Missão dada para se cumprir

O jogo desta terça-feira é decisivo para muita gente no Avaí. Acabou a conversa mole juvenil, pois agora o papo é com os adultos. Não haverá mais desculpas e nem senões. Se na semana passada fomos cirurgicamente roubados, também é bom dizer que o time não teve forças para superar os reveses, ainda que eu pense que qualquer tentativa do Avaí seria podada.

A diretoria avaiana tem feito aquilo que lhe é possível dentro das capacidades do clube. A propósito, fez até além do que somos capazes. Muito clube bom do Brasil, inclusive alguns de série A, gostariam imensamente de ter o nosso elenco. Os bocas alugadas da mídia e seus seguidores, evidentemente, não concordam, até porque eles têm que fazer jus aos seus salários, ou satisfazer os seguidores em seus blogs. O que falta à direção avaiana, aí sim, é exigir compromisso e seriedade. Tomar decisões pontuais com determinados jogadores. Fazê-los compreender que uma esticada inocente depois do treino pode comprometer todo um projeto. Isso é responsabilidade da direção diretamente.

O grupo de jogadores do Avaí desta temporada, por sua vez, tem que se mostrar capaz de impor a sua condição de time que quer subir. Honestamente, nem estou me incomodando com o resultado. Claro que os três pontos serão importantíssimos e tem que ser buscados, mas o que quero ver mesmo  é postura em campo. Vontade de vencer. Bom arranjo tático. Jogadores entendendo a situação e ligados em suas responsabilidades. Perceber que jogar Série B é para os fortes. Agindo assim, não terei mais dúvidas do que este grupo será capaz.

Grande parte da responsabilidade, evidentemente, recairá nas costas do técnico Ricardinho. Embora eu não seja daqueles a dar todo esse encargo aos técnicos de modo geral, é preciso, contudo, que ele saiba dispor o seu grupo em campo. É o mínimo que se espera de um técnico. Dessa forma, sabendo que precisamos de um esquema mais ofensivo e com marcação equilibrada e dura, Ricardinho tem à sua mão a chance de se manter na Ressacada por um longo período. Não é difícil, pois material humano está disponível. Mas, como sempre digo, fazer boa comida não depende apenas dos bons temperos. É necessário conhecimento, criatividade e oportunidade.

Uma parte importante desse troço todo cabe ao torcedor também. Em algum momento o torcedor avaiano tem que deixar os ranços de lado e comparecer. Chega de desculpinha furada, dessa patética mania de querer achar defeitos em tudo, de achar erros para pendurar melancia no pescoço e de ser oportunista. Fazer protestos toscos por internet, encher um blog de palavrões para arregimentar seguidores é coisa de mané, não de torcedor. Antes de sair por aí fazendo exigências alucinadas, muita gente tem que arregaçar as mangas e participar.

Alguns boca moles por aí (grato, Marquinhos!) pensam que é só na boa, com time jogando o fino que se deve apoiar. Sem coragem para admitir que são preguiçosos inventam teses mirabolantes. Dia destes li que a capitalização do futebol afugenta torcedores. E o cara que defende isso frequentou banco de escola, veja só! Coitados daqueles professores que perderam tempo com ele. Mas, é bom saber, estes fazem parte da nata intelectual da Ressacada, dos que não tapam o sol com a peneira e nem defendem o indefensável. São espertíssimos. Assim, é hora de eles também participarem com todo esse gabarito.

Por isso, jogo decisivo na Ressacada é jogo para os burros irem, claro. Aqueles que apóiam em todas, que não se importam com tempo ruim, com chuva, frio, vento, fila e preços de ingressos. Aliás, são tão burros que alguns viram sócios, já visse disso?, aí o preço por jogo diminui e nem tem que ir de última hora tomar uma fila medonha para comprar ingressos, arriscando ficar de fora do jogo. Os torcedores que se antecipam, realmente, são uns tansos.

Os torcedores inteligentes, por outro lado, dependem de promoções ou de amigos que lhes dêem um cantinho nos camarotes, como aqueles cachorrinhos que são abandonados ao relento, não tem? Os burros vão de qualquer jeito, afinal, é jogo do Leão. E eu me divirto porque os tais torcedores inteligentes e espertos agora querem uma vaguinha no grupo dos burros. É a vida, bebê!

E antes que a tropa de choque de plantão venha me importunar, primeiro paguem ingressos ou sejam sócios, depois, vão ao estádio torcer. Mas antes, bem antes, vão ler um livro e se instruir, porque querer me dar de dedos sem nem saber conjugar verbos, usar concordância nominal ou a crase é risível.

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