A federação que não nos representa

Talvez tenha passado despercebido para muita gente, principalmente para as torcidas adversárias e para a mídia tradicional, mas na cerimônia de encerramento do Chevroletão 2013, promovida pela fcf (em minúsculas mesmo), lá no estádio da Chapecoense, não havia a bandeira do Avaí Futebol Clube, o mais vezes campeão desta competição, e o fundador desta federação, ato que encerra com chave de latão o que foi este campeonato. Isto é sério! A alegação de esquecimento dada pelo sujeito que ocupa a cadeira de presidente, um tal de Delfim, foi risível. Denota desprezo. Surge a suspeita, é claro, de que foi de caso pensado.

Claro que levantar hipóteses de que aquela entidade renega os avaianos é levado como conspiracionismo e desdém. Alguns riem pelos cantos das bocas. As pessoas, de modo geral, para não se comprometer, preferem dar como natural e normal uma situação assim. Vivem numa zona de conforto onde pensar requer energia. É adequado. É apropriado. Até que o clube delas também seja prejudicado algum dia. A declaração do sujeito que ocupa a cadeira de presidente da federação para uma rádio, chamando a torcida do Criciúma presente em Chapecó de meia dúzia de marginais é séria. É indigna. Precisa ser mais bem avaliada.

A federação catarinense de futebol, comandada pelo tal de Delfim, fez um campeonato desorganizado. Diversos fatores ocorreram por completa falta de estrutura adequada em muitos estádios. Houve erros assombrosos de arbitragem, onde um deles decidiu o finalista da competição. A mesma federação se omitiu quando o maior craque da competição foi vergonhosamente perseguido por auditores do tribunal. Além, é claro, da história do patrocínio pela montadora GM, explanado pelo blogueiro André Tarnowsky em seu blog.

Essas coisas não são motivos para extinguir o campeonato estadual, muito pelo contrário. O campeonato catarinense, na minha opinião, deve continuar, pois as rivalidades existentes fazem com que os clubes tendam a se organizar melhor, e se mantenha um espírito competitivo saudável em nosso quintal. Mas que a federação tome outro rumo, passe a tratar todos os clubes com igualdade de condições, com imparcialidade e isonomia, mantendo uma organização com um mínimo de dignidade. Uma entidade como essa não pode existir para faturar com as rendas dos jogos e fazer convescotes para seus apaniguados. Ela deve organizar o campeonato para que um campeão ganhe sem contestações, que seja honestamente declarado como o melhor de todos.

O campeonato, como se percebeu, foi levado com irresponsabilidade, com leniência, ajudado por uma mídia cooperativa, que destaca aquilo que lhe parece interessante ou conveniente, e que se dedica a apenas dar notas para alimentar colunas sociais, ou para nutrir o ego já há muito inflado do tal de Delfim.

Enquanto isso, os dirigentes têm que se acomodar às regras rançosas e decadentes, assumindo uma parcela de culpa pela estrutura emparanhada da federação com prazo de validade vencido. Daqui para frente é necessário que se reveja muitos conceitos. Os torcedores que admiram o futebol bem organizado querem o tal de Delfim fora da entidade, para início de conversa.

Do contrário, no futuro, alguns clubes podem e deve começar a montar ligas paralelas e abandonar a entidade de futebol que não nos representa.

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