Um Avaí imponente

O que fez a diferença entre o Palmeiras e o Avaí em campo? Postura e vontade de vencer. Só isso.

Foram com estes predicados que o time do Palmeiras venceu o Avaí nesta terça-feira, pela Série B. Sentiu a dificuldade e teve vontade de ganhar o jogo.

Muita gente fala em qualidade, em necessidade de jogador, em investimentos e blábláblá. Eu vejo condição psicológica, imposição, garra, determinação, gana. Ora, um time de futebol existe para jogar bola e fazer gols, o que, obviamente, o leva a vencer partidas. Essa é a regra básica e fundamental deste esporte desde que foi inventado. O time do Palmeiras tem isso. O do Avaí demonstrou que tem, mas que está incubado.

Gostei muito da partida desta terça-feira feita pelo time do Avaí. Ainda não tinha visto este time jogar assim. Não sabia que tínhamos isso. Porque o Avaí demonstrou que pode, que tem potencial, que se quiser, chega. Tem que querer (alô, Assis!).

Discordo frontalmente, portanto, desse canibalismo de nossa mídia esportiva e repercutido nas arquibancadas da Ressacada, da tese subjetiva de qualidade. De que o Palmeiras tenha vencido porque tem mais qualidade, que seus jogadores sejam estratosfericamente superiores aos nossos. Bobagem! E isso nem é postura arrogante, falta de humildade ou algo que o valha, mas é daquilo que se vê. Eles tinham Valdivia? Nós temos Marquinhos. Eles tinham Mendieta? Nós temos Cléber Santana. Mas eles tinham Leandro. E nós temos Marcio Diogo e Luciano. E em falhas individuais, não por jogadas trabalhadas, que seria natural a um time poderoso, eles nos venceram. Contando, ainda, com a ajudinha automática da arbitragem, sempre ela.

O Avaí jogou de igual pra igual, como um time grande, e em determinados momentos da partida foi bem superior a este poderosíssimo Palmeiras. Que poderosíssimo?

A constatação de que o Palmeiras sentiu o golpe foi a sua torcida, esperta e acostumada a grandes jogos, ter gritado olé nos finais da partida. Só se grita olé quando se joga contra um rival e damos banho de bola, contra um time cascudo e no mesmo patamar do nosso e dando o famoso nó tático, ou quando um Avaí goleia um desses chamados fortes. O contrário não existe e aquele grito de olé me encheu de orgulho, porque eles sentiram que estávamos bem melhores e escaparam de uma traulitada didática. Eles perceberam que podiam e conseguiram. Nós temos potencial para poder e poucas vezes queremos. Até seus jogadores, ao final da partida, se ajoelharam e ergueram suas mãos para cima, porque perceberam que o jogo foi duríssimo para eles. Porque conseguiram na força de sua vontade, contando com falhas nossas, e não pela imponência de seu nome.

O fato é que, na análise fria, perdemos uma boa chance de estar no G4 não por esta partida, mas por todas as outras que jogamos nos considerando pequenos. Quando o Palmeiras vem jogar com o Avaí ele já conta com os três pontos. Quando vamos jogar contra Guaratinguetá, Oeste ou Quitandinhas Futebol Clube nos preocupamos com “sistema defensivo”, com a “consistência de nossa marcação”, com o “lateral deles que é muito bom”, ou em “estudar o adversário” e em losangos e quadrados. Em ir lá e atropelar a gente não quer. Nos apequenamos demais. Não temos dificuldades, nós as trazemos para o nosso colo. Essa é a verdade.

Com toda a certeza, jogando como jogamos nesta terça-feira e estando no G4 não haveria preocupação com salários atrasados, com falta de qualidade e muito menos em se precisar de jogador. O mesmo time que está aí serviria. Mas como o SE não joga, temos que correr atrás e buscar esta vontade de vencer.

Ela existe, todos os que foram ao estádio viram. Basta que ela entre em campo nos próximos jogos e que deixemos de lado este complexo de inferioridade.

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