Favorito, sim, senhor

Por Don Mattos – Manifesto Alvinegro

Semana de clássico é sempre assim, por mais que não queira acabo me encontrando com duas velhas conhecidas, a Parcimônia e a Arrogância.

A primeira, cautelosa que é, me manda ficar quietinho, assistir ao jogo na maciota e, ao final da partida, em caso de vitória comemorar, tirar um sarrinho aqui, outro ali e, em caso de derrota, continuar quietinho na minha, como se nada fosse nada.

A segunda, safadinha que só ela, fica me provocando, olhando com olhos de bandida e me atiçando a provocar, a falar, a cantar vitória antes do tempo e jogar aos quatro ventos que não tem essa, vamos ganhar e ponto final. E de goleada!

E como se eu fosse o bam-bam-bam da parada, as duas moças se atracam na minha frente, uma puxando o cabelo da outra, a boa moça e a periguete disputando o papaizão aqui.

Parcimônia, minha querida, mil desculpas, mas dessa vez é a Arrogância que vai sentar na minha mesa e beber da minha cerveja. Por minha conta e risco. Não fica triste não, querida, quem sabe na série B eu não te escolha? Mas agora, Parcimônia, se tu me dá licença, vou dar uma sarreada com a safadinha da Arrogância.

Negócio é o seguinte, avaianada, não tem nada de discurso politicamente correto, de equilíbrio, de que clássico é clássico e coisa e tal. Dessa vez, somos favoritos sim senhor.

Nosso time está jogando mal, errando passes de trinta centímetros, nossos meias de criação quase matam nossos atacantes na míngua, estamos ressentidos pela carência de ídolos, nossa camisa 10 chora todas as noites de saudades do Fernandes e, mesmo assim, somos escancaradamente favoritos.

Ah, mas é na Ressacada.

Eu sei, e esse é só mais um dos motivos que nos faz favoritos.

Jogando lá, a estatística berra da janela do estádio de tijolinho a vista para quem quiser ouvir que temos a supremacia dos confrontos. São 18 vitórias nossas contra apenas 13 dos ditos “donos” da casa. Ou seja, como visitantes, somos daqueles bem folgados, que chegam sem aviso prévio, tomam conta dos espaços, da geladeira e deixam os donos da casa acuados como se fossem eles, e não os intrusos, a visita da ocasião.

Somos favoritos por que os dados não tem a menor delicadeza em disfarçar os fatos, e contra os fatos não existe falácia azul e branca que consiga se passar por argumento.A tabela está lá, turno, returno, classificação geral, para quem quiser ver. Líderes absolutos de tudo, mesmo jogando aquela bolinha meia boca que tem alterado a pressão da alvinegrada.

Aí a avaianada vai lembrar do ano passado, quando éramos indiscutivelmente favoritos e acabamos perdendo as duas partidas finais. Esquecem-se, contudo, que tomar por regra a exceção, é apenas abreviar o caminho entre o êxtase da conquista eventual para a lamúria do infortúnio cotidiano. Desconsiderando-se a fatalidade de 2012, havia já seis anos de domínio absoluto alvinegro na Costeira do Pirajubaé.

No início do ano, ouvi muitas piadas de avaianos pelo fato de dizermos que nosso maior reforço estava no banco de reservas. Acho que hoje, já não cogitam rir do nosso Adilsão velho guerra. Sabem que o paranaense é macaco velho, conhece bem nosso campeonato regional, tem a manha do vestiário e sabe como poucos mudar a cara do time sem sequer realizar alterações na escalação, apenas reposicionando as peças do seu tabuleiro alvinegro. Ou seja, enquanto o treineiro de azul é ainda uma incógnita no mundo da bola fora das quatro linhas, o nosso já mostrou – e continua mostrando – a que veio.

Somos os favoritos, pois teremos o retorno de Tinga e Gérson Magrão, exatamente aquela pitada de qualidade que tem faltado no nosso meio de campo. Os pontos têm vindo, mas carentes da boa prática do nosso esporte bretão. Com esses dois boleiros, a coisa muda consideravelmente. Sim, estarão deficientes no ritmo de jogo, não aguentarão os 90 minutos mas, ainda assim, são retorno muitíssimo bem-vindos que certamente acelerarão o processo de esbranquiçamento dos cabelos do Ricardinho do lado de lá da ponte.

Somos favoritos, pois o desespero é o primeiro jogador avaiano cuja escalação já está confirmada. Dependendo dos demais resultados da rodada, um revés no clássico praticamente sepulta as chances do Avaí em tentar brigar pelo seu décimo sétimo título estadual. Nós jogamos na maciota, tranquilinhos, sem stress. Apenas com a obrigação de fazer o que habitualmente já fazemos, e exibidos que somos, bradamos até em nosso hino: “Vencer, vencer, vencer!”

O time deles possui dois pontos fora da curva que merecem nossa atenção, Marquinhos e Reis. Ambos possuem qualidade e tem potencial para incomodar, mas nada capaz de tirar o sono da alvinegrada do Estreito.

Já eles, nem sabem direito com quem devem tomar cuidado, pois se marcam Toscano, Douglas Silva marca o gol. Se marcam a subida dos laterais – coisa que o pessoal de azul não tem demonstrado muita capacidade de realizar – Saci cai pelo meio. Se resolverem adiantar a marcação, deixarão o nosso Ricardinho, “digeirinho” que só ele, no mano-a-mano com a zaga azurra, que já comprovou estatisticamente que não é das mais confiáveis. Ou seja, nossa boa pontuação acumulada até aqui não é fruto de um destaque, mas do coletivo. Tivemos inúmeros desfalques, obstáculos e, mesmo assim, Adilsão velho de guerra enjambrou daqui, inventou dali, mas manteve o Furacão firme, forte e sempre nas cabeças da tábua de pontuação. Não temos um craque, nos falta elenco, mas dá para dizer que temos um time.

Enfim, para o desalento adversário, por mais que tentem se agarrar com unhas, dentes e jubas na velha máxima de que “clássico é clássico”, desta vez o jogo será entre um estável time praticamente classificado, contra um adversário desesperado pela tentativa de embarcar no último bonde da classificação. A bola está conosco, é só fazer o beabá da bola sem palhaçadinha, sem frescura, e curtiremos a fila da volta no domingo com mais uma vitória a ser pregada na tábua das estatísticas.

Saudações Alvinegras!

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