Quando o quibe é cru e a maionese escorrega

Na vida não se tem garantias de nada. Aliás, a única garantia que se tem é que um dia morreremos. Bom, mas há gente que é tão dona da verdade que se acha imortal, porém isso é conversa para outra hora. O fato é que vivemos, certamente, numa eterna aposta, em todos os sentidos.

Nessa máquina de doidos que é o futebol, de fazer adolescentes acharem que têm algum experiência na vida e velhos babões andaram de calça curta, as apostas, então, são mais comuns que água de enchente em Blumenau. Não tem por onde. Quando se monta um grupo de jogadores para uma temporada, todos são apostas. Mesmo que haja ali no meio algum craque consagrado no esporte bretão, antes é uma aposta. Não há garantias de que qualquer jogador contratado, em qualquer time, por qualquer salário, seja o craque da temporada. Nenhuma garantia. Quem diz ao contrário, desculpe, pode entender de qualquer outra coisa, menos de futebol.

Ocorre que ser aposta não significa ser um fracasso, esse é o ponto.

Entretanto, ao que parece, na mídia tradicional ligada numa Ilha ao Sul do Brasil é. É com esta declaração da verdade que muito especialista diz, pejorativamente, com autoridade de diplomata da ONU, que Betinho e Egon, recém-contratados pelo Avaí são apostas, e que por isso não vão dar certo. Que suas participações no Avaí serão fracassos, porque são apostas. Entre torcedores não se vê isso, claro, porque eles sempre apóiam o clube, em qualquer circunstância, mas a nossa mídia é travessa e bobinha.

Sim, claro que estes jogadores são apostas. Qualquer jogador que inicia um novo trabalho num clube é aposta. Quem me disser que a contratação do grande zagueiro Émerson, até então um ilustre desconhecido e que virou ídolo enviuvado da torcida, não era uma aposta vou dar nos dedos. Alguém acha que o próprio técnico Silas, renegado por todo mundo, em sua primeira passagem por aqui, não era uma aposta? Cléber Santana? Dispensado pelo Atlético Paranaense e São Paulo por deficiência técnica. Alguém imaginaria que ele seria este baita jogador que é aqui no Avaí, senão uma valorosa aposta? E o Hémerson Maria, trazido doladelá e mal visto por aqui, cuidando das travessuras dos meninos da base avaiana, com sua legião de chapas-brancas a defendê-lo agora de qualquer perrengue? Quando assumiu era garantia de sucesso?

– Ah, mas é diferente.

Me poupem, né. O quê que é diferente? O tempo, o investimento, os prazos que se fecham? Ora, convenhamos, ninguém tem certeza de nada.

Portanto, esse discursinho de derrotados existenciais deveria ser esquecido por quem está aí para dar opiniões. Dando errado ou dando certo é algo inerente ao futebol. Que se dê tempo, então, para os devidos acertos. E se não der, paciência, é assim mesmo. Porque, do contrário, é muita vontade de querer ser o dono da verdade, de ter a plaquinha do EU JÁ SABIA pendurada no pescoço, ou de ter a linguinha queimada.

É melhor comer quibe cru, pois já se sabe o que é e não se terá surpresas, do que escorregar na maionese de sabe-tudo.

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