Experiência, regulamento e malandragem

Eu me divirto com as teses estabelecidas no futebol. São defesas de teorias cobertas de pronomes e objetos diretos, predicados construídos e verbos muito bem conjugados a falar daquilo que não possui e menor sentido lógico, o futebol. Sim, o futebol, esse esporte jogado na Idade Média pelos cavaleiros que chutavam os crânios de seus inimigos como forma de os humilhar até na morte. E para o qual foi regulamentado e oficializado por fleumáticos e serenos britânicos, tentando tirar a suposta agressividade dos chutes nas pelotas e se enfurecendo quando ela não ia para onde se mandava. Porque é assim o futebol, um troço completamente fora de propósito e de lógica. Alea jacta est é o que se pensa, ou um seja o que deus quiser é o que se menciona em cada inicio de partida, cuja sorte lançada como dados pode definir o que nenhum destino traçou.

Por isso, tenho frouxos de risos com estes tratados definidos. Um time bom nem sempre é um time vencedor e um campeão nem sempre é aquele de encher os olhos. As exceções são exatamente quando se segue uma certa lógica. Porque o futebol não segue uma tendência, uma norma de conduta, um preceito estabelecido. Não há modelos, ainda que se pense numa fórmula pronta. Os índices indicando o ranking de clubes e seleções são perfeitamente minados quando aquele dito time ruim começa a ganhar sem ninguém entender, ou conquista um campeonato fora de qualquer prognóstico. E depois, é claro, vira sensação. Esperem pela sensação que será a seleção brasileira na Copa. Depois me cobrem.

O mesmo time, por sinal, pode ser uma excelência numa temporada e um monte de cones em outra. Ou ao contrário.

Prefiro analisar um time de futebol pelo que joga durante um jogo. É redundância? Claro que não.

É que fica estranha essa síndrome de Mãe Dinah cada vez que um time da gente começa um campeonato. As previsões de que não vai dar certo não dobram a próxima esquina. Lógico que nossa condição humana, de análise e perspectiva, não pode ficar parada. É incontinente. Porém, se estabelecer uma conduta para uma temporada, porque não gostamos do jeito de jogar do time tal, porque aprendemos a ver futebol-arte, porque na nossa época Pelé, Zico ou Maradona davam show, ou comparar com os atuais malabarismos de Messi, é perda de tempo.

Quando vi a primeira partida da seleção brasileira de 1994, afirmei para mim e para amigos que íamos dar vexames. Independente do que não jogamos, fomos campeões mundiais. Esta na história que fomos TETRA (É tetra! É tetra!), lembram?

O time do Avaí de 2009, vamos combinar, não era um timaço. Não jogava um futebol a Holanda de 74 ou da Espanha atual. Sequer de um Barcelona. Não subverteu a ordem do futebol mundial e nem implantou uma forma diferente de jogar. Mas era bonito de se ver, porque jogava direitinho. E se fosse mais ambicioso, não sei, não, haveria espaço para uma segunda estrelinha. Mas todo mundo sabe como começou. Mesmo que se dissessem que havia potencial, muito marmanjo chorou quando fizemos a primeria vitória contra o Fluminense, pois sabíamos que estava difícil. DAli e diante foi mudado esquema e, bom, o resto todo mundo já sabe.

Hoje vejo uma porção de gente lamentando que o Avaí de 2013 não joga bonito. Baixa qualidade, jogadores trôpegos, sem vontade. E já há quem afirme, do alto de uma verdade messiânica, que o time do ano passado era bom. Isso porque se execrava aquele grupo e só Cléber Santana prestava. E agora vejo, também, madrinhas do Apocalipse afirmando que vamos fazer feio na série B. Se alguém souber os números da mega-sena, aceito palpites.

Como bem disse nosso craque Marquinhos, o que ganha campeonato no futebol é experiência, regulamento e malandragem. O resto é conversa.

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