Humilhado

Esta é a situação pela qual passou o Avaí em Chapecó. Foi vexatoriamente humilhado e não foi o resultado, mas as circunstâncias. Não obstante a megalomania que nos afligiu durante boa parte deste ano, a de que iríamos patrolar quem estivesse á frente graças ao poderoso time que estava se formando, em nossas mentes, no mundo real sobreveio a frustração. Aquela sensação do sujeito falido que ganhou o prêmio acumulado da loteria, mas que perdeu o bilhete.

É claro que num surto de realidade, não dá pra deixar de dizer que a Chapecoense não tenha merecido. Jogou o que sabe e sabe muito. E também, é bom dizer, o jogo já seria duro antes mesmo do campeonato começar. Criamos foi uma fantasia tola por não conhecer, ou deixar de conhecer, a classe dos boleiros. Mas a forma como o time de papa-siri – como eles gostam de dizer por lá – foi atropelado foi de doer. O placar até que foi pequeno diante da nulidade completa do (arremedo) time da Capital.

Antes é preciso ressaltar que o time da Chapecoense não é uma bagaceira. Tem muito torcedor que diz assim: “ah, mas perder para esse timinho da Chapecoense…”. Não, nada disso. O time do Oeste de Santa Catarina não está na liderança de graça. É um bom time, sim, senhor. E merece estar onde está. Não se discute a sua competência e quem disser ao contrário que vá assistir baseball, curling, peteca javanesa, qualquer outro esporte, menos futebol, porque não entende nada. Na verdade, não perdemos para uma Chapecoense, porque assim se diria que jogamos alguma coisa. O grupo de jogadores do Avaí perdeu para a sua própria incapacidade.

O fato é que o Avaí não jogou. Aliás, não tem jogado. Aquilo que no papel seria um Barcelona, em campo só deve ganhar do Ibis e olhe lá, se o Celio Amorim apitar a favor da gente. Os jogadores do Avaí não querem jogar, esse é o ponto. E o técnico do Avaí não quer que o time jogue. Assim é o nosso (não) futebol. Os bicudos não querem se beijar e é fato. Nunca alguém me viu falar mal de jogadores. Mas eu defendo aqueles que querem, aqueles que mesmo com absurda dificuldade técnica dão valor à camisa que envergam. Estes, não, Estes não querem e com respaldo de um treinador medíocre que não tem coragem de mudar uma merda de um esquema tático.

Há muita gente achando que é salário, que fulano brigou com ciclano, que os jogadores não gostam da malha da camisa, que a grama tá muito verdinha. E as fofocas correm soltas. Evidentemente que quando se chega a uma situação limite e onde falta raciocínio lógico se busca nas coisas obscuras e etéreas as explicações daquilo que não se quer dizer de verdade. Quando alguém chega a um hospital em situação terminal, por exemplo, se apela para santos e rezas pra tentar salvar o coitado e se busca nas coisas misteriosas do além para tentar achar uma explicação e remediar o mal que decorre, na verdade, da velhice, de problemas genéticos ou de vida desregrada.

O Avaí deste ano tem um diagnóstico muito simples. Tem um grupo de jogadores que qualquer time de séria A desejaria, mas cujas vaidades estão sobressaindo. Além disso, se contrataram técnicos que não conseguiram driblar isso, ou incapazes como Hémerson Maria. E, pra fechar, Florianópolis é uma beleza, principalmente à noite com lua cheia e neve no Cambirela.

Claro que o mais fácil é #Fora Zunino e #Fora Rondinelli, ou então aquelas viúvas de Moisés Cândido e LA aparecerem lamentando a barriga de aluguel, mas se entre uma aspirina e uma reza pra curar dor de cabeça as pessoas preferem um terço, fazer o quê?

O Zunino é um sujeito que briga pelo Avaí. Um bando de imbecis fracassados, que não valem a merda que cagam, vivem a desmerecer a sua administração no Avaí. Ele faz o suficiente que uma cambada de zé manés sequer teria coragem de fazer na vida, para os próprios filhos, quanto mais num clube de futebol. Ele não desiste quando a coisa fica feia, ou rasga a carteirinha a cada derrota, ou quando falta salgadinho em camarote. E agora que saiu para comemorar um ano de vida depois que uma doença grave o atacou, uma outra corja de mamadores tenta chamá-lo de irresponsável, por não estar acompanhando o time que montou em resposta ao que a torcida queria. E a torcida tem culpa? Claro que não. Os caras que estão aí é que não dão o devido valor a que a própria torcida lhes dá.

A humilhação, portanto, não é pelo resultado. Futebol é assim mesmo. É por termos acreditado. Por termos achado que dava. Os caras que vestem a camisa do Avaí não querem que dê. Simples assim.

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