Dá para ter esperanças na Série B 2013?

Por Don Mattos

E bradou do alto do monte da Avenida Santa Catarina, o Senhor barrigudo da caneta alvinegra: “Que venha Adilson Batista!”.

Ele veio, e a alvinegrada fiel acreditou que isso era bom.

Poderia ser, poderia estar sendo, pode até vir a ser, mas não tem sido.

Adilson Batista, quando tem a sua disposição um elenco com alguma qualidade, monta sim bons times. Prova disso é o trabalho que fez conosco em 2005/2006, e também o seu trabalho a frente do Cruzeiro.

O que tem prejudicado o seu trabalho nesta segunda passagem pelo Estreito é o somatório de dois fatores: jogadores ruins + teimosia.

Nosso elenco é fraco, carente de peças em praticamente todas as posições e não possui um craque, alguém que assuma a responsabilidade de chamar a boleirada na chincha dentro de campo e botar ordem na casa alvinegra. Não temos um craque, não temos um líder, e ambos estão nos fazendo muita falta.

Time vencedor costuma contar com um atleta diferenciado ou com um elenco forte, não temos nenhum dos dois. Soma-se a isso a teimosia tática de Adilson Batista, suas manias de brincar de esconde-esconde até em jogo treino e a insistência em usar jogadores deslocados de suas funções de origem, e dá no que tem dado: futebolzinho chinfrim.

Na vitória sobre o Arapongas, por exemplo, sofremos muito pela falta de um atleta que organizasse o meio de campo. Gérson Magrão, contratado para cumprir esta função, atuou de ala esquerdo, enquanto Wellington Saci, contratado para lateral esquerdo, antes da lesão estava atuando mais de meia do que ala. No jogo de quarta-feira, o meia jogou de lateral e o lateral ficou no banco.

Gosto do Adilson Batista, mas não está me agradando esta sua segunda passagem. Ok, tivemos muitos problemas com lesão e não foi possível estabelecer qual é o nosso time titular. Mas, ainda assim, não se percebe uma evolução tática no desempenho da equipe.

Além disto, o discurso do nosso treineiro tem se afastado cada vez mais de uma das características que sempre esteve presente no paranaense: personalidade. O discurso vazio, respostas inconclusivas, a tentativa insistente de confundir os repórteres que o entrevistam tem dado a entender que está totalmente adaptado e integrado ao modus operandi de Wilfredo Berlusconi. Uma pena.

Adilson Batista nunca foi técnico de baixar a bola para presidente. Respeito pela hierarquia é uma coisa, conivência é outra, mas parece que as duas coisas têm se misturado um pouco na conduta do Adilsão velho de guerra.

O discurso que tenta responsabilizar o torcedor pelo insucesso do time é mais irritante do que fiapo de cana entre os dentes. A torcida está distante, fria, quase indiferente? Está, mas é apenas a resposta natural à maneira distante, fria e indiferente com que ela tem sido tratada pelos nossos cartolas já há alguns anos.

Além disso tudo, a parte mais deficitária da nossa comissão técnica é a preparação física. Ou estamos contratando uma carrada de chinelinhos para jogar bola, ou o pessoal da preparação física não passa de estagiários de cursos à distância de alguma formação técnica em radiologia. Não é admissível que hoje em dia, com toda a tecnologia disponível nesta área, ainda fiquemos tanto tempo sem peças importantes do time. Com uma gota de sangue é possível verificar o nível de desgaste dos atletas após as partidas, qual está correndo risco de se lesionar, e, deste modo, uma partida de repouso pode evitar 4 meses no DM. Mas parece que estas tecnologias ainda não chegaram ao conhecimento do departamento médico alvinegro.

A série B é um campeonato duro, pegado, que exige muita força física e velocidade. Se não for feita uma verdadeira revolução no nosso departamento médico, terminaremos o ano do mesmo jeito que começamos, usando lesões como justificativa para o insucesso dentro de campo.

Agora a série B chegou e certamente vai ser um campeonato bem difícil. Amanhã estrearemos dentro de casa já com a obrigação pela conquista dos três primeiros pontos. Desde a semana passada, tratei neste espaço de cada uma das posições e, de lá pra cá, não veio a tal da grande contratação e nem de longe temos o propalado time de série A, prometido por Wilfredo Berlusconi. Não veio Chicão, não veio Fabrício, não veio Zé Carlos, mas veio um caminhão de novas apostas.

Não vimos entre os recém-chegados aquele que tenha vindo para assumir a titularidade inquestionável. Todos serão testados em treinos secretos realizados nos espaços vagos entre os oito jogos que faremos nos próximos 25 dias. Vai ser uma maratona extensa, pesada para um time que após metade do ano transcorrido, continua em formação e com pinta de pré-temporada.

Sinceramente? Não estou esperançoso.

Torcerei fervorosamente como sempre faço, mas o que vi de janeiro até aqui me leva a crer que 2013 será um ano perdido, repleto de rescisões contratuais das inúmeras apostas que deixarão ainda mais preocupante a situação da nossa combalida conta bancária.

Espero estar errado, mas prevejo um ano aonde provavelmente chegaremos ao fim da série B brigando com o Asa de Arapiraca pela honrosa décima colocação.

A expectativa não é das melhores, mas a esperança sempre vestiu o mesmo tom de verde das folhas da Figueira.

Sendo assim, que venha a série B.

Saudações Alvinegras!

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