Estamos bons, por uma rodada

Uma vitória suada, sofrida, com requintes de crueldade para o mais cardíaco dos sofredores. E você está pensando que isso é um problema? Nada disso, leitor, isto é Série B. É assim que se joga os jogos nesta competição, com dureza, dificuldade, muitos suores e sofrimento. Ganhar de um a zero, com a bola entrando o suficiente para o juizão apitar o centro do campo, e torcedores lacrimosos gritando que torcem até morrer é o enredo de 19 dentre 20 times que jogam a segundona do Brasileirão.

Os avaianos pensam diferente, é claro.

Curioso que antes de provarmos o sanguinho dos vampiros da série A, pensávamos exatamente assim, que meio a zero era goleada e os três pontos poderiam vir num envelope de administradora de cartão de crédito que tava tudo certo. Qualquer resultado a nosso favor, com placar igual ou superior a um para nós e zero para os adversários era motivo de carreata. Agora ficamos bobos. Queremos toques de bola, chapeuzinho, dribles desconcertantes e gol só se for na gaveta. Execram a canelada e o gol de bico.

A respeito do jogo, por incrível que pareça o sujeito que esbraveja na casamata avaiana parece estar mudando os seus conceitos. Dizem que foi milagre do Papa Chicão, sei lá. É fato que o grupo do Avaí já mostrou uma nova formatação ajustada pelo Zé Maria.

Aos poucos ele vai se convencendo da necessidade de jogar com três zagueiros. Mas ainda capenga em fazer o time jogar ofensivamente. O 3-6-1 básico do primeiro tempo serviu para estabilizar a marcação. Mas isso anulou as jogadas de ataque. O atacante Reis sai muito da área para buscar a bola e, com isso, houve momentos em que o time se posicionava num fabuloso 3-7-0.

No segundo tempo, ele voltou com o 4-4-2 fracassado, mas que variava num 3-5-2 desejado, com Ricardinho e Héracles (bom jogador!) fechando pelo meio. Quando fez Marcio Diogo jogar ao lado de Reis e avançado lá na área, as jogadas de ataque foram mais incisivas. O Avaí cresceu, porque o Zé Maria adiantou também a marcação e, com isso, Eduardo Costa, que seria o terceiro zagueiro, voltou à condição de primeiro volante. Mas isso abriu mais uma vez os buracos em frente à zaga e dando chances para se ver, de novo, como Leandro Silva está muito mal física e tecnicamente. Uma paradinha vai servir para reflexão.

É nítido se perceber, também, como alguns jogadores que vestem azul e branco se comunicam eficazmente por… correio. É verdade, tem jogador do time do Avaí que só conversa por linguagem de sinais, por sinal de fumaça, ou por carta endereçada via Sedex, ou então prefere ficar muito longe um do outro, que é para não ter que tocar a bola. Essas coisas precisam ser resolvidas, sob pena de o projeto vencedor no papel virar um fracasso virtuoso no maravilhoso tapetinho verde do Adenir.

Mas, enquanto isso, o Avaí ficou bem na foto. O time está unido, segundo as entrevistas. As cobranças virão agora com aulas de dramaturgia e poemas lacrimejantes. A fuga no aeroporto será encarada como estratégica e na próxima rodada, se vier outra vitória, já se ouvirá um esboço de time de guerreiros.

Isso é o futebol, meu nego. Ao menos por uma rodada estamos muito bem, obrigado! Já se diz até que é um time de raça, veja só.

E vai que dá…

A pior coisa que pode ocorrer entre um time de futebol e sua torcida é a crise de afeto, que gera o desapego completo e alienante. Quando digo que a relação entre torcedor e seu time é de ordem emocional, sem nenhum resquício de razão, diferente das normas comerciais que a marquetagem futeboleira adora ver estampada, poucos acreditam.

Cínico como sou, faço graça e tiro sarro desta característica e adoro ver meia dúzia de tansos nervosinhos. Quanto mais eles se enervam, mais alfineto os seus calcanhares.

Um grupo de jogadores de futebol da temporada, que não defende dignamente as cores do seu clube, que não impõe respeito aos adversários, que não rala a bunda na grama e deixa de lado as páginas da história, não será respeitado. As latas e tambores vão bater insistentemente, seja no aeroporto ou na casa da luz vermelha.

Podem vir com todo o discurso melodramático em voga, podem trazer o maior craque de todos os tempos para aos gramados, trocar ingressos por raspadinha, fazer chamadas chorosas clamando pelo torcedores alienados, que nada disso emplaca. O beicinho do torcedor já estará esticado e pra desfazer é um parto a fórceps sem anestesia.

