A necessidade é a que morre antes da esperança

A necessidade é feia e indigesta. É um sentimento atroz. Passar por necessidades é a derrocada dos padrões dignos do cidadão, constrange o tanso, às vezes é uma obrigação moral e pode ser fatal. A necessidade é uma privação tão absurda, que fazer necessidades é associado ao ato de se aliviar num trono tido como confortável… e gelado. O Avaí Futebol Clube, neste domingo, passa por uma necessidade, daquelas mais prementes num campeonato de futebol. Precisa ganhar do Camborui de qualquer jeito.

A vitória de um time de futebol num campeonato pode se tornar urgentemente necessária quando:

– Precisa se classificar para uma final;

– Tem a obrigação de manter-se na competição, ou

– Quer escapar de um rebaixamento.

Creio que a situação atual do Avaí não o expõe a nenhuma destas condições.

O Avaí não precisa ganhar para ir a uma final. Ainda há um 2º. Turno todo pela frente, o campeonato é equilibrado e uma série de boas vitórias o classifica para uma final. Não vejo esta situação como a mais aguda e absurda.

Também não seremos descartados do campeonato. Não é um torneio mata-mata, onde jogamos a segunda partida fora de casa tendo sido derrotados em casa. Não é esta a situação atual. Como disse, o 2º. Turno pode ser diferente.

E num campeonato como o nosso, dificilmente estaremos numa zona de rebaixamento. A tendência lógica e natural é uma recuperação, mesmo que mediocremente, ganhar alguns pontinhos e terminar numa posição intermediária. Não seria o melhor dos mundos, mas bem melhor que um rebaixamento humilhante.

Então por que a necessidade de vitória nesta partida de domingo? Porque é a da moral. É a da vergonha, tão falada e propalada pelos quatros cantos. E a que ponto chegamos!

Embora a tal honra seja algo intangível, que não se consegue medir, a campanha pífia e inócua do Avaí neste início de temporada está aquém de sua importância em nosso quintal. Até os adversários estão preocupados com nossa situação. Eles vieram para jogar com um time que até agora depende de um Marquinhos para tocar a bola, correr atrás dela, bater falta e sair da barreira, cobrar escanteio e correr para cabecear. Onze dele em campo e seríamos campeões da Libertadores. Um só, como tem sido, e vamos precisar das rezas e mandingas para, ao menos, envergar o manto azul e banco nas ruas sem vexame.

É muita necessidade para um time só. Porque se depender da esperança…

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