A necessidade do rival

E está chegando a hora do clássico.

Além da rivalidade tradicional, aquela que só o futebol como atividade humana proporciona, cujas outras formas de relacionamento imitam a natureza do esporte bretão, também há o fator histórico e o cultural envolvidos.

O futebol é dos esportes aquele onde mais se observa o embate entre duas agremiações com maior acirramento de ânimos. Tantos nas arquibancadas, como nos campos e quadras. Claro que no vôlei, no basquete e na maioria dos esportes coletivos há a necessidade do oponente para haver jogo, algumas vezes com os nervos em lugar dos músculos. Sabe-se até de algumas rixas históricas, como Cuba e Brasil pelo vôlei feminino, ou Lakers e Bulls, na NBA. Mas não se sabe de torcedores que tenham se estapeado por causa disso.

É no futebol, contudo, que a onda de animosidade cresce com mais intensidade, fora e dentro do campo. Dois torcedores de times rivais de vôlei, mesmo do basquete se falam naturalmente nas ruas e até combinam coisas juntos. No futebol, ao contrário, já houve até declaração de guerra.

Não se sabe de torcidas de times de curling rivais combinando para “pegar” os torcedores dos times adversários. No futebol, todavia, sabemos de irmãos que não se falam.

Claro que não dá para eliminar a rivalidade. Exigir que isso acabe é perda de tempo e ingenuidade. Mas pode-se apelar para o bom senso: precisamos do rival. Estabelecer o valor dessa competitividade. Saber que nossa paixão só existe por causa deles. Fazem parte da existência de nossa história e ela só é mais rica graças a isso. Se eles não existissem, de quem iríamos ganhar com gosto?

Eu sou de um tempo no qual as nossas duas torcidas da Capital podiam assistir aos jogos sentadas lado a lado. Havia uma complacência envolvida. Podíamos nos falar quando não havia jogo. E sabíamos da importância do clube deles. Hoje, isso é praticamente impossível. A não ser em guetos estabelecidos, como em bares, no churrasco do cunhado ou na beira da praia, a convivência com os rivais têm limites.

Honestamente, acho uma bobagem. Se precisamos deles para que haja jogo, como é que queremos deletá-los da existência. Claro, a gente quer que eles se estrepem, mas a falência total é a decretação da nossa morte.

Sabemos que onde há um avaiano deve, necessariamente, existir um alvinegro, até para que se possa estabelecer graus de hierarquia. Nós primeiro! Senão, fica tudo tão vazio. Não há de quem gozar. E aos pouquinhos vamos perdendo a capacidade de superação. Ganhar de quem? Ser campeão em cima de qual time? Criciúma e Joinville, por exemplo, nunca saberão o que é isso.

Neste sábado, no único clássico da série B, vamos mobilizar a cidade. E que vença o melhor, desde que seja, evidentemente, o time da camisa com listras azuis e brancas.

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3 pensamentos sobre “A necessidade do rival

  1. Fala exxtimado: ao melhor estilo do sotaque de manezinho. rsrsr

    Sobre o clássico, ao meu entender, existiu um marco que mudou o destino de como o evento passou a ser tratado. 1999 foi o ano que deixamos de ter um jogo de futebol dentro do campo com a emoção e passou-se a ter guerras fora de campo também.

    Não vou justificar os embates que existem entre as torcidas, mas que ali houve a mudança, isso não me resta dúvida.

    No passado assisti clássicos com as torcidas lado a lado no Adolfo Konder e no Scarpelli, mas hoje não vou mais no campo deles e no nosso vou sem a camisa do Avaí para evitar problemas.
    E dizer que já fui ali assistir jogos deles contra outros times, só pra ver o jogos ao vivo. Sempre tinha um que passava e chamava de secador, mas não acontecia nada demais.

    Sou favorável ao crescimento do Avaí e extinção do time deles.
    Aquele espaço morto ocupado por eles daria uma pela praça, um camelô continental, park de diversão, uns 3 campos de fut7 ou até uma catedral evangélica. rsrs

    Faço brincadeira mas hoje o negócio é sério.

    Abraço

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