Saudades de uma água de poço

Estamos diante de uma dinâmica tão intensa no Sul da Ilha, que alguns minutos sem notícias ou assuntos põe em desespero uma porção de gente. Desde torcedores que acompanham diretamente o time, dirigentes, jornalistas e até os modinhas que só vão nas festas da Beira Mar, todos vivem ansiosos. Até os adversários, movidos por essa sanha desenfreada de notícias por aqui, ficam preocupados diante de tantas movimentações ou a falta delas.

É fato que o assunto no Chevroletão 2013 é o Avaí. Ninguém fala do líder, ninguém se importa com o time que queria ser a terceira força do futebol do Sul do Brasil e tampouco com o seu técnico dublê do Mourinho (dito pela mídia da Capital), não se vê matérias estrondosas sobre o único representante de SC na série A e muito menos se ouve falar do clube de Santa Catarina, do norte do Estado, que não se considera catarinense. Todos falam do Avaí e de suas andanças.

Será que é por que é o mais vezes campeão? Por que defende o título? É o mais simpático? Difícil cogitar, mas o Top of Mind dado várias vezes ao Leão da Ilha não é de graça, pelo visto.

Seria bom e prudente que as coisas se acalmassem pelos lados dos Carianos. Um pouquinho de água de poço parada não faria mal algum, até para se fazer as coisas com calma e parcimônia. É preciso dar tempo para que as decisões sejam tomadas sem atropelos. Exigir decisões acertadas a toque de caixa é contra-senso, ninguém faz isso com inteligência. A frase “a pressa é inimiga da perfeição” deve se escrita no papel duzentas vezes, até o sujeito aprender.

Isso não é apelo ao conformismo, como muitos revolucionários de edredom chutam. E nem se está blindando a diretoria avaiana. Aliás, estas definições esdrúxulas são levantadas por quem usa o quengo apenas para segurar cabelos. Não possuem massa cinzenta suficiente para propor mudanças na condução das coisas avaianas, mas são os primeiros da fila para dar palpites, muitas vezes furados.

É sabido, coisa dita por todos, de dirigentes a torcedores, que o Avaí não pode errar, mas já cometeu alguns deslizes neste ano, exatamente por ser levado pela pressa. Aquela tchurma, não tem? exige centro-avante, centro-avante, centro-avante, e o Avaí para não ficar de mal com a tchurma, vai e contrata qualquer um. Para dar satisfação a quem? A quem não ajuda?

E a coisa de se levar o clube na ponta dos dedos pode deixar escorregar o cristal  e quebrar-se em vários pedacinhos. Isso não pode acontecer. E o mais engraçado é que este discurso é repetido por muitos metidos a dirigente de futebol, comedores contumazes de acepipes italianos arredondados, mas que na hora de fazer valer sua propalada capacidade, falam bobagens pelos cotovelos e exigem presteza e agilidade.

Evidentemente que a curiosidade por notícias faz parte do dia a dia, mas a insistência por tomadas de decisões é leviana (adoro essa palavra!).

Se não estamos tranquilos devido à campanha, também não vejo que seja hora de se pôr os burros na frente da Ferrari. Embora algumas bocas alugadas da mídia e seus seguidores nas redes sociais insistam no contrário, o Avaí tem um planejamento e não vai fazer loucuras, tanto que não contratou o mais querido pelas viúvas exatamente para não perder mais dinheiro numa solução duvidosa e desastrada.

Se alguém não está contente com o desenrolar dos fatos, ou está querendo aquilo que não pode, que vá jogar golfe no Costão do Santinho. Ou aproveite as horas de folga e vá ler um livro, de preferência daqueles bem chatos de auto-ajuda, que é o que muito “atarantado” está precisando.

Ah, a propósito, pipocam por aí insinuações (sempre elas) de que há uma parceria do Avaí com holandeses nas categorias de base. E que jogadores estariam mapeados e contratados. Bom, primeiro, qualquer néscio sabe que jogadores, em qualquer idade, já tem um empresário nas costas. Se alguma virgem vestal não sabe disso, acho melhor passar a acompanhar o futebol com mais dedicação, para não pagar mico. E, depois, não entendi. Não era o Gabriel o responsável pelos contratos dos “di menor”? É aquela história: se a gente não sabe, a gente inventa, e sempre pelo lado negativo. Ô, ovo cheio de pêlo, hein.

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Um pensamento sobre “Saudades de uma água de poço

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