Sócrates e as fofocas

Um homem, procurou um sábio e disse-lhe:

– Preciso contar-lhe algo sobre alguém! Você não imagina o que me contaram a respeito de…

Nem chegou a terminar a frase, quando o sábio ergueu os olhos do livro que lia e perguntou:

– Espere um pouco. O que vai me contar já passou pelo crivo das três peneiras?

– Peneiras? Que peneiras?

– Sim. A primeira é a da verdade. Você tem certeza de que o que vai me contar é absolutamente verdadeiro?

– Não. Como posso saber? O que sei foi o que me contaram!

– Então suas palavras já vazaram a primeira peneira. Vamos então para a segunda peneira: a bondade. O que vai me contar, gostaria que os outros também dissessem a seu respeito?

– Não! Absolutamente, não!

– Então suas palavras vazaram, também, a segunda peneira. Vamos agora para a terceira peneira: a necessidade. Você acha mesmo necessário contar-me esse fato, ou mesmo passá-lo adiante? Resolve alguma coisa? Ajuda alguém? Melhora alguma coisa?

– Não…Passando pelo crivo das três peneiras, compreendi que nada me resta do que iria contar.

E o sábio sorrindo concluiu:

– Se passar pelas três peneiras, conte! Tanto eu, quanto você e os outros iremos nos beneficiar. Caso contrário, esqueça e enterre tudo. Será uma fofoca a menos para envenenar o ambiente e fomentar a discórdia entre irmãos. Devemos ser sempre a estação terminal de qualquer comentário infeliz! Da próxima vez que ouvir algo, antes de ceder ao impulso de passá-lo adiante, submeta-o ao crivo das três peneiras, porque: Pessoas sábias falam sobre idéias; Pessoas comuns falam sobre coisas; Pessoas medíocres falam sobre pessoas.

A demissão do treinador de bases do Avaí, o professor Mesquista, foi algo que nos encheu de tristeza. Afinal, como profissional da área, nada temos a dirimir de suas atividades. Mas a diretoria do Avaí tomou uma decisão baseada em ocorrências que ela própria encontrou e achou por bem assumir.

Não sou moralista e abomino o tal do politicamente correto, mas penso que, se alguém quer ajudar ao Avaí, seja quem for, não é com levantamento de hipóteses ou incentivo às fofocas que vamos chegar a algum lugar.

A fase dos egos exacerbados e das vaidades alucinadas tem que ter um basta.

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Gigante sonolento

Lendo as manifestações de Marquinhos Santos e de alguns outros jogadores importantes do Avaí acerca da chegada do técnico e de sua forma de treinamento, chego à conclusão que estamos num caminho aceitável para a re-estréia na Série B. Há uma motivação pelo novo trabalho do Zé Maria. Aos menos há empolgação.

É certo que, na maioria dos times de futebol por aí, quando falta até isso é porque a vaca já foi lavar os úberes na poça. Com bezerrinho e tudo. Dessa forma, de certo modo no quesito tamos aí para o que der e vier o time da Ressacada está disposto.

Acho, contudo, que ainda falta a alma avaiana. Não vou fazer discurso piegas pela Nossa Senhora do sei lá o quê. Isso não me importa. Muito menos por uma convocação chorosa e lamurienta por torcedores, com direito a videozinho editado. Isso é hipocrisia. A gente tem que estar com o time em todas as horas e não naquela em que o sapato fica menor que o pé.

Se alguém não sabe o que é isso, essa alma, lembre do desfile de joelhos do zagueiro Émerson, naquele novembro de 2010, pelo gramado da Ressacada. Alma avaiana palpitando em corações de leões é aquilo. O avaiano se sobressai quando o lugar fica comum e trivial. Poucos avaianos, é claro!

Mas a alma avaiana também está no meio da torcida e se estende no gramado. Essa empolgação é que está faltando. Os próprios jogadores lançam um discurso cheio de efeitos especiais, mas é vazio, solto, mesmo que o profissionalismo exacerbe. Porque eles mesmos sabem que falta mais alguma coisa.

Durante muito tempo se exigiu da direção um upgrade, isso e mais aquilo, e tudo isso agora está aí. O que a gente mais ouvia em todos os lugares eram imposições para um time melhor e o treinador dos sonhos. Se foram levantadas faixas da necessidade de um time e de algo a mais pelo qual torcer, isto voltou. Do que reclamaria o torcedor avaiano agora? Ou, o que lhe falta?

Muita gente diz que panela velha é o que faz comida boa, pois eu afirmo, como bom piloto de fogão, que a panela adequada é o que produz um bom prato. E um caldeirão devidamente aquecido dará a este prato um sabor melhor. O famoso caldeirão da Ressacada, que poucas vezes existiu, precisa voltar.

Esta empolgação é o que falta pelo que se percebe. O discurso por melhorias não cabe mais. O que falta é cobrir as arquibancadas azuis de gente. Todavia, mesmo que o Avaí estréie amanhã na Ressacada, com tudo isto que está aí, ainda assim faltará público, percebe-se.

A culpa não vai ser de ninguém, evidentemente, se a torcida faltar, mas a participação do torcedor é necessária. É importante. Chega de pretextos. O gigante da Ressacada ainda não acordou e precisa de uma boa insônia.

Esperanças renovadas

Neste mês de Junho tumultuado, onde montes de adolescentes mimados, classe média frustrada e baderneiros fascistas invadiram as ruas de todo o país, com a Copa das Confederações apresentando jogos de bom nível técnico, e com o frio que se arvora aos poucos por aí, o Avaí, de molho, apresentou seu técnico, campeão do Estadual 2012 e fracasso na série B do mesmo ano, e segue a vida tentando ajeitar seu time para ser campeão desta competição.

Muito se tem dito a respeito deste treinador, misto de dublê de Salvador da pátria a Messias redivivo, porém, como todo treinador, se não houver um grupo que jogue junto e com necessidade de vitórias e conquistas, pouco poderá fazer. Quando muito uma animaçãozinha à beira do gramado.

O tipo de jogo de Hémerson Maria todos conhecem. Ele mantém seus times jogando avançados, preserva a posse de bola e faz marcação com dois volantes e uma cobertura solta. Jogou assim com o time do Avaí campeão do Estadual, fez a mesma coisa com o Red Bull do interior paulista e manteve o mesmo esquema com o CRAC lá do Pantanal. Não há mistérios. A grande expectativa é que terá em suas mãos um time com jogadores  mais experientes e qualificados, coisa que pode render bons frutos.

A vantagem de um esquema assim é que as variações táticas são espontâneas. Pode atuar num 4-5-1 italiano ou num 4-2-3-1 ao estilo de uma seleção argentina ou brasileira. Isso se não surgir o 4-4-2 clássico. É um tipo de jogo com a participação de todos os atletas em campo, que mudam as posturas de acordo com as características de jogo.

A principal desvantagem é que o gás de muitos jogadores acaba antes de se resolver a partida. Com toda a certeza, uma vez que a preparação física deste time do Avaí neste ano é frágil, teremos jogos onde nos minutos finais os times adversários vão bufar dentro de nossa defesa. E como ela não é assim uma Cônsul Windows XP, fatalmente os corações na Ressacada sairão pela boca mais uma vez.

Tudo isso implica em que? Que a preparação física do grupo de jogadores do Avaí comece, efetivamente, a dispor um time em campo. E que as portas do Kobrasol e El Divino se fechem.

Ajustando essas coisinhas básicas, certamente as ruas estarão cheias na Beira-Mar no fim do ano e não serão por protestos frouxos.

Para não dizer que não falei de espinhos

Sou um sujeito politizado. Tenho formação na construção da democracia em nosso país desde os tempos de movimento estudantil. Participei da Novembrada, do movimento Diretas-Já, da Frente Popular que quase elegeu Lula, em 1989, que depois foi derrotado nas urnas por Fernando Collor, e que renunciou graças aos movimentos Fora Collor!, do qual também participei. Estive sempre lá. Mas não gosto e nunca me senti confortável em misturar política com futebol.

Boa parte destas manifestações que assolam nosso Brasil trazem o mote da construção dos estádios para a Copa, além de outras demandas. A alegação é que foram superfaturados ou tiveram muito dinheiro envolvido nas construções. De certa forma, há motivos para as caras feias, mas os canais estão misturados, pois é só um desculpa para emparedar o governo federal e dar um golpe.

A boa e velha fórmula de despolitizar e apartidarizar movimentos sociais, levar as bandeiras de luta para objetivos dispersos, é uma receita infalível para os reacionários se arvorarem como donos da moral e dos bons costumes. E o futebol foi colocado nessa bacia de água fervente.

Estou tentando há dias escrever algo sobre o Avaí, sobre a série B, sobre a reformatação do time do Sul da Ilha, mas a minha indignação com a condução por rebeldes do Taleban para estas manifestações mexeram com meu emocional. De repente, gente que eu imaginava centrada e cordata extrapolou e começa a não apenas vir com as velhas ofensas e insultos, mas agora com ameaças, baseadas no discurso fascista. Mussolini está sorrindo no inferno. A democracia, tão bradada aos quatros ventos nos últimos dias, exige o contraditório.

Vou ficar na minha por enquanto, não que tenha medo do pau, mas para evitar que os advogados encham suas agendas. Só pra lembrar, incitação à violência é crime previsto no código penal.

A volta que o mundo dá

Frequentemente eu vejo torcedores brasileiros e, mais particularmente, os do nosso quintal, a incentivar os gostos, atos e condutas do futebol europeu, dito à exaustão como mais organizado, eficaz esportivamente e financeiramente mais rentável. De tudo se ouve, lê e vê em relação ao futebol jogado no Velho Mundo e sua estrutura organizacional. As comparações, então, avançam de uma simples apreciação para deslumbres que atingem as raias da baba patológica. Os olhos rútilos são inúmeros quando um time europeu entra em campo, ou quando a TV apresenta uma partida deles.

Em eventos como a Champions League o desdém às nossas coisas chega a ser patético, tamanha a cooptação que se faz à Europa e seus costumes.

Os jogadores são melhores, mais rápidos, sua preparação é exemplar, a remuneração é apropriada, os patrocínios são dignos e até, como não poderia faltar, os uniformes são os melhores da galáxia. Tudo no continente europeu é bem melhor do que o do Brasil.

É o que eu sempre chamo de síndrome de grife.

Agora que estamos convivendo com a realidade de uma Copa do Mundo, quando toda essa estrutura e realidade desceram em nosso país, em alguns momentos até empurrada goela abaixo, aquela organização tão babada anteriomente é execrada, negada e insultada. Torcedores que antes admiravam todo o aparato doladelá do Atlântico começam a se manifestar contra tudo isso, porque foge da realidade do futebol brasileiro. Se até então o melhor era o que eles faziam, agora é uma imposição de valores, de ruptura cultural, de uma nova onda de invasão.

Eu, que me divirto muito com estas incoerências, só constato que o mundo dá voltas e nada como um dia após o outro.

A sétima maior torcida do país !

No Brasileirão, torcida tricolor ganha projeção nacional

Criciúma tem o 7º maior público do Campeonato Brasileiro

Por Engeplus, em 14 de junho de 2013

Foto: Marcelo de Bona

Conhecida pela sua força no apoio ao time, a empolgação da torcida tricolor começa a ganhar projeção nacional com o Criciúma na disputa do Campeonato Brasileiro da Série A. Nos cinco primeiros jogos do Brasileirão a galera do Tigre já deu uma amostra do que é capaz, e garantiu ao Criciúma a 7ª maior média de público da competição nacional, com 13.177 torcedores por jogo, além de comparecer em grande número nas partidas realizadas longe do estádio Heriberto Hülse.

A lista com as dez maiores médias de público neste início de Brasileirão é formada pelos seguintes times: 1º Corinthians (28.176), 2º Santos (24.669), 3º Goiás (18.446), 4º Coritiba (15.519), 5º Cruzeiro (14.204), 6º Grêmio (13.714), 7º Criciúma (13.177), 8º Náutico (11.718), 9º Bahia (9.317) e 10º São Paulo (8.486).