Para crescer é preciso fazer parte

Há muito tempo o torcedor avaiano não vive tantas expectativas decisivas como nos últimos anos. Desde o ano do acesso à conquista de três títulos estaduais, boas campanhas tanto na série A como na Copa do Brasil e até alguns bons jogos na Sulamericana, o torcedor mais rodado como eu vive os últimos anos em estado de graça. Verdade seja dita, embora tenhamos o dissabor de vivenciar um rebaixamento, também é importante dizer que isso faz parte da lógica do futebol, ainda mais em clubes do quilate do nosso. Ninguém morreu por causa disso.

Se no passado era um título a cada dez anos, uma participação medíocre nos campeonatos promovidos pelo regime militar e só, hoje até o leiaute do Avaí mudou, com camisas de jogo que circulam por toda a cidade e camisas de goleiros em homenagem às outras cidades do Estado, que fazem afluir o orgulho da gente que mora por lá. Em recente visita ao extremo oeste, ouvi depoimentos de moradores que nos parabenizavam por lembrar de suas terras, coisa que ninguém jamais fez por eles. E nem vou mencionar a estrutura da Ressacada, um belo palco de emoções.

A estrutura administrativa, por sua vez, abriu um canal de contato com o seu torcedor. Desde os mais afoitos aos mais recatados, todos podem se comunicar com o clube de maneira clara, honesta e justa. O email ouvidoria@avai.com.br é para ser usado pelo torcedor e as respostas são definidas de acordo com o seu grau de importância.

Porém, sair do semi-amadorismo para o profissionalismo em tão pouco tempo requer cuidados. Alguns erros aconteceram e vão ocorrer outros mais sim, senhor. Mas a crítica subsequente e o comentário agregado não podem ficar vinculados ao evento em si. Apontar falhas, tão-somente, é muito fácil e óbvio. Mas cadê a alternativa, a proposta sugestiva, a análise proativa?

Por isso eu penso que o torcedor avaiano, aquele que se preocupa com o clube, com o seu amadurecimento constante, com o crescimento inevitável deveria ser mais participativo. Não falo apenas em estar no estádio em dias de jogos, situação que já discuti à exaustão, mas fincar um marco, definir posturas, apresentar estratégias, ser realmente um elemento participativo na vida do clube.

Há, claro, os que torcem contra e os que apontam erros sem soluções, que é para manter as suas teses em evidência. Evidentemente que não é desses que falo e fariam um favor danado se se mantivessem distantes mesmo, acariciando suas insignificâncias. Criar partidos políticos que demandam contra o clube é de uma mediocridade tão tola que não vale ficar elucubrando sobre isso.

Eu falo é dos avaianos que querem ver o clube crescendo, pra frente, em avanço constante. Quem usufruirá disso é o próprio torcedor. Ele pode construir o seu clube sendo participativo, mostrando quais pontos devem ser corrigidos e onde pode ser aprimorado. Não é achar que a sua opinião, como um vaidoso incorrigível, terá mais valor. É a opinião da maioria que vale.

O Avaí deve ser mantido pelos avaianos e não por quem acha que descobriu a pólvora ou inventou a roda e, por isso, fica de cara feia cada vez que seu invento não entra na pauta.

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