Gigante sonolento

Lendo as manifestações de Marquinhos Santos e de alguns outros jogadores importantes do Avaí acerca da chegada do técnico e de sua forma de treinamento, chego à conclusão que estamos num caminho aceitável para a re-estréia na Série B. Há uma motivação pelo novo trabalho do Zé Maria. Aos menos há empolgação.

É certo que, na maioria dos times de futebol por aí, quando falta até isso é porque a vaca já foi lavar os úberes na poça. Com bezerrinho e tudo. Dessa forma, de certo modo no quesito tamos aí para o que der e vier o time da Ressacada está disposto.

Acho, contudo, que ainda falta a alma avaiana. Não vou fazer discurso piegas pela Nossa Senhora do sei lá o quê. Isso não me importa. Muito menos por uma convocação chorosa e lamurienta por torcedores, com direito a videozinho editado. Isso é hipocrisia. A gente tem que estar com o time em todas as horas e não naquela em que o sapato fica menor que o pé.

Se alguém não sabe o que é isso, essa alma, lembre do desfile de joelhos do zagueiro Émerson, naquele novembro de 2010, pelo gramado da Ressacada. Alma avaiana palpitando em corações de leões é aquilo. O avaiano se sobressai quando o lugar fica comum e trivial. Poucos avaianos, é claro!

Mas a alma avaiana também está no meio da torcida e se estende no gramado. Essa empolgação é que está faltando. Os próprios jogadores lançam um discurso cheio de efeitos especiais, mas é vazio, solto, mesmo que o profissionalismo exacerbe. Porque eles mesmos sabem que falta mais alguma coisa.

Durante muito tempo se exigiu da direção um upgrade, isso e mais aquilo, e tudo isso agora está aí. O que a gente mais ouvia em todos os lugares eram imposições para um time melhor e o treinador dos sonhos. Se foram levantadas faixas da necessidade de um time e de algo a mais pelo qual torcer, isto voltou. Do que reclamaria o torcedor avaiano agora? Ou, o que lhe falta?

Muita gente diz que panela velha é o que faz comida boa, pois eu afirmo, como bom piloto de fogão, que a panela adequada é o que produz um bom prato. E um caldeirão devidamente aquecido dará a este prato um sabor melhor. O famoso caldeirão da Ressacada, que poucas vezes existiu, precisa voltar.

Esta empolgação é o que falta pelo que se percebe. O discurso por melhorias não cabe mais. O que falta é cobrir as arquibancadas azuis de gente. Todavia, mesmo que o Avaí estréie amanhã na Ressacada, com tudo isto que está aí, ainda assim faltará público, percebe-se.

A culpa não vai ser de ninguém, evidentemente, se a torcida faltar, mas a participação do torcedor é necessária. É importante. Chega de pretextos. O gigante da Ressacada ainda não acordou e precisa de uma boa insônia.

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