Neste domingo, vista azul

Vista azul e branco e declare seu amor pelo Avaí. #90anos.

Avaí

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Campanha de campeão

Sim, não estou exagerando. Não é meu constante otimismo se expondo mais uma vez. O Avaí faz uma campanha de campeão da Série B nesta arrancada de oito jogos seguidos sem perder. É claro que ainda é muito cedo para se decretar um acesso, e ser campeão nesta temporada é muito difícil. Falo é destes últimos jogos, desta sequência fabulosa.

Mas sem querer desestimular ninguém, se o campeonato terminasse hoje o Avaí não estaria classificado, é bom que se diga. Nossa incompetência lá no começo está cobrando um preço alto. E ainda vamos penar mais umas quatro rodadas para sacramentar a entrada no almejado G4. Porém, da forma como vem jogando, é certo que vamos chegar com méritos. Por isso, é importante valorizar cada ponto ganhado. Agora é com a torcida, que já fez um espetáculo nesta noite de sexta, na Ressacada, e deve fazer mais daqui por diante. Chega de preguiça!

O Avaí não tem feito partidas maravilhosas e de encher os olhos. Os jogos são encardidos e o estilo europeu de jogar, com marcação forte e garantia da posse de bola tem sido os fatores determinantes para estas vitórias.

 Entretanto, o que se percebe é que o Avaí tem jogado com objetividade. E demonstra estar sendo bem treinado, aliás, muito bem treinado. Quem olha os jogos observando o futebol, sem a emoção da arquibancada, percebe que as jogadas não saem de supetão, ao acaso, porque quis o destino,por lapsos de sorte. Há um planejamento e muito bem montado pelo técnico Hémerson Maria.

Fui seu crítico no começo, quando ele parecia não perceber o que tinha nas mãos e faço elogios agora, sem problema algum, pelo bom trabalho que está realizando. Mordo a língua com gosto. Sei reconhecer o trabalho competente das pessoas, sem ranços ou murrinha. Se torço pelo Avaí,quero que as coisas dêem certas porque é meu clube de coração, como deu certo nestes anos em que o presidente Zunino esteve à frente do clube, que muita gente ainda teima em não reconhecer.

Esta vitória contra o ABC só deixou uma dúvida: o treinador avaiano vai ter que se virar nos trinta para achar um lugar para este menino Luciano. Podem escrever, ainda vamos ter muitas alegrias com este jogador.

Sem invenções, Maria

Não costumo usar lógica de presunção, antecipar coisas ou fazer testes de hipóteses. A gente tem que trabalhar com coisas claras e definidas, Mas tenho lido e ouvido que há uma tendência de o treinador Hémerson Maria mudar o esquema vitorioso do Avaí até aqui em função da suposta fragilidade do adversário e para dar oportunidade ao jogador Marcio Diogo, uma vez que, pelo que se sabe, está de volta ao time.

Fiquei preocupado.

Na minha opinião é um jogo decisivo, mesmo sendo contra o adversário mais fraco da competição. Acompanhante de futebol há anos, mesmo que algumas virgens vestais queiram me ensinar a rezar a missa, aprendi que em time que ganha, não se mexe. É o ditado mais elementar desse esporte de fazer doidos. Até o do rodapé usa isso. O famoso “na dúvida não ultrapasse” também pode ser usado em conformidade à situação.

É que o Avaí conseguiu encaixar um time e está jogando certinho.  Nem sou favorável a esta onda tola de “queremos lateral”, “queremos zagueiro”, “queremos esse ou aquele”. Ou então aqueles cuidados de “vamos ter contusões”, “vamos ter expulsões”, aí, minha mãe, socorro, que medo! Tolices!

O fato é que não se aceitará uma derrota, ou mesmo um empate, nesta sexta-feira, cujos prenúncios de casa cheia e às vésperas de mais um aniversário do clube são grandes, caso o treinador avaiano desça um degrau no pódio da feliz humildade que adotou. O futebol, dentro das quatro linhas, é algo para ser levado a sério, sem modismos ou invenções. Sem querermos parecer superiores. Futebol é coletivo, lembram?

Em primeiro lugar vem o respeito ao adversário. E o melhor respeito que se pode declarar num jogo desses é jogar com controle da situação e concentrado. Até uma goleada acachapante é respeitosa, se o time jogar focado no objetivo.

A segunda coisa é querer dar lugar para todo mundo. Não que Marcio Diogo não tenha lugar no time, mas no atual esquema avaiano, não cabem dois atacantes. Simples. Pode-se ter dois homens lá na frente, com um mais adiantado e outro voltando para buscar o jogo. O Galego virou artilheiro por causa dessa postura. Provou-se isso em exaustivas sete rodadas, com resultados positivos obtidos no sacrifício de um esquema feio, mas vitorioso.

Parece que o treinador avaiano anda ouvindo alguns especialistas de araque com empreguinhos medíocres em rádios. Se Hémerson Maria quiser colocar mais um atacante a tendência é que o time perca a velocidade de Diego Jardel, o motorzinho deste meio campo, e a marcação terá que correr mais para acompanhar os armadores Marquinhos e Cléber Santana. O resultado disso? Já vimos este filme.

Espelho, espelho meu…

Um espelho é algo importante para a nossa vaidade…

Não, espera, vais me dizer que não tens vaidades? Não te arrumas toda manhã para ir ao trabalho? Não passas aquele troço gosmento no cabelo quando vais a uma festa (isso para quem tem cabelo, claro!)? Não das aquela ajeitada na roupa, uma arrumada na lata para impressionar aos outros? Então, tens vaidades. E o espelho é uma ferramenta adequada para ajudar a ficares com aquela cara de ogro um pouquinho mais apresentável. É ou não é?

Sim, claro, falo da vaidade saudável. Um pecadinho tolo. Não aquele troço de ego inflado, que faz com que colegas de trabalho se estapeiem para parecerem mais importantes ao chefe. Aquele em que cada um puxa o tapete do outro, algo tão comum nas instituições e corporações por aí, intendessi?

Bom, mas eu falava do espelho e das vaidades.

A melhor das vaidades num time de futebol é olhar a arquibancada cheia. Sério! O boleiro sobe o túnel, entra no estádio e observa aquele mundão de gente olhando pra ele. Perceba que ele dá até uma ajeitada no meião e arrumar a camisa. É como se aprumasse a gravata num casamento.

Pois o jogador de futebol tem na arquibancada o seu espelho. Mesmo que ele se emperiquete todo no vestiário, passe aquele negócio grudento no cabelo, jogue uma água de lavanda nos sovacos, é olhando para a arquibancada que ele percebe se está ou não agradando. Naquele momento seu ego infla.

Mesmo que ele saiba que seu trabalho como jogador tenha surtido efeito, que a sua garra e determinação cumpriram à risca a tarefa de fazer o seu time vencer, que esteja numa boa fase no campeonato, se o estádio estiver vazio ele se enfuncha. Imagina que nada de seu esforço tenha valido à pena.

Ele pergunta, para si e olhando ao redor, se tudo o que fez foi correto. E o espelho da arquibancada sorri. Responde que não há time mais bonito do que o seu no mundo.

A melhor resposta para um time vencedor são arquibancadas lotadas.

A dificuldade da virtude

Corriqueiramente temos a sensação de que a sociedade onde vivemos mantém-se em constante revalidação. Precisamos passar, ao que parece, por ativação da memória para rever os nossos valores diariamente. Por isso que existem as regras de condutas e a legislação, cujo intuito é ajudar os virtuosos e punir os meliantes. Contudo, há certas coisas cuja mentalidade humana poderia aplicar sem a necessidade destas memorizações ou culto às boas práticas.

A gente sabe que leite materno, por exemplo, faz bem às mães e principalmente aos bebês. Por que se gastam rios de dinheiro com informação, campanhas, conscientização e aparato educacional? Por que estas mães, tão zelosas, que trazem em seu íntimo a benção da maternidade, não se antecipam às campanhas?

Da mesma forma com as vacinações. Qual o pai ou mãe que quer ver seu filho doente? Então por que temos que fazer campanhas melosas para os bocós vacinarem seus filhos?

Igualmente para o uso de cintos de segurança ao conduzir veículos nas estradas. Por mais tapado que seja, o sujeito sabe que o uso do cinto diminui absurdamente o risco de uma gravidade física maior em caso de acidente. É necessário se fazer campanha educacional para isso? A criatura não sabe?

Aí eu trago esta prosopopéia para o ambiente de futebol.

Quem é que não sabe que um estádio com torcedores é bem melhor que um vazio? Que o time que joga ali se sentirá bem melhor quando há torcedores em bom número nas arquibancadas? Então por que temos que fazer campanhas motivadoras para chamar torcedores, montar vídeos melodramáticos, dar presentinhos, fazer promoções de ingressos, incentivar uma campanha com vitórias avassaladoras, contratar jogadores galácticos para encher os olhos de lágrimas de uma platéia tosca e ansiosa por assistir ao “futebol arte”? Tudo isso para ver o estádio cheio?

Nesta semana que antecedem as comemorações do aniversário do Avaí, cuja campanha na série B é pra lá de boa, observo quase ex-chapas-pretas tendo que convocar torcedores para ir ao jogo de sexta-feira, inclusive impondo uma mobilização maior destes torcedores ditos pijaminhas. É ou não é uma maldade isso? Os coitados estão tendo que se virar para ficar de bem com o torcedor e convocá-lo sem mais desculpas. Puxa vida, precisava ser dessa forma?

Sem pretextos e sem perdões

Normalmente, no dia a dia, quando não queremos participar de alguma coisa, quando queremos ficar de fora de qualquer evento, projeto, mobilização ou algo parecido, apresentamos desculpas. É da nossa natureza. Criamos toda a sorte de bengalas existenciais para evitar participar daquilo ao qual fomos convocados e não estamos afim. Dependendo da situação, às vezes a retirada da reta pode-nos ser lesiva, outras vezes é criminosa, em determinadas circunstâncias acarretará prejuízos a terceiros ou pode não significar coisa alguma. Fugir de alguma responsabilidade tem seus prós e contras.

Contudo, será mais honesto aquele que admite que saiu pela tangente sem apresentar desculpas esfarrapadas.

Ele diz:

– Não quero e pronto.

Se for uma situação criminosa ou que leve prejuízo a outros, admitindo a culpa, sem mentiras, poderá até ter sua falha diminuída.

Se não houver importância na apresentação de desculpas, pelo menos posará de honesto.

Fiz toda esta ladainha para discutir a importância de um torcedor de futebol no estádio. E a ausência baseada em desculpas, muitas delas furadas. Sei que o assunto é chato e enfadonho. Muitos dos que adoram uma desculpa, ou correm atrás de benefícios do clube, dizem que culpo torcedores. Alguns até com segundas intenções, haja vista que sou partidário do presidente Zunino e eles não. Entretanto, pouco me importam as caras feias.

Observando um relatório da Pluri Consultoria, que é quem tem feito levantamentos nesta área em nosso país, percebi algo que já havia exposto antes, inclusive com um outro relatório da FCF, atestando que os torcedores de uma maneira geral não frequentam estádios por conforto próprio. Esta ausência é histórica e não está relacionada a apenas e tão-somente aos aumentos de ingressos, como se diz por aí. Está envolvida com comodidades também. Torcedor que se diz enxotado ou vive de mimimi, murrinha e xarope tem tanto culpa como razões.

Diz o relatório, em uma de suas análises, que os 30 campeonatos Estaduais e Nacionais analisados (no período de 2012-2013) tiveram média de público de 4.084 torcedores, o que corresponde a apenas 21,8% da capacidade média dos estádios, que é de 18.766 torcedores.

A Pluri também aponta em um outro estudo disposto em seu site que VIOLÊNCIA, PREÇOS DE INGRESSOS, QUALIDADE DOS ESTÁDIOS e OFERTAS DE PPV são os principais fatores denunciados como razão do absenteísmo nos estádios de futebol. Em outras palavras, situações relacionadas a comodidade. O sujeito não quer sofrer e aí fica em casa. Não quer se incomodar.

Ora, convenhamos, se considerarmos cada item, percebemos que a disposição para se assistir a um jogo requer estar longe de qualquer perrengue. Evidentemente que todos nós, humanos, queremos nos afastar das dificuldades. É a lei do menor esforço. Porém, se classificam fatores limitantes apenas no futebol, é o que parece.

Se falarmos que a VIOLÊNCIA nos inibe de ir a um estádio, então devemos não mais sair de casa nem para trabalhar. Isso não é apelo à banalização da violência, mas considerando que ela está em todos os lugares. Estamos sujeitos a balas perdidas dentro de casa. Pessoas podem nos agredir na pracinha do bairro. Corremos o risco de sermos assaltados dentro de um ônibus. Ou seja, a violência não está somente nos estádios, mas faz parte, infelizmente, do cotidiano das pessoas. Isso é algo relevante à impunidade presente em nossa legislação e à incompetência do poder público e não especificamente ao futebol.

Os PREÇOS DOS INGRESSOS, por sua vez, aumentam exatamente porque os clubes precisam se financiar e apostam que seu torcedor seja, acima de tudo, parceiro comercial também. Redes de TV e empresas patrocinadoras exploram o produto futebol e os clubes, mas não pagam o suficiente para que o clube exponha a sua marca. E os torcedores brasileiros possuem uma característica peculiar, que é exigir muito e pagar pouco por isso. Querem grandes times e jogadores top de linha, mas não querem pagar a conta junto com os seus clubes. Dizem, ainda, que o futebol é do povo. Sim, era do povo aquele futebol jogado no campinho da rua, onde íamos descalço e sem camisa e não precisávamos pagar por nada. O futebol profissional é diferente. Este exige investimentos e um retorno de seus torcedores.

A QUALIDADE DOS ESTÁDIOS e os PACOTES DE PPV refletem a condição de comodidade do torcedor. Refestelado em sua sala ele grita e esbraveja contra tudo e contra todos, talvez sem saber, ingenuamente, que não será ouvido e muito menos o jogador saberá o que ele quer.

Ninguém, por outro lado, quer sujeira e porquindade nos estádios, evidentemente, mas se o futebol é do povo, se as cadeiras em arquibancadas inibem a festa das torcidas, se há quem não se importe que haja banheiros limpos, uma vez que ele faz xixi ali no cantinho do muro, se joga papel no chão e derrama o refrigerante por sobre outros, se contemporiza a violência das organizadas, se chega bêbado ao estádio, se anda sobre cadeiras com os pés sujos, se estaciona em local proibido e chuta o alambrado querendo invadir quando inconformado, reclama do que este infeliz? Na imensa maioria das vezes não temos torcedores tão educados assim que mereçam uma sala acarpetada, e uma boa laje de cimento já está de bom tamanho.

Há também as outras opções de lazer apontadas como razão da ausência do torcedor, como cinemateatro e praia, e que não possuem a emoção do futebol, a pouca importância de alguns jogos, como se os times jogassem apenas decisões, climahorárioacesso e outras coisas que, se para alguns torcedores é contornável, para outros são desculpas de quem não quer admitir que tem preguiça.

O assunto é longo e requer uma boa discussão, mas a principal delas deve começar pelo comprometimento também do torcedor de futebol. Há muita gente querendo demais dos clubes, mas a sua parte no apoio e no esforço para ajudar no crescimento do próprio clube inexiste.

As desculpas, portanto, não colam. Não há perdão.