Verdades e mentiras no mundo da mídia

Curiosa essa história implantada a marretadas que li na blogosfera de que não se deve contestar informações da mídia e que este comportamento só surge quando não se tem assuntos a tratar. Curiosa e sonsa. A gente sabe que muita gente do mundo midiático, de todos os lados, solta balões, que é para ver se o seu voa mais alto, principalmente se no seu balão houver um interesse maior (emprego, credenciais, acesso, exclusividade, etc). Por isso, duvidar do vôo de seu balão gera desconforto e dores de barriga. No mundo da informação, ter o balão voando mais alto suscita destaque e poder. Vaidades contrariadas e ataques de ciúme pipocam aqui e ali se o balão cair. Isso nos salta às vistas.

Mas há quem diga que temos jornalistas com confiabilidade por aí e que viver duvidando ou pegando no pé da imprensa é ruim.

Isso é, até onde eu sei, expressão de senso comum. Carece de melhores argumentos. E, obviamente, defesa de causas próprias.

O único lugar onde DEVE haver dogmas estabelecidos, verdades pétreas, é numa igreja. Lá, nas religiões, tudo o que se diz deve ser seguido à risca. Não existe, por ordem natural, céticos religiosos. O sujeito vai até uma igreja, o sacerdote enfia uma pastilha de trigo na sua boca, diz que é a carne de seu deus e o cara sai porta fora dizendo: “esse padre tá querendo me enganar”? Nada disso! Se o sujeito frequenta a igreja e é crente, ele sai acreditando que aquilo é carne e pronto e ai de quem duvidar. Ele defenderá aquilo até o fim de seu tempo. É assim com a religião, com a crença, com a fé. Não existem dúvidas. Não há meio termo.

Na sociedade comum, ao contrário, o que nos dá garantias de sobrevivência e avanço na vida é a dúvida, a curiosidade, o querer saber. Não se convive com verdades absolutas, dogmas estabelecidos ou fatos consumados. Tudo é razão de descrença. A humanidade avançou assim, duvidando.

Por essa razão, quando um jornalista nos manda suas informações fidedignas é hora de ficarmos atentos, pois é o tipo de profissional que mais forma opiniões na sociedade, que mais pode manipular dados e o que mais se favorece disso.

O jornalista que põe assuntos em nossos olhos e ouvidos está passando uma verdade dele, com a interpretação dele. Por mais próxima que a informação seja da realidade e por mais isento que seja, é ele quem viu e interpretou. E é bom que se diga que ele vive daquilo. Por isso é que corre sempre atrás do “furo”, da notícia em primeira mão, da essenciabilidade do momento. Atravessar o caminho de um jornalista com uma informação que era para ele noticiar provoca desconfortos e olhares atravessados.

O jornalista mais confiável e crível ainda assim possui os seus interesses, que fatalmente serão depositados na notícia que carrega. E que transmitiu aos outros. Por isso pode e deve ser contestado, uma vez que quanto mais a dúvida se apresenta mais haverá a tentativa de nos aproximarmos da verdade. E se pertence a uma grande corporação de mídia, então, aí, sim a dúvida cresce, se avoluma, como fermento na massa crua de pão.

Uma das atividades humanas onde mais nos aproximamos da verdade é a Ciência e mesmo assim ela é amplamente falseável e fortemente submetida à contestação. Portanto, de jornalistas, de qualquer um, que venha com o crachá de verdadeiro eu quero distância. Admiro aquele que põe dúvidas antes de arrotar que tem fontes seguras.

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