O Big Brother que observa o Avaí

É muito interessante ler os comentários nas redes sociais ou ouví-los nas rádios num pós-jogo. A gente aprende muito com os apreciadores. São como big brothers a observar a tudo e a todos. Teses e conceitos mirabolantes são lançados ao vento, com muita gente tendo a solução dos problemas para montar um time de futebol ideal. E não estou contestando essa postura, mas apenas analisando a situação. Não vejo nada demais em se tentar achar soluções. Eu também dou palpites e não tenho remorsos quanto a isso. Num país onde o futebol está inserido na cultura de maneira incisiva, não poderia ser diferente. Quem disse que cada brasileiro é um técnico não errou. Porém, sempre há um porém, algumas coisas são risíveis e a questão parece ser bem mais profunda, pois muitas vezes não se dá palpites, mas se impõem condições e se apela como se fosse uma ordem, partindo apenas de um observador.

O problema é: quem toma a decisão? Sim, porque na hora de assumir alguma coisa há muito TCR (tirar o c… da reta).

Cada vez que eu vejo as teorias sendo lançadas desse jeito eu lembro daquela antiga fábula do Velho, o Menino e o Burro. Quem conhece a historinha sabe do que eu falo. Acho muito interessante, por exemplo, as conversas dos critérios para contratar jogadores.

– Queremos um atacante matador forte. Queremos um meia de qualidade para ajudar o Marquinhos.

Sim, sumidade, todo mundo quer. Ou alguém acha que o Avaí não quer? Só que está tendo azar nisso. A gente já viu boleiros tropeçarem na grama da Ressacada e lá fora virarem jogadores top de linha. E não pense alguém que é só ir ali no mercado, pedir um centroavante, um meia esquerda, barganhar um preço e trazer. Há questões de acesso, de empresários seletivos, de tempo de contrato, visibilidade. Nem todo mundo quer jogar em Florianópolis (eu disse jogar!), num time periférico, sem torcida, com salários pagados na bacia das almas porque não temos dinheiro. Mas o que mais se vê é gente na internet dizendo:

– Pô, tem aquele cara daquele time ali, está disponível, por que o Avaí não contrata?

E as almas iluminadas não acham que o Departamento de Futebol do Avaí não sabe disso? E que há jogadores que poderiam vir e as circunstâncias impedem? O exemplo de Cléber Santana foi típico. Havia dinheiro para trazê-lo, os dois mil torcedores do Avaí gostam dele, ele estava encostado no Flamengo, como continua, mas no dia da decisão de voltar para cá, entrou em campo, jogou um partidaço, fez um gol de placa e decidiu não vir. A sua atuação foi reveladora do que acontece na maioria das vezes com outros jogadores e a gente nem sabe. E alguns bocós, viúvas dele, se negam a criticá-lo. Claro que se fosse o Marquinhos o pau roncava, mas isso é outra conversa.

Li, ainda, a história de que a diretoria avaiana leva comissão pelas compras e vendas de jogadores … pausa… Olha, não vou rir disso. Juro! Porque é tão grotesco que não vale a graça. Evidentemente que uma pessoa que sabe ligar um computador, acessar a internet e postar um comentário desse tipo de burra não tem nada. Mas que parece, parece. Se a tentativa é sufocar o presidente, usou a arma errada, a da ofensa torpe e infeliz, prática habitual de quem não tem argumentos plausíveis.

Imagino o presidente do Avaí, avaiano rachado, fazendo picuinha com empresários da bola para trazer umas nabas de jogadores só porque ele quer “ganhar uma comissãozinha”. Põe em risco uma competição, desgraça sua idoneidade, pode ser pegado com a mão na massa em razão dos trocadinhos que irá receber e há quem ache que o presidente do Avaí se mova por falcatruas. E gente assim posa de séria. Verdade! Ai de alguém que os conteste, eles se sentem ofendidos.

Tem os cabras e madames, por exemplo, sádicos incorrigíveis, que acham que uma camisa de goleiro, cuja estampa homenageia uma cidade de Santa Catarina, serve para chacotas e achincalhes. E eu vou rir deles e eles vão achar ruim, é óbvio. Isso é jogar pedra no próprio telhado. Falam do Avaí (até porque a iniciativa é do Avaí) como se fosse um outro clube, uma agremiação de fora de Florianópolis ou até do Brasil. Imagino se alguém falasse mal da mãe ou do pai de algum deles, qual seria a reação? Sim, só uma cabeça com gelatina dentro é capaz de fazer troça disso. De achar que o Avaí está brincando, que isso é estupidez. Não sabem sequer como são confeccionados os padrões, as matrizes, quem decide tal homenagem e já vêm com a crítica. Duvido que um deles nos dê o valor exato disso, o real e o intangível. Não dão, não sabem e chutam a rodo.

Claro, todo mundo tem direito à opinião, afinal, liberdade, liberdade, abre as asas sobre nós, e quem pensa diferente de nós também tem os seus direitos, mas que caladinhos fariam um favor à comunidade, ô, como fariam. Pode falar e opinar sobre o que quiser, mas aguenta o retorno. Dar uma espiadinha e comentar a situação não faz mal algum. Mas querer trocar a câmera de lugar, só para ver a cena do seu jeito, convenhamos, é forçar demais a barra. Não têm cacife suficiente para isso. Uns nada que mal sabem conjugar o verbo haver e querem peitar uma instituição de 90 anos.

Como diz o pescador lá do Pantussuli: vai te criar, mandrião!

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