Porém, e sempre há um entretanto, o torcedor, seja de qual time for, é um multipolar desgraçado, que trai sua própria palavra e às vezes até de quem o apóia. Basta o time pelo qual diz torcer até morrer (uma grande mentira!) começar a ganhar agora e também de maneira heróica um jogo-chave, que vira tudo.

É o suficiente para o Avaí deste ano desbloquear a paixão recolhida e apagar o nojo estabelecido por torcedores que não tapam o sol com a peneira e querem a expulsão do Zunino. Se começar a vencer já no próximo jogo e ganhar, por exemplo, de maneira maluca e estapafúrdia, do rival doladelá em pleno estádio deles, humm, não sei, não. Torna-se time de guerreiros sem nem se cochilar ou tomar um fôlego. Será levado nos braços. Os caras que debocham e tripudiam, e que reclamam dos salgadinhos e da pipoca, e os que só fazem promoção de carreteiro agora vão chorar feito bebês. Vai haver carreata e muitos dormirão ao relento abençoados pelo canavíalico Baco. Porque eu já vi esse filme.

Duvidas? Aposto meu carro zero, meu salário de um ano e a assinatura da Playboy deste semestre. Não são lá grandes coisas, mas…

Que time é teu?

O manezinho foi participar da Jornada Mundial da Juventude na expectativa de quem sabe estar bem próximo do papa Francisco e pedir pela recuperação do seu time que anda tão mal das pernas.

Não conseguiu alcançar o seu objetivo. Mas rezou bastante pelo seu time e conheceu algumas jovens de outros continentes e de outros Estados do Brasil. Ou seja, não foi uma viagem perdida.

Mas já era domingo de noite quando foi até um bar próximo da orla de Copacabana. E ali mesmo no balcão tomava sua gelada, quando de repente escutou dois jovens discutindo numa mesa sobre futebol:

_ Cara, meu time tem um monte de medalhões, jogadores de nível de seleção, mas não ganha de ninguém.

_ Nem tá diferente da situação do meu time, mano.

_ De que adiantou o investimento da diretoria, se esses m… deixaram o time na zona de rebaixamento.

_ Pois, é. O meu também está lá. E com nove pontos.

_ Os mesmos nove pontos do meu time.

_ E agora querem trocar de treinador…

_ E adianta, o meu time trocou faz pouco tempo e nada mudou.

_ Cara, são quatro partidas seguidas sem vencer …

_ É mano, tá feia a situação, mas o meu já está a sete jogos sem saber o que é vitória no brasileiro.

_ E a torcida, é claro… não comparece.

Nisto o manezinho se viu familiarizado um dos dois também deveria torcer para o seu time. Afinal, jogadores medalhões, nível de seleção, zona de rebaixamento, nove pontos e tantas partidas sem vencer. “Um deles é avaiano” – pensou.

Foi ao encontro dos dois e perguntou, sem cerimônia:

_ Ei, que time é teu?

Meio sem entender o que se passava, os dois jovens se entreolharam e um deles levantou alterado:

_ Tá zoando da nossa cara, mano?

O manezinho tratou de se explicar e com isso ficou sabendo o que queria:

_ Eu torço para o Fluminense…

_ e, eu para o São Paulo.

Pensou o manezinho: Tirando o risco do leão cair para a série C, tem torcedor de time dos ditos grandes sofrendo tanto como nós.

A atmosfera do ódio

A campanha do Avaí na Série B não requer palavras doces e nem carinhos na moleira. É o momento de endurecer o discurso e de se exigir mais responsabilidade dos envolvidos. De todos, diga-se. Se os dirigentes avaianos estão deixando a corda frouxa, por incapacidade de administrar conflitos, se a comissão técnica não se decide sobre qual estratégia adotar para sair dessa maré e se os jogadores estão a milhas de distância de ser um time, também se deve cobrar uma iniciativa dos torcedores. E se falo, como sempre fiz, de torcedores é porque sou torcedor. Se a murrinha incrustada não quer ouvir falar disso, que vá para onde bem quiser. E se ninguém ainda entendeu, um clube existe por causa de seus torcedores, ou seja, é a parte mais importante. Faça-se valer, portanto.

Pois a hora é de abraçar o clube e não de abandono. Esse troço de rasgar carteirinha a toda hora é coisa de menino mimado. O sujeito tem que dar a cara a tapa e dizer: “eu quero que me respeitem” e aparecer, dizer que existe, ao invés de virar as costas e só voltar quando está tudo bom. Este não será respeitado.

É claro que em todo time de futebol é a mesma coisa. Fase ruim, as vitórias que não vêm, a posição na tabela despenca e as cobranças mais radicais, as manifestações mais incisivas aparecem. Torcidas organizadas marcam protestos, torcedores mais exaltados apelam para insultos e ofensas e até convocação de público zero passa a existir. São as lufadas da atmosfera do ódio, tão comum em nossa cultura.

Na propagação do olho por olho, o dente por dente exala seu hálito mais fétido. “Não faz como eu quero, eu devolvo com caras feias”. Mas dizem que muito olho por olho deixará o mundo cego e dente por dente tornará as bocas banguelas.

Obviamente que é difícil estimular alguém a ver um espetáculo ruim. Levados pela crítica sonsa, imagine convidar pessoas a ir ao cinema para assistir a um filme cujos atores não querem atuar, ou que sejam um bando de canastrões. Ou a uma peça de teatro, onde no palco todos estão de braços cruzados, mãos na cintura e texto esquecido. Ninguém vai. A obra será um redundante fracasso.

Ocorre que no futebol é muito diferente.

Ao contrário dessa lógica tola que inventaram, de consumismo barato e senso comum, a de comparar futebol com teatro ou cinema, o futebol nada tem a ver com isso. Nem mesmo sendo tratado como mercadoria, como produto a ser trocado pela mensalidade ou ingresso investidos. No futebol outras necessidades afluem. O time de futebol de um torcedor praticamente faz parte de sua família, e ninguém equilibrado o suficiente abandona a sua família quando o pau ronca.

Na mente do torcedor, no futebol o espetáculo ruim pode virar bom e sua torcida é para que o bom não caia na desgraça. Por isso o futebol, das atividades humanas envolvidas com grandes espetáculos, é dinâmico e controverso. Está em voga a paixão, a emoção, antes da razão. Assim, o controle das exigências é mais difícil, quando a fase é ruim.

Por outro lado, eu não concebo protestos de torcidas organizadas. Eu tenho anos de vida política e ninguém vai me convencer que protesto deste tipo é coisa pacífica. É só verificar as manifestações políticas que ocorreram no país, no último mês, para saber do que estou falando. Quem apóia isso, não tem o meu respeito. A velha lógica do “quando EU me manifesto, tudo deve ser permitido” é execrável. O direito comum não é de um grupo apenas.

E de torcida organizada, então, cuja inclinação fascista senta em barris de pólvora, bastando que um desmiolado acenda o pavio, as conseqüências são incertas, mas todas elas nas cercanias da violência. Quem gosta de resolver as coisas na porrada precisa é de ajuda psicológica.

Lugar de torcedor, portanto, é no estádio. É lá dentro que o sujeito deve protestar e exigir de seus jogadores. De forma ordeira e responsável, mas dura e implacável.

Na hora mais difícil, no momento mais desgraçadamente perverso é que o torcedor deve aparecer. É aí que ele deve demonstrar o seu propalado amor até morrer.

Do contrário, tudo o que se diz nos momentos de glórias, sorrisos e tapinhas nas costas serão uma grande mentira. Você só veste a camisa do seu clube quando ele ganha?

Humilhado

Esta é a situação pela qual passou o Avaí em Chapecó. Foi vexatoriamente humilhado e não foi o resultado, mas as circunstâncias. Não obstante a megalomania que nos afligiu durante boa parte deste ano, a de que iríamos patrolar quem estivesse á frente graças ao poderoso time que estava se formando, em nossas mentes, no mundo real sobreveio a frustração. Aquela sensação do sujeito falido que ganhou o prêmio acumulado da loteria, mas que perdeu o bilhete.

É claro que num surto de realidade, não dá pra deixar de dizer que a Chapecoense não tenha merecido. Jogou o que sabe e sabe muito. E também, é bom dizer, o jogo já seria duro antes mesmo do campeonato começar. Criamos foi uma fantasia tola por não conhecer, ou deixar de conhecer, a classe dos boleiros. Mas a forma como o time de papa-siri – como eles gostam de dizer por lá – foi atropelado foi de doer. O placar até que foi pequeno diante da nulidade completa do (arremedo) time da Capital.

Antes é preciso ressaltar que o time da Chapecoense não é uma bagaceira. Tem muito torcedor que diz assim: “ah, mas perder para esse timinho da Chapecoense…”. Não, nada disso. O time do Oeste de Santa Catarina não está na liderança de graça. É um bom time, sim, senhor. E merece estar onde está. Não se discute a sua competência e quem disser ao contrário que vá assistir baseball, curling, peteca javanesa, qualquer outro esporte, menos futebol, porque não entende nada. Na verdade, não perdemos para uma Chapecoense, porque assim se diria que jogamos alguma coisa. O grupo de jogadores do Avaí perdeu para a sua própria incapacidade.

O fato é que o Avaí não jogou. Aliás, não tem jogado. Aquilo que no papel seria um Barcelona, em campo só deve ganhar do Ibis e olhe lá, se o Celio Amorim apitar a favor da gente. Os jogadores do Avaí não querem jogar, esse é o ponto. E o técnico do Avaí não quer que o time jogue. Assim é o nosso (não) futebol. Os bicudos não querem se beijar e é fato. Nunca alguém me viu falar mal de jogadores. Mas eu defendo aqueles que querem, aqueles que mesmo com absurda dificuldade técnica dão valor à camisa que envergam. Estes, não, Estes não querem e com respaldo de um treinador medíocre que não tem coragem de mudar uma merda de um esquema tático.

Há muita gente achando que é salário, que fulano brigou com ciclano, que os jogadores não gostam da malha da camisa, que a grama tá muito verdinha. E as fofocas correm soltas. Evidentemente que quando se chega a uma situação limite e onde falta raciocínio lógico se busca nas coisas obscuras e etéreas as explicações daquilo que não se quer dizer de verdade. Quando alguém chega a um hospital em situação terminal, por exemplo, se apela para santos e rezas pra tentar salvar o coitado e se busca nas coisas misteriosas do além para tentar achar uma explicação e remediar o mal que decorre, na verdade, da velhice, de problemas genéticos ou de vida desregrada.

O Avaí deste ano tem um diagnóstico muito simples. Tem um grupo de jogadores que qualquer time de séria A desejaria, mas cujas vaidades estão sobressaindo. Além disso, se contrataram técnicos que não conseguiram driblar isso, ou incapazes como Hémerson Maria. E, pra fechar, Florianópolis é uma beleza, principalmente à noite com lua cheia e neve no Cambirela.

Claro que o mais fácil é #Fora Zunino e #Fora Rondinelli, ou então aquelas viúvas de Moisés Cândido e LA aparecerem lamentando a barriga de aluguel, mas se entre uma aspirina e uma reza pra curar dor de cabeça as pessoas preferem um terço, fazer o quê?

O Zunino é um sujeito que briga pelo Avaí. Um bando de imbecis fracassados, que não valem a merda que cagam, vivem a desmerecer a sua administração no Avaí. Ele faz o suficiente que uma cambada de zé manés sequer teria coragem de fazer na vida, para os próprios filhos, quanto mais num clube de futebol. Ele não desiste quando a coisa fica feia, ou rasga a carteirinha a cada derrota, ou quando falta salgadinho em camarote. E agora que saiu para comemorar um ano de vida depois que uma doença grave o atacou, uma outra corja de mamadores tenta chamá-lo de irresponsável, por não estar acompanhando o time que montou em resposta ao que a torcida queria. E a torcida tem culpa? Claro que não. Os caras que estão aí é que não dão o devido valor a que a própria torcida lhes dá.

A humilhação, portanto, não é pelo resultado. Futebol é assim mesmo. É por termos acreditado. Por termos achado que dava. Os caras que vestem a camisa do Avaí não querem que dê. Simples assim.

Sai que é sua Bruno !!!!!!!!!!!!!!!!

         O Criciúma perdeu para o Vasco na tarde de hoje pela nona rodada da série A. Mas gostei muito do tigre no jogo de hoje. Chegou a encurralar o Vasco para sua defesa em determinados momentos da partida. E com esta disposição conseguiu o empate, mas dois minutos após leva um gol onde o goleiro Bruno poderia facilmente ter tirado a bola. Não saiu debaixo da trave ! Isso é crônico. Desde o catarinense que percebo esta falha do Bruno. Ele NÃO sai do gol. O jogador do Vasco no terceiro gol chegou a cabecear quase que deitado e dentro da pequena área. E mais uma vez o nosso goleiro ficou esperando pra ver o que iria acontecer e levou o terceiro gol. Para mim, a falha do terceiro gol foi mais grave que a do primeiro. Já está na hora de experimentar o Helton Leite ou o Galatto. Banco pro Bruno seu Vadão!