Jogo é jogado e peixe é pescado

Que gol, que nada! Prefiro o passe, a jogada de efeito. Entro em campo envergando um dos mais belos uniformes deste mundo do futebol, um com listras azuis e brancas. No momento do gol prefiro emoldurar o quadro, a cena, todos correndo em direção ao artilheiro e eu ali,observando e aplaudindo. Afinal, sou torcedor deste time e tenho a moral de jogar com ele.

A estultícia (não sabe o que é, vá procurar no dicionário, estulto!) que reina nas casamatas prefere me marcar, fazer o anti-futebol, evitar o passe longo consagrador, o passe curto desmoralizante, o drible cabotino, o lançamento finalizador. Eles tentam e aí me desloco, saio do foco. Até aparecer sozinho, leve, solto, decisivo, leonino. Sou um jogador de futebol, mano, é isso que sei fazer. Não tente me prender, marcar, pois só farei você sofrer.

Quando vejo torcedores do meu próprio time remando contra, motivados por uma murrinha incrustada, por uma necessidade de apontar defeitos sem dar soluções, por acharem que têm o rei na barriga, me vaiando ou exigindo o que não posso, me entristeço. É como se um irmão me fechasse a porta. Fico amuado, me recolho, tento entender a razão da raiva. Não existe raiva, apenas necessidades.

Às vezes a sensação é de desistir. Largar tudo, não se importar mais. Aquela vontade de tirar o plug da tomada me acossa diariamente diante de certas situações. Você sente que a pressão é enorme, medonha, uma gosma vai se impregnando e o tchau, até nunca mais quase sai da garganta e se expande por todo o corpo. E aí eu me lembro que jogo no time das dificuldades, no que faz cozas, no que decide na hora de ser campeão. Meu coração pertence a isso e não posso desistir.

Há quem me ache falador, bocudo, o peixe que morre pela boca. Mas eu defendo o time mais vezes campeão. A História me socorre.

Porque eu não vou deixar que arrogantes pretensiosos deturpem ao seu bel prazer a vida do meu clube. Quer achar defeitos? Arrume argumentos. Este aqui é o Avaí, o que já nasceu campeão. Este aqui é assim mesmo como você vê. Ah, sei, quer ganhar na força, no tapetão, na arrumação de resultados? Quer fazer futebol de gavetas e de auditorias? Já bateu uma bolinha pelo menos, meu santo? Eu não chuto melancias, se quer saber.

Claro que você pode o que quiser, mas não atrapalhe. Não queira acabar com uma instituição por raivinha, ciúme ou dor de cotovelo.

Não vou aceitar, também, que imponham regras de conduta a mim, quando estou, exatamente, lutando pelo time. Era só o que faltava a camisa do meu Avaí misturada à minha própria pele sendo rasgada por quem chegou aqui ontem e nem sabe comer pirão com cocoroca, ou se engasga com espinha de tainha.

Não vou aceitar, por isso, que doidivanas decidam pelo meu destino. Incomodaram-se com as minhas falas? Foi contra alguns elementos da imprensa? Ou tem gente se borrando se eu decidir o título?

O peixe não é tanso, o jogo é jogado e quem quiser que se adapte a isso. Se não… vão arrumar o que fazer. Eu sou jogador do Avaí e mereço respeito. Mofas com a pomba na balaia, o, bocó!

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