem jeito, o Sapo Duende, arrumando a dentadura.

– Taqueopareo! – remexeu-se o Gambá. – Tu sempre arrumando futricas, hein.

– Eu tenho aqui uma informação, pessoal, – interveio o Ratão do Banhado – de que o Capitão América trabalhava numa funilaria, lá no Uruguai, e gostava de montar rodas. Dizem que ele bolou um carrossel e trouxe pra cá. E vai botar os bichinhos todos daqui pra brincar no carrossel, os boizinhos, os cavalinhos, os cabritinhos.

– Será que o Cavalo do Paraíso que comeu o brócolis pela raiz vai aparecer? – perguntou o Sapo Duende.

– E quando será a apresentação? – aprumou-se a Raposa.

– Ouvi dizer que seria dentro de instantes. – informou o Gambá. – E eles nos avisaram que era um carrossel bilíngue.

– Deverá ser algo muito consistente. – presumiu o Morcego Moicano.

– Olha, está atrás daquele pano ali. – apontou o Ratão.

E uma cortina se abriu. Luzes começaram a piscar. E o carrossel começou a girar, entoando uma canção dos pampas.

– Que maravilha! – exaltou o Ratão.

– Belíssimo! – exprimiu o Gambá.

– Quanta plasticidade! – atingiu o orgasmo a Raposa.

– Pô, a música é gaúcha – julgou o Sapo – e se é um carrossel bilíngüe, a próxima música deve ser paulista, né?

Os outros bichos se olharam e nada disseram.

– Poxa, desde os tempos quando os pés de brócolis murcharam – emocionou-se o Ratão, deixando a baba cair – eu não via algo tão bonito.

– Eles são muito bons, hein! – assentiu a Raposa. – Vamocumbiná, os caras da Granja do vizinho dão um banho.

– É, mas vamos devagar com o andor que o santo é de barro, ô. – admoestou o Sapo.

– Parece que a Máquina de Moer cana também foi restaurada. – informou o Morcego. – Quando tudo começa a dar certo, hum, não sei, não.

– E cadê o Príncipe Encantado? – Quis saber o Sapo. – Não vai mais trabalhar na colheita do brócolis?

– Pra quê? – Inconformou-se a Raposa. – Isso aqui já está ENCANTADOR. – disse, os lábios brilhando.

– É um carrossel muito bacana, não há dúvida. – Atestou o Sapo. – Mas falta uma coisa.

– O quê? – Perguntou o Gambá.

– Fala! – pediu o Morcego.

– Desembucha, meu filho! – Ordenou a Raposa.

– Só falta convidar a Paquita pra dançar o créu aí em cima.

– NÃÃÃÃOOO! – gritou o Ratão, caindo para trás.

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