Tempestade em copo d’ água

Rousseau, o emérito filósofo do Iluminismo, dizia que “todas as pessoas nascem boas, a sociedade é que as corrompe”.

Sabemos que toda a crítica é válida quando vem acompanhada de um bom argumento, fundamentado, daqueles cuja contestação se torna difícil. Toda opinião contestadora deve ser respeitada, mas se não for bem embasada, torna-se, apenas e tão-somente, vontade de ser do contra.

Ocorre que aqui, no Sul da Ilha, isso não funciona bem assim. E não é nem a questão do “sou independente, dou opinião doa a quem doer”.

O Avaí Futebol Clube, nesta parte final de contratações, está pondo jogadores no páreo e esperando que eles despontem e definam a classificação do time à Série A, cuja torcida é grande, exceto, claro, para aquela turma que adora pizza com pipoca.

Como em todo caso, como em qualquer contratação, jogadores novos são apostas e não há deméritos nisso. Se serão fracassos ou não, tudo dependerá das circunstâncias. Não existe fórmula pronta para estes casos e se alguém souber, por favor, apresente-se e ofereça seus préstimos. Aliás, ganhará muito dinheiro com isso, uma vez que TODOS os clubes de futebol no mundo precisam urgentemente de alguém que saiba a fórmula do sucesso.

Agora, o curioso em toda esta história de contratações é a rejeição antecipada. Que a gente coloque senões aqui ou ali, que se estabeleça um ceticismo imediato é natural. Faz parte da condição humana a dúvida, até para formatar pensamento e defender opiniões. O que soa estranho é esta antipatia automática e generalizada. Até agora não entendi o mal que fez na vida o tal de Elivelton, por exemplo. Que crime cometeu o coitado? É porque foi contratado pelo Rondinelli e não pelo Luiz Alberto da falecida LA Sports, ou não é jogador do Mesquita? Eu, particularmente, nem o conheço e sequer lembro do futebol que tenha jogado, quais são suas características, se chuta forte ou fraco. E, baseado nisso, de acordo com as premissas apontadas, devo ser refratário à sua contratação? Sim,este  é o modus operandi estabelecido.

O desenvolvimento desta postura, por outro lado, para ficar mais estranho ainda, requer dizer que já temos categorias de base para oferecer craques o suficiente, sem a necessidade de importar mais algum. Estou sendo bem sincero: confesso que não estou entendendo nada. Já pedi uma luz que me alumiasse, pois esta rejeição beira ao ridículo. Não vejo outra forma de conceituar isto.

Até porque, como todo mundo já sabe, jogadores de nossas categorias de base são vaiados já no parto, lá na maternidade. Só são valorizados pela torcida quando são vendidos ou negociados, aí se tornam heróis da Queda de Roma. Estou dizendo alguma mentira? Alguém me aponte, por favor, qualquer jogador de nossas categorias de base, qualquer um, que tenha entrado em campo pelos profissionais em um jogo, um jogo só, e não tenha narizes torcidos voltados para ele… tudo bem, eu aguardo…

Os jogadores recém-contratados pelo Avaí, diga-se Rondinelli, o mais novo Cristo dentro da Ressacada (claro, o foco está doente e não pega bem!), já chegam com uma missão de Tropa de Elite dada, a de fazerem mais gols que Pelé, Tulio e Maradona juntos e nenhum de bico. Matar de canela, então, é heresia. Ai deles!

Parece que aqui na Ressacada a lógica do Rouseau se inverteu. Os jogadores recém contratados são umas nabas e tem que provar que são bons. E que nenhum deles erre uma bola, pois já há duas coisas prontas: uma vaia programada e um EU JÁ SABIA escrito em letras garrafais.

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