O triste abandono das nossas laterais

Por Don Mattos

Desde o ano passado que não há santo que dê jeito nas nossas laterais.

Elas que foram um dos pontos altos da campanha de 2011, hoje são a alegria das subidas inimigas.

É público e notório que o lado canhoto da grama do Scarpelli sempre foi muito forte, nomes como Lino, Triguinho, Fininho, Filipe, Michel Bastos, André Santos, Juninho sempre foram certeza de preocupação para os técnicos adversários. E ainda tivemos pelo lado direitoPaulo Sérgio, Lucas, Bruno entre outros que também fizeram jus ao privilégio de vestir a nossa camisa número 2. Agora, seja na 6 ou na 2, a coisa tá preocupante.

Comecemos pelo lado mais fácil.

Nossa lateral esquerda vive da torcida para que Saci não se lesione, e do marasmo de ver o eterno reserva Hélder entrando em campo para tirar a paz de espírito da alvinegrada. Por uma dessas bênçãos divinas dos deuses da bola, Hélder foi defenestrado da nossa folha salarial. Um raro caso de demissão que representa o mesmo que um reforço. Wellington Saci tem potencial, e isso não é de hoje. É um jogador de muito futuro desde o tempo que surgiu lá no Corinthians. O problema é que já faz tempo que ele é um jogador de futuro, uma promessa, e já está quase com o status de promessa não cumprida. Começou o ano muito timidamente, mas no returno passou a jogar uma bola mais caprichada. Deu toda pinta de que resolveria a nossa lateral canhota, se destacando tanto pela técnica, que acabou sendo usado no meio de campo, onde ainda penamos pela falta de criatividade, quanto pela velocidade nas subidas ao fundo do campo. O problema é que veio a lesão.

E o problema do problema, é que esse problema não é de hoje. O histórico de lesões do rapaz vem desde os tempos de Corinthians, passando a reprise deste filme no Bahia e Atlético Paranaense, e agora também no Scarpelli. Sinto tanto por nós quanto pelo atleta. Não sei se trata-se de um caso de chinelinho, como existem tantos por aí (um abraço todo especial para o Vinícius Pacheco!), mas o tempo que o rapaz passa fora de combate é preocupante. Saci é rápido, um dos poucos do elenco de 2013 que erra poucos passes, chega bem ao fundo e sabe cruzar (outro abraço para o Hélder-já-vai-tarde). Saci ainda tem bom arremate de fora da área e é um razoável cobrador de faltas. Pela habilidade e técnica que possui, pode sim cair para o meio, mas isso só é interessante se tivermos alguém de igual capacidade para cobrir a carência da nossa lateral.

Resumo da ópera canhota, se Saci estiver bem, a lateral é dele e ninguém tasca. O problema é que ele quase nunca está bem.

Na ausência do nosso camisa 6 titular, Adilson experimentou jogar Gérson Magrão para aquele lado do campo. Ele já fez essa função em outros times, mas deixou claro que não é o lugar onde mais gosta de jogar. E, na minha opinião, também não é o local onde ele pode render melhor, mas dele eu falo quando chegar na meiúca.

Ou seja, precisamos de mais uma opção de bom nível para a lateral esquerda. Saci é bom, mas não é confiável, pode nos deixar na mão de uma hora para outra. O ideal é que tenhamos nas laterais algo parecido com o que era nossa lateral direita em 2010, faltava o Lucas, entrava o Bruno e tudo seguia lindo e maravilhoso.

Para tentar suprir esta carência, acertamos com Henrique Miranda, do São Paulo. Confesso que não conheço a bola do rapaz, vamos tocando com a mesma sensação das outras contratações confirmadas até aqui: esperar pra ver no que vai dar. Espero que se destaque do mesmo jeito que se destacou Wellington Nem. Na época, ninguém sabia que raios era Wellington Nem, apenas que tinha sido destaque da base tricolor carioca. Algo parecido agora com o caso de Henrique Miranda. Que se repita a história de sucesso, essa é a torcida!

Mas falemos da lateral direita, é lá que o bicho pega.

Começamos o ano com o Peter, jogador que já tinha passado por aqui e teve tanto destaque, mas tanto destaque, que quase ninguém lembrava disso. Foi fraco na primeira passagem, pior ainda nesta segunda. Se ele quer realmente viver no mundo da bola, devia tentar uma vaguinha de roupeiro, pois querer me convencer que é jogador profissional é forçar a amizade. O cara é tão meia boca que não foram precisas muitas partidas para ser afastado do elenco e, para substituí-lo, num daqueles magistrais cases de inteligência corporativa e precisão na hora de contratar, os cartolas de Wilfredo Berlusconi trouxeram André Rocha. Nem se importaram com o fato de que o rapaz estava sem jogar desde maio de 2012. Isso, para nossos gestores da bola, é só um detalhe. André Rocha tem o mesmo potencial de Guti, pode ser uma excelente opção para o Metropolitano, não para o Figueira. Fraco na marcação e pouco produtivo no ataque, quem vai querer um lateral desses?

Fazendo-se valer da estratégia científica extremamente eficaz do “não tem tu vai tu mesmo”, sobrou para Maylson assumir o lado direito do campo. Maylson é um jogador razoável, acho que merece permanecer no elenco. Não como titular, mas é um bom reserva. Versátil, capaz de executar mais de uma função em campo, exatamente do jeitinho que o Adilsão velho de guerra gosta. Acontece que lá no início do ano, Maylson atuou como segundo volante, terceiro homem do meio de campo, sempre infiltrando em diagonal ou pelo meio como homem surpresa. Algo parecido com o que o Henrique fazia no nosso time de 2007, mas sem tanta qualidade. Jogando naquela faixa do gramado, Maylson rendeu mais, tanto que marcou os seus golzinhos no primeiro turno através destas infiltrações. Agora, atuando como lateral direito, já não tem o mesmo destaque. Não compromete como os outros dois que dizem ser laterais de ofício, mas também não é nem a sombra do cadarço da chuteira esquerda de trava baixa do Bruno.

Como tentativa de solucionar nossa carência, trouxemos William. Vamos ver se o rapaz vinga, mas é mais uma aposta do cartola que prometeu um time de série A. O menino pode vingar, pode acontecer, mas nossa situação não nos permite esse tipo de risco, precisamos urgentemente de alguém rodado, que conheça os atalhos do campo e com a malandragem exigida por uma série B. Não podemos nos sujeitar a experiências com quase meio ano passado.

Ou seja, mantém William pra ver se vinga e garante o rapaz, ao menos, como uma boa opção no elenco. Mas corre atrás urgentemente de um lateral direito de verdade, que chegue e assuma a posição de titular com autoridade, sem deixar margens para dúvidas.

Em suma, um titular para a direita e um bom reserva para a esquerda, e a cozinha alvinegra começa a ficar organizada. Estando a cozinha em ordem, é correr atrás de um bom e feroz pit bull para proteger nosso quintal, mas esse papo fica para segunda.

Saudações Alvinegras!

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