Um “se vira nos 30” natural

O Avaí provavelmente fará um jogo terrível e cabeludo contra o Joinville neste domingo. É o que esperamos. Não o que desejamos. Porque, queriam ou não, o campeonato é assim mesmo, complicado e difícil. E será por um bom tempo desse jeito.

O grande problema que vejo nestas elucubrações diárias por qualidade, jogador diferenciado, jogo nivelado por baixo e abóboras selvagens a rodo, é que a série A fez mal a muita gente, tanto a avaianos, como também a alvinegros. As pessoas ficaram mal acostumadas.

Aqui, em nosso quintal, até há uns dez anos, se costumava torcer para times de Rio de Janeiro e São Paulo. Ainda hoje vemos gente nas arquibancadas vendo o jogo do Avaí e ligado no “meu Vasco”, no “meu Flamengo”, no “meu Corinthians”. Os clubes da Capital mal cruzavam a BR101 para jogar bola em praças diferentes, jogando o Campeonato Catarinense e olhe lá. E ninguém dava bola, literalmente, para eles. Tanto é verdade que as pesquisas mostram nossos times com zero vírgula pouco de torcida, enquanto que para os outros clubes a cota passa dos dois dígitos positivos. Muita gente pode alegar que os nativos em Floirpa correspondem, hoje, a uns trinta por cento da população. É possível, mas ainda assim, os nossos não se ajudam.

Então, quando nossos clubes começaram a  se organizar e a participar dos campeonatos nacionais de mercado mais elevado, é que essa lógica começou a se inverter. Já há quem diga que é avaiano, ou mesmo alvinegro até morrer, embora pese muito a sua participação nas coisas de seus clubes. E, obviamente, se houver uma quarta-feira em que haja um partida decisiva do Avaí na Ressacada, seja com qual time for, e uma decisão do carioca ou do paulista pela TV, aposto com qualquer um todos os meus ganhos, meu carro, minha casa e ainda pago um jantar no melhor restaurante da cidade que a maioria vai ficar em casa e nem vai ligar o raidinho pra saber como é que está o Avaí. Lamento, você não gostou, mas funciona assim. Porque a lógica é de comparações, de grife, de se dizer que tal time deveria se espelhar no que os outros fazem, não no que é possível.

Quando digo que se deve dar valor ao que temos, não é para se conformar com má qualidade (putz, não acredito que tenho que dizer isso!), mas entender que as coisas por aqui ainda são difíceis de se fazer para se atingir uma tradição do que há lá fora, nos Estados do eixo capitalista do país. Ainda estamos na infância do futebol, em fase pré-púbere, onde já começam a nascer pelinhos no pré-adolescente. Os clubes precisam de nós, não com a exigência do que se faz para os clubes de grande porte, mas com a compreensão dos que querem crescer.

Quando vejo comentaristas e jornalistas medíocres nas rádios locais, esbravejando pelos microfones que não temos qualidades, desmerecendo o próprio produto que eles vendem, e o mesmo discurso sendo repetido pelas pessoas que dizem que não ouvem estes caras, é que a gente percebe o quanto todo mundo tem ainda para crescer. Não basta o clube, mas também a torcida e a própria imprensa. Mas grande parte prefere botar o seu rabinho no meio das pernas e dizer que não é com ele e que está ali pra exigir bom futebol.

Que se virem nos 30, porque eu é que não vou ajudar, é o que pregam.

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