Os significados do Clássico

Tomei alguns depoimentos de torcedores avaianos no Facebook sobre o que significa o clássico mais importante de Santa Catarina. Não sou de fechar questão sobre se é o único, mas, sem dúvida, é o que mais mexe com o sentimento de todos. Aí vai:

Fernando Luiz Pinheiro Guimarães CLÁSSICO, para mim, é a DATA mais esperada do ANO. Meu sangue FERVE, minha ADRENALINA explode. Meu CORAÇÃO pulsa FORTE demais. É a MELHOR VITÓRIA que o AVAI pode me dar.

Casa De Assