A Granja preocupada

Os bichos cricri da famosa granja Comigo Boi Não Dança (ou mais conhecida pelas iniciais CBN-D), a Raposa Felpuda, maledicente e ardilosa, o Sapo Duende, encrenqueiro e eterno inconformado, o Gambá Pretibranqui, com a cara e os pelos pintados de emoção, o Ratão do Banhado, que não deu certo em lugar algum e acabou dando na Granja e o Morcego Moicano, que posa de intelectual para fazer gênero, cercaram o Ratão, cuja face estava peripatética e a baba havia secado.

– Que houve, rapaz? – quis saber o Sapo. – Que cara é essa?

– Puxei a descarga e aquele troço não desce. – disse, constrangido. – E ninguém dá jeito nisso.

O Sapo parou um pouco, pensativo. Relembrou os últimos acontecimentos do Ratão e perguntou:

– Mas o que foi que tu fizesse?

– Bom, tá lá boiando.

– Não, tô perguntando em relação ao Leão Galego.

– Ah, tá. É, fiz a mesma coisa…, Rapaz, fui mexer com ele e olha no que é que deu. Chutei até uma melancia de raiva e quase quebrei o pé. Agora vou andar manco por um bom tempo.

– Estão falando que o teu apelido lá nos rincões do Mato Grosso era Candinha – adiantou-se a Raposa. – De onde veio isso?

– Prefiro não comentar.

– Estou obervando o Circo do Deba daqui e percebo que o Leão Galego está belo e formoso, fora da jaula? – Mencionou o Morcego. – E quem foi que tirou a coleira dele? Esse bicho assim solto é um perigo. Vai comer todos os brócolis da Granja do Vizinho.

– E leão não come carne? – interessou-se o Gambá.

– Mas esse aí adora um brócolis. – confirmou o Morcego. – Por isso o perigo, intendessi?

– Ah, tinha um cachorrão pitbull careca latindo o tempo todo pra ele, mas o Leão Galego é mais forte – completou o Gambá Pretibranqui.

– Mas qual o motivo desse cachorrão querer atacar assim o Leão Galego? – questionou a Raposa, ajeitando o cachecol.

– Ele disse que o Leão Galego era muito folgado e que deveria ser mordido. – Informou o Gambá. – Ó, ele até deu um nome que eles usam no canil, entre eles, é… deixa eu ver… ah, tá, é TJD. Parece que é Tem Juba Demais. Um coisa assim.

– Só sei dizer que esse Leão Galego já arrumou briga com um monte de gente. – impôs o Ratão. – Ele chegou a brigar com outro só pra ter um lugar de destaque no Circo de Deba.

– Tu não me dix! – espantou-se o Sapo.

– Sei de fonte segura. – decretou o Ratão. – Por isso é que me chamam de Candinha.

– Uma coisa tem que ser dita – apaziguou o Sapo. – Se tem alguém que leva esse Circo do Deba nas costas é o Leão Galego. O número com os palhaços, com os macaquinhos e os malabaristas não tem a menor graça. A atração no Circo é o Leão Galego. Eu sei que não se chuta linguiça morta.

– Rapazi, – intrometeu-se a Raposa. – Eu sei de fonte segura que a Granja do Vizinho vai trazer o Obama para auxiliar a eles na horta.

– Miintiiira! – impôs o Gambá.

– Coisa horrorosa! – espantou-se a Raposa Felpuda, mordendo os dedos. – Mas como?

– Ele não gosta de brócolis. – afirmou o Gambá, rindo-se.

– Estamos precisando de afagos, é isso? – perguntou o Morcego. – Pra criar essas fofocas?

– Disso eu não sei, mas nossa rosquinha tá queimando faz tempo. – completou o Sapo, deixando a dentadura cair.

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3 pensamentos sobre “A Granja preocupada

  1. Ai, essa quase centenária ceninha de coitadinho, de armações astrais, complôs e maquineísmos contra quem nunca precisou de empurrão para se estatelar barranco abaixo. Quanto beicinho, quanto chorinho…

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