Pegando jacaré nas ondas do rádio

Desde criança eu sempre gostei de acompanhar jogos de futebol pelo rádio. A dinâmica da narração, a magia da palavra, a empolgação, tudo isso me cativava. Um velho Frahm de meu pai me serviu bastante para, nas tardes de domingo, acompanhar os jogos. Claro, a TV mostrava as partidas, mas eu sempre fui refratário a isso e principalmente quando eram jogos de meu time. Ou assisto ao vivo, no estádio, ou ouço pelo rádio.

E nesta sexta-feira novamente minha escolha para acompanhar mais um jogo do Avaí foi pelo rádio. Primeiro captei pela internet uma estação de Juazeiro, local da partida, graças a uma dica dada pelo meu amigo Adriano Assis. Mas como os caras eram muito ruins, preferi as estações locais. Lamentavelmente, meu rádio não está me ajudando e a estação que melhor capta é a da rede famosa, para meu desespero. obviamente que o sinal deles é mais amplo e pega em qualquer caixinha de abelha.

Porém, a noite foi recompensada com um divertimento garantido numa sessão-pastelão ao vivo pelas ondas do rádio.

Ressalto, antes, que tentar entender alguma coisa relevante do comentarista bocó da rede famosa é uma lástima. Cheio de frases de efeitos, de ditados chatos, provérbios toscos, o homem se acha a última bolachinha no pacote. E com o Avaí jogando mal, então, a desgraça é completa. Curioso é que a gente vai para o twitter e vê algumas pessoas que se dizem inteligentes, entendidas, que posam de espertas usando as mesmas palavras do sujeito. É uma festa! Bom, mas como tinha que acompanhar o jogo, tive que me submeter àquilo tudo.

Mas eis que, lá pelas tantas, quando o time do Avaí parecia ter entrado no jogo e engatilhado algumas boas jogadas, chegando a fazer um gol para diminuir a vantagem contra, há o gol de empate e o sinal da TV cai. E aí, apagão na transmissão pelo rádio também. Aliás, parece que virou moda apagão em transmissões do Avaí. Bom, mas esse apagão acaba por revelar outra coisa. A transmissão da rádio estava sendo feito pela TV. Você sabia disso? Eu não sabia.

Só haviam mandado o repórter de campo para o local e narrador e comentaristas faziam o resto do serviço daqui, de Florianópolis. Nada contra, contenção de despesas é assim mesmo, mas fica estranho a famosa rádio, aquela que trocas as notícias, informar em suas chamadas que acompanha ao vivo os jogos. Confessa, você aí que acompanha os jogos pelas rádios, não se sente meio enganado, meio lesado?

Entretanto, se fosse só isso, já seria bucólico. Eis que, de repente, o repórter, demonstrando extrema competência, assume a transmissão e não apenas narra o jogo, mas comenta e faz a própria reportagem de campo. Três em um sem a menor cerimônia. Você já havia visto isso?

Logo em seguida, o narrador faz uma espécie de telefone sem fio e começa a narrar o jogo com a ajudar do repórter lá em Juazeiro. Tudo bem, se viraram nos trinta com o que dava. Mas a maior patetada vinha a seguir. Sem assistir ao jogo, o famoso e folclórico comentarista começa a comentar (ops!) sem ver. Inventa o jogo, comenta o que não está assistindo.

E depois meia dúzia de alucinados vem defender essa patacoada que é a rede famosa.

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