A dificuldade da virtude

Corriqueiramente temos a sensação de que a sociedade onde vivemos mantém-se em constante revalidação. Precisamos passar, ao que parece, por ativação da memória para rever os nossos valores diariamente. Por isso que existem as regras de condutas e a legislação, cujo intuito é ajudar os virtuosos e punir os meliantes. Contudo, há certas coisas cuja mentalidade humana poderia aplicar sem a necessidade destas memorizações ou culto às boas práticas.

A gente sabe que leite materno, por exemplo, faz bem às mães e principalmente aos bebês. Por que se gastam rios de dinheiro com informação, campanhas, conscientização e aparato educacional? Por que estas mães, tão zelosas, que trazem em seu íntimo a benção da maternidade, não se antecipam às campanhas?

Da mesma forma com as vacinações. Qual o pai ou mãe que quer ver seu filho doente? Então por que temos que fazer campanhas melosas para os bocós vacinarem seus filhos?

Igualmente para o uso de cintos de segurança ao conduzir veículos nas estradas. Por mais tapado que seja, o sujeito sabe que o uso do cinto diminui absurdamente o risco de uma gravidade física maior em caso de acidente. É necessário se fazer campanha educacional para isso? A criatura não sabe?

Aí eu trago esta prosopopéia para o ambiente de futebol.

Quem é que não sabe que um estádio com torcedores é bem melhor que um vazio? Que o time que joga ali se sentirá bem melhor quando há torcedores em bom número nas arquibancadas? Então por que temos que fazer campanhas motivadoras para chamar torcedores, montar vídeos melodramáticos, dar presentinhos, fazer promoções de ingressos, incentivar uma campanha com vitórias avassaladoras, contratar jogadores galácticos para encher os olhos de lágrimas de uma platéia tosca e ansiosa por assistir ao “futebol arte”? Tudo isso para ver o estádio cheio?

Nesta semana que antecedem as comemorações do aniversário do Avaí, cuja campanha na série B é pra lá de boa, observo quase ex-chapas-pretas tendo que convocar torcedores para ir ao jogo de sexta-feira, inclusive impondo uma mobilização maior destes torcedores ditos pijaminhas. É ou não é uma maldade isso? Os coitados estão tendo que se virar para ficar de bem com o torcedor e convocá-lo sem mais desculpas. Puxa vida, precisava ser dessa forma?

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