Na falta de filé mignon, serve um ovo bem frito mesmo

No futebol eu penso assim. Sou prático. Não que um bom time, com jogadores top de linha, tocando de letra e fazendo gols de placa não seja bacana. Seria estupidez adorar um Fusca, quando se pode ter uma Ferrari. Mas, pergunto, temos cacife pra isso? Nem pra Vectra, quanto mais pra uma Ferrari.

Então por que as pessoas gostam tanto de se torturar ao exigir a tal da qualidade, os tais jogadores bons vindo de times barcelônicos? O que podemos ter é isso, são jogadores do segundo escalão do futebol, às vezes até do terceiro, não há outra saída. Nossos times serão assim, um fusquinha, por muito tempo. Não pense um metido a entender de futebol que com a saída do Zunino teremos um apigreidi em contratações, porque a coisa não funciona desse jeito. A não ser que seja um coitado iludido por corneteiros toscos, mas aí é outra história. Ou que tenha uma carta na manga e que saiba a fórmula da invenção da roda. Aliás, se assim for, torço fervorosamente para que os “inimigos” do Zunino vençam a eleições no fim do ano para a presidência do clube. Com o vasto conhecimento que dizem ter de administração de futebol,  pela sapiência em sempre dizer que fazem diferente, vai que em dois anos sejamos campeões da Libertadores e disputemos o Mundial em Tóquio. Ó, não dá ideia!

Agora, bem pensadinho, um Fusca é capaz de certas coisas, de ir a lugares que um Vectra ou mesmo uma Ferrari são incapazes. Porque qualidade não é sofisticação, como muita gente pensa, mas a capacidade de satisfazer as necessidades prementes.

A nossa necessidade, a mais urgente no Sul da Ilha, é fazer um time competitivo. Começar do começo, degrauzinho por degrauzinho da escadinha, ganhando no sufoco, mas não esquecendo dos 3 pontos, e jogando um futebol suficiente para as conquistas. Quem conhece o Avaí, a sua história, sabe que sempre foi assim, não entendo a neura difundida.

– Ah, mas eu não quero passar sufoco, não quero jogadores de qualidade duvidosa no meu time e quero ganhar todas.

Bom, mas aí não queres ser torcedor de time de futebol. Queres jogar um vídeo game no modo hiper fácil e sozinho, sem adversários. Futebol na vida real, pra quem ainda não sabia, é um pouquinho mais difícil.

Contudo, alguns detalhes podem ajudar a passar o sufoco. O negócio é começar junto. Desde diretores, passando por jogadores e chegando à torcida. São todos do mesmo balaio, estão no mesmo barco remando juntos. Ou não?

O problema é que essa relação não se acerta. Quando não são diretores vaidosos, são jogadores que se acham a última bolacha do pacote, ou ainda torcedores chatos e exigentes daquilo que não se tem. No mundo do futebol, a coletividade não é apenas dentro de campo, mas no contexto. Se for comparado a uma mesa, se faltar comida, cada um vai ter que dividir até as migalhas ou passar fome um juntinho ao outro, é esse o caminho.

O que eu não consigo entender, e vou bater nessa tecla sempre, é que muita gente se acha melhor nesse quesito das divisões das dificuldades e querem as coisas com maior qualidade, mas não se dão ao trabalho do sacrifício. E não adianta afirmar que já fizeram muito. Foi pouco, tem que fazer todo dia, a todo momento. A torcida de ontem ferrenha e emocionada para aquele empate maluco não foi nada, pois amanhã tem que fazer mais e melhor. Repito: vale também para diretores e jogadores.

Falando especificamente do time do Avaí o desse ano não é ruim. Sempre deixando claro: dentro das nossas possibilidades. E eu não sou hipócrita quanto a isso. Quem não concordar que apresente argumentos, mas eu penso assim. Portanto, como é que um time que, se não é um filé mignon, também pra ovo frito não serve, não consegue se acertar e depende de apenas um homem num jogo? Como é que no ano passado um time que não jogava bem com Mauro Ovelha e depois, o mesmo time, jogou bem com Hémerson Maria.  E é bom saber que não ele não era assim uma Brastemp, diferente do que os velhos entendidos viúvos proclamam?

Não farei campanha para retirar técnico. Acho é que há muito jogador no time do Avaí que precisa tirar a máscara. Também penso que a preparação física está deficiente, mas não dá para esconder que o treinador do Avaí está devendo, e muito também.

Mantenho a mesma opinião de antes: vamos ser bicampeões, porém é preciso que todo mundo comece a jogar junto. Eu disse todos. Porque chorar dizendo que é avaiano até morrer, na festa da Beira-Mar, sem nunca ter apoiado o time durante todo o campeonato, é muito oportunismo.

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Um EGO pra chamar de meu

Curiosa é a postura de torcedor de futebol. Usa a paixão como ferramenta para tudo. Torcedor de futebol não é aquele que se mistura no meio da multidão e acaba perdendo a identidade. Ele é, ao mesmo tempo, multidão e homem, o tudo e o nada. Sua identidade é revelada pelos seus atos.

Diz-se muito que torcedor é aquela criatura sem face, sem cor, sem alma, mas, entretanto, tem uma expressão. A expressão de paixão que diz sentir pelo seu clube, e que  se percebe, ao longo do tempo, ser apenas por seu ego. O ego é o eu de qualquer indivíduo, que o torcedor expõe como a coisa mais importante de seu mundo. O mundo que se resume a seu clube de futebol. O mundo que se resume a ele, o torcedor. Ele e sua paixão.

E, em razão disso, perde a razão e ataca. Humilha, desacata, destrói, protesta e mata.

Às vezes eu vejo com angustia e tristeza esse comportamento. O tempo desperdiçado em violentas atitudes, impropérios, agressividade e prepotência. Tudo em nome de amor e paixão. O amor ao seu clube. Não, quem ama não mata, já dizia o poeta. Quem ama não divide, não ofende, não ataca, não diminui, não desanima, não corrói o seu próprio amor. E quem não tem amor próprio não pode amar.

O torcedor age assim porque diz ter direitos. O direito dado pela paixão. Esquece, cinicamente, que direito é uma via de mão dupla.

Nesta semana vimos, estupefatos, a tentativa de inocentar um criminoso que diz  ter matado uma criança num jogo do Corinthians. Ele mesmo, o suposto criminoso, é uma criança quase crescida. Ou um adulto que não cresceu. E na experiência de demonstrar sua paixão por seu clube ele diz que matou. Seu ego era maior que o ego de todos os outros em sua volta. Sua paixão era avassaladora. Tanto que matou.

Discute-se a forma, a intenção, o ato, mas o cadáver de um menino, que nunca mais verá seu clube, está lá, na laje fria, apodrecendo um sonho interrompido, uma paixão que foi recolhida. Como pai lamento pelos dois meninos. Um foi punido com a morte por ter ido ao estádio torcer, o outro deverá ser punido por ter torcido demais.

Está-se a dizer que foi uma fatalidade, um acaso, um ato impensado sem culpa. Duvido que alguém vá a um estádio com a mochila cheia de artefatos perigosos sem pensar numa culpa. É como atravessar um sinal vermelho pensando que dá tempo. Não dá!

Ontem testemunhei, também, estupefato, alguns torcedores avaianos execrarem com uma fúria animal o jogador Dinelson, que está indo embora. Não sou seu fã, não sou seu procurador, sequer o conheço pessoalmente, muito menos tenho gosto por seu futebol, mas a maneira com que alguns torcedores o trataram nessa saída foi de uma mediocridade sem igual. Foi violenta. Foi baseada numa paixão contra alguém que não se apaixonou pelo nosso clube. Queriam uma correspondência, uma contrapartida, uma compensação. E o resultado foi um sinalizador de palavras lançado sobre sua cabeça. Senti vergonha. Dinelson não deu certo aqui, seu futebol não foi demonstrado no Avaí, tem ainda muito que aprender, que tente em outro lugar a continuação de sua carreira, mas, acima de tudo, é um humano, coisa que talvez alguns ditos humanos que vestem azul e branco em nosso quintal devem ter esquecido. Ou se sentem superiores demais para compreender isso. Seu ego foi superior a tudo.

Felizmente são poucos estes torcedores. Fazem corinho pra encher uma Kombi, se muito. São barulhentos, linguarudos, mas não passam disso. Porém, fazem parte da torcida avaiana. E não adianta saírem pedindo respeito e justiça aos outros, se os seus próprios atos os traem.

A minha felicidade é que não foi por causa desse tipo de torcedor que eu aprendi a gostar de futebol e do Avaí Futebol Clube. Foi apenas pela paixão sem compensações e sem correspondências.

O Big Brother que observa o Avaí

É muito interessante ler os comentários nas redes sociais ou ouví-los nas rádios num pós-jogo. A gente aprende muito com os apreciadores. São como big brothers a observar a tudo e a todos. Teses e conceitos mirabolantes são lançados ao vento, com muita gente tendo a solução dos problemas para montar um time de futebol ideal. E não estou contestando essa postura, mas apenas analisando a situação. Não vejo nada demais em se tentar achar soluções. Eu também dou palpites e não tenho remorsos quanto a isso. Num país onde o futebol está inserido na cultura de maneira incisiva, não poderia ser diferente. Quem disse que cada brasileiro é um técnico não errou. Porém, sempre há um porém, algumas coisas são risíveis e a questão parece ser bem mais profunda, pois muitas vezes não se dá palpites, mas se impõem condições e se apela como se fosse uma ordem, partindo apenas de um observador.

O problema é: quem toma a decisão? Sim, porque na hora de assumir alguma coisa há muito TCR (tirar o c… da reta).

Cada vez que eu vejo as teorias sendo lançadas desse jeito eu lembro daquela antiga fábula do Velho, o Menino e o Burro. Quem conhece a historinha sabe do que eu falo. Acho muito interessante, por exemplo, as conversas dos critérios para contratar jogadores.

– Queremos um atacante matador forte. Queremos um meia de qualidade para ajudar o Marquinhos.

Sim, sumidade, todo mundo quer. Ou alguém acha que o Avaí não quer? Só que está tendo azar nisso. A gente já viu boleiros tropeçarem na grama da Ressacada e lá fora virarem jogadores top de linha. E não pense alguém que é só ir ali no mercado, pedir um centroavante, um meia esquerda, barganhar um preço e trazer. Há questões de acesso, de empresários seletivos, de tempo de contrato, visibilidade. Nem todo mundo quer jogar em Florianópolis (eu disse jogar!), num time periférico, sem torcida, com salários pagados na bacia das almas porque não temos dinheiro. Mas o que mais se vê é gente na internet dizendo:

– Pô, tem aquele cara daquele time ali, está disponível, por que o Avaí não contrata?

E as almas iluminadas não acham que o Departamento de Futebol do Avaí não sabe disso? E que há jogadores que poderiam vir e as circunstâncias impedem? O exemplo de Cléber Santana foi típico. Havia dinheiro para trazê-lo, os dois mil torcedores do Avaí gostam dele, ele estava encostado no Flamengo, como continua, mas no dia da decisão de voltar para cá, entrou em campo, jogou um partidaço, fez um gol de placa e decidiu não vir. A sua atuação foi reveladora do que acontece na maioria das vezes com outros jogadores e a gente nem sabe. E alguns bocós, viúvas dele, se negam a criticá-lo. Claro que se fosse o Marquinhos o pau roncava, mas isso é outra conversa.

Li, ainda, a história de que a diretoria avaiana leva comissão pelas compras e vendas de jogadores … pausa… Olha, não vou rir disso. Juro! Porque é tão grotesco que não vale a graça. Evidentemente que uma pessoa que sabe ligar um computador, acessar a internet e postar um comentário desse tipo de burra não tem nada. Mas que parece, parece. Se a tentativa é sufocar o presidente, usou a arma errada, a da ofensa torpe e infeliz, prática habitual de quem não tem argumentos plausíveis.

Imagino o presidente do Avaí, avaiano rachado, fazendo picuinha com empresários da bola para trazer umas nabas de jogadores só porque ele quer “ganhar uma comissãozinha”. Põe em risco uma competição, desgraça sua idoneidade, pode ser pegado com a mão na massa em razão dos trocadinhos que irá receber e há quem ache que o presidente do Avaí se mova por falcatruas. E gente assim posa de séria. Verdade! Ai de alguém que os conteste, eles se sentem ofendidos.

Tem os cabras e madames, por exemplo, sádicos incorrigíveis, que acham que uma camisa de goleiro, cuja estampa homenageia uma cidade de Santa Catarina, serve para chacotas e achincalhes. E eu vou rir deles e eles vão achar ruim, é óbvio. Isso é jogar pedra no próprio telhado. Falam do Avaí (até porque a iniciativa é do Avaí) como se fosse um outro clube, uma agremiação de fora de Florianópolis ou até do Brasil. Imagino se alguém falasse mal da mãe ou do pai de algum deles, qual seria a reação? Sim, só uma cabeça com gelatina dentro é capaz de fazer troça disso. De achar que o Avaí está brincando, que isso é estupidez. Não sabem sequer como são confeccionados os padrões, as matrizes, quem decide tal homenagem e já vêm com a crítica. Duvido que um deles nos dê o valor exato disso, o real e o intangível. Não dão, não sabem e chutam a rodo.

Claro, todo mundo tem direito à opinião, afinal, liberdade, liberdade, abre as asas sobre nós, e quem pensa diferente de nós também tem os seus direitos, mas que caladinhos fariam um favor à comunidade, ô, como fariam. Pode falar e opinar sobre o que quiser, mas aguenta o retorno. Dar uma espiadinha e comentar a situação não faz mal algum. Mas querer trocar a câmera de lugar, só para ver a cena do seu jeito, convenhamos, é forçar demais a barra. Não têm cacife suficiente para isso. Uns nada que mal sabem conjugar o verbo haver e querem peitar uma instituição de 90 anos.

Como diz o pescador lá do Pantussuli: vai te criar, mandrião!

A corneta mágica com chifres

Quando se torce para um time de futebol, naturalmente os resultados são as situações que nos causam comoção. Mesmo que se fale em qualidade de um grupo, de jogador A ou B ruim ou bom, de treinador fulano, de preparo físico tal, de presidentes ou diretores, são os resultados que amenizam ou atrapalham as condutas. Escondem verdades e extrapolam mentiras. Vitórias nos confortam e derrotas trazem indignação. Dez dentre dez torcidas de futebol no mundo são assim, movidas por resultados. Imaginar o contrário é quase impossível.

Ao surgir a vitória, seja de quanto for, ou contra qualquer um, o largo sorriso fica estampando na face do torcedor por algum tempo, o suficiente para dar bom dia a poste e fazer agrados em pitbull. O torcedor vitorioso se transforma num cavaleiro montado num puro sangue, numa peça de contos de fada a salvar donzelas incautas em castelos assombrados, com um mundo colorido ao seu redor conspirando a seu favor. Já o derrotado vira um arrivista intragável, sorumbático, melancólico e inconsolável. Contudo, de uma maneira geral, exceto para os mais fanáticos, logo mais a situação é esquecida e busca-se, racionalmente, entender as razões do fracasso, ou as condições para manter uma conquista. Em qualquer lugar é assim. Dos infernos de Hades ao paraíso de Odin, torcedor é tudo igual.

Em campeonatos onde os times jogam clássicos, então, o alvoroço sentimental  deste torcedor se duplica. Quadriplica. Multiplica. Alterna-se e se modifica conforme os resultados vão acontecendo. Os humores se movem para negativas e positivas sensações ao longo do tempo. E, contudo, como mencionei, exceto para os fanáticos, em lugares onde impera o equilíbrio emocional as ondas de protestos nas derrotas ou os furores de satisfação nas vitórias estarão perfeitamente controladas ao passar do tempo. Ninguém guarda rancor ou vive eufórico para o resto da vida. Até porque a vida segue.

Todavia, para um determinado grupo de torcedores com fanatismo além da imaginação, de um clube de futebol lotado numa Ilha ao Sul do Atlântico, cujo nome vem das águas dos indígenas autóctones, ganhar é comemorado dependendo de quem seja o adversário, não pela vitória em si. Às vezes, certas conquistas são negadas peremptoriamente e definidas sem validade alguma, porque um regulamento a permitiu, uma vez  que  o time daquela torcida não foi capaz de golear quando devia por não possuir uma alegada qualidade predita por eles. As derrotas acontecidas são claras decretação de guerra, orgias santas capazes de derrubar governos. Para certos torcedores deste clube sulista, o placar não é a simples marcação da quantidade de gols feitos, mas a estatística de uma filosofia exotérica, onde o número de gols representa uma divindade a ser exultada, sejam eles contra ou a favor daquele time. Normalmente são adoradores de um deus-anão.

Tanto é assim o comportamento deste grupo de torcedores que são capazes de ver chifres em cabeças de cavalo em cada derrota tomada. Não se faz uma simples análise de uma derrota ou uma comemoração singela de uma vitória. Não se espere isso, jamais, destes torcedores do clube da Ilha ao Sul do Atlântico. Tudo é exacerbado. A própria magia daquela Ilha os transforma.

No fracasso, principalmente, eles preparam a criação de seres imaginários, vultos fantasmagóricos, potentados sobrenaturais que definem, para eles, a preocupação com o futuro inatingível. Uma sanha conspiracionista se instala nessa morada das incongruências. Se já se inventam desculpas estapafúrdias as mais diversas para não freqüentar o seu estádio, este grupo de torcedores cria personagens criminosos, inventa figuras dramáticas e pecaminosas e faz nascer seres mitológicos cruéis a lhes tirar o sono e corroer o pouco de intelecto que lhes resta a justificar uma ou outra derrota, ou a ausência de gols numa partida.

Felizmente, não faço parte desse grupo. Sou um torcedor comum e com os pezinhos no chão.

Sauna a céu aberto ! Tigre 2 x 0 FFC

Começo o meu comentário fazendo uma pergunta: se te convidares para bater uma bolinha as 4 horas da tarde, nestes dias sufocantes e com termômetro acusando 36 0C  você iria ?

Com certeza, as pessoas envolvidas neste processo, tanto a emissora de televisão quanto os da FCF  estavam nos camarotes     ( ar condicionado ) ou em casa sei lá onde , rindo dos 25 ( os dois times mais os árbitros ) fantoches que divertiam a platéia e logicamente a eles !

Mas vamos mais uma vez, como em tudo na vida, nos defrontar com a questão financeira:  “Que se explodam os atletas, queremos o ” din din ” da televisão!”  Se eu fosse jogador teria entrado em campo no domingo com uma sunga, cadeira de praia, guarda-sol e com uma piscininha de plástico !

Não teve futebol ! Alguns raros momentos de emoção, mas raros !  Fico ainda na dúvida para estabelecer uma justificativa do baixo rendimento do Tigre neste início de temporada. O fato é que o mesmo acontece com o Avaí,  Figueirense e Joinville. A coincidência fica por conta de que estes mudaram completamente o plantel, enquanto a Chape permaneceu com a base e eis o resultado.

Isso serve para estas quatro equipes citadas acima:  ou os novos contratados não possuem qualidade, ou os treinadores não estão conseguindo formar um padrão de time para estas equipes , ou seria a falta de entrosamento, desfalques por contusão, parte física , ou …  o culpado é do calor !!!!!!

Quanto ao jogo, valeram os 3 pontos, importantes para a composição dos quatro finalistas da competição. Não dá mais para comentar nada. Enquanto ficarmos a mercê destes horários desumanos em função de uma emissora de TV , nosso futebol se confundirá com a incompetência de nossos jogadores com a de nossos dirigentes !

A lição não aprendida

Já disse isso e repito: Sábado não é dia para jogo. Pode ser numa quarta-feira, até numa quinta-feira e especialmente num domingo, mas nunca num Sábado. Pois este Sábado sisudo e cinzento era dia pra ficar em casa comendo pão com banana frita e foi o que fez o time do Avaí: não foi a campo. Deixou o futebol em outro lugar, menos tê-lo levado à Ressacada. Pronto, já arrumei uma desculpa para a torcida mais apaixonada de SC deixar mais uma vez o time na mão.

Era jogo para estádio cheio? Sim, claro que sim, pois 10 mil pessoas fazem muito mais diferença positiva para um time do que 2 mil e alguns teimosos e numa competição em que precisamos pontuar muito. Mas, a torcida do Avaí não vai mesmo e o time tem que aprender a jogar sem torcida, isso é fato.

Porém, não vou dizer que torcida é culpada. Nunca disse isso, embora alguns analfabetos funcionais pensem que sim. A culpa é do Colombo que não investe em educação pra essa gente aprender a ler direito.

Não, mas não é nada disso. Para ser torcedor avaiano, autêntico, antenado, o que não tapa o sol com a peneira, o que tem consciência, o que não defende o indefensável, o amiguinho de todos, o que recebe tapinhas nas costas, o que tem lugar garantido para todos os torcedores no blog, eu tenho que dizer que a culpa é do presidente Zunino. Sim, para que as caras se voltem para mim e seja bem recebido no meio da torcida tenho que achar um culpado e o principal é o Zunino. Tenho que dizer que ele é chefe de quadrilha, que seu filho é mafioso, que os seus “adoradores” são pagados para dar opinião favorável, e que ser otimista com o Avaí é viver num mundo de fantasia. É assim que a inteligentsia avaiana torce para um time de futebol, seja na arquibancada ou confortavelmente debaixo do edredom. Ir à Ressacada é apoiar o Zunino. Nem vou dizer que mesmo com todas as dificuldades o Avaí, nos últimos cinco anos esteve sempre no topo, com alguns problemas naturais e normais típicos de clubes como o nosso e com conquistas além da capacidade deste mesmo status.

Mas como a minha lógica não é essa, não vou perder tempo com isso. Quem quiser que morda os dedos.

O Avaí foi para o clássico e perdeu. E eu dizia que aquela derrota deveria ser um aprendizado. Algo tinha que ser tirado daquilo. Não foi, não tiraram.

Muitos afirmam que o atual grupo do Avaí não tem qualidade. Bom, um time que cria diversas jogadas de gols numa partida, que tem inclusive gols anulados, que incomoda defesas adversárias pode ter tudo, menos falta de qualidade. Reveja os lances da partida de ontem e conte, isentamente, quantos gols o Avaí perdeu. Isso é sinal de criação e tem sido assim em todos os jogos. O problema é a finalização, que precisa ser melhorada. Afinal, a lógica do futebol é o gol. Simples.

Agora, se alguém me disser que o grupo é mal treinado aí, sim, sou obrigado a concordar. A lição não foi aprendida corretamente desde lá do banco de reservas. E isso não é transferir a responsabilidade, é constatação. O atual grupo do Avaí, nitidamente, não é um time ainda. E isso tem muito da responsabilidade de Sergio Soares. A diretoria não tem se omitido e tem trazido jogadores dentro das possibilidades avaianas e do que o mercado nos oferece. Contudo, o treinador azurra ainda não conseguiu ter um time nas mãos, um conjunto efetivo, que assuma a competição com a importância que ela merece. Perder para o Metropolitano não é problema, mas perder para Rafa Costa Futebol Clube é muito complicado, o que demonstra a fragilidade do esquema (não) montado pelo treinador.

Evidentemente, é nítido também que alguns jogadores estão sem condições físicas. Estamos no apagar das luzes do 1º turno e há quem morra no intervalo. Ou ainda quem não entre em campo, mesmo tendo assinado a súmula, ter se perfilado para o hino, ter batido uma bolinha durante a partida, mas não entrado em campo. É o caso do seo Dinelson, que já está bem grandinho e é hora de definir um rumo na vida. Quem sabe na Penapolense?

Há ainda os que sofram lesões devido ao excesso de lactato, por trabalho acumulado. Correr, marcar, atacar, defender não é para todos e isso pode gerar pisados nos meninos. A lesão de Aelson é típica.

O ataque do Avaí é inoperante, como se percebe, graças ao esquema implantado. O 4-4-2 tem se mostrado ineficaz. Um 4-3-1-2, variante do 3-3-1-3, como já mencionou o nosso colega de Portal Gilberto Rateke Jr. teria mais resultados, uma vez que fecharia o meio com uma melhor marcação, abriria a chance dos laterais saírem para o jogo e deixaria Marquinhos livre para criar, sem a necessidade de ter que dar carrinho na própria defesa. Jogando assim o time subiria e defenderia sempre em bloco e o desgaste seria bem menor. Por isso, como não sou de ficar em cima do muro, opto pela saída do treinador já, antes da virada do turno, e a contratação de alguém com visão mais dinâmica. Ou que ele, efetivamente, comece a dar um padrão de jogo.

A partida deste sábado mostrou algo que eu ainda não tinha visto no futebol: um jogador ajudar o time adversário de propósito. Quando o time do Avaí resolveu não devolver a bola, naquele lance em que o Metropolitano fez uma cera escandalosa, e o Julinho, para ser amiguinho deles, ao receber a bola e lançar para a área, decidiu mandar bisonhamente para a lateral, senti que se isso não for resolvido já, com a assinatura de sua demissão por justa causa, o grupo começará a se dividir e daí por diante a coisa degringola. Quem já bateu uma bolinha sabe do que estou falando. Resolva-se isso, porque ficou feio. Na hora olhei para o Marquinhos e para o Eduardo Costa e pelas expressões o rapaz dormiu de orelha quente.

No mais, tudo normal: juiz ruim, banderinha cagão, estádio vazio, partida sonolenta e os gols insistindo em não sair. Esse é o roteiro para levantarmos o caneco no final, exatamente como no ano passado. Com ou sem regulamento e com a torcida mais fanática do mundo ouvindo em casa pelo raidinho.

Post scriptem: avisa lá pro pessoal que torcer contra o Zunino não significa, necessariamente, torcer contra o Avaí. Portanto, podem ir ao estádio que está tudo bem. Já tem ônibus, a chuva não cai e o calor vai começar a amenizar. Esqueci alguma desculpa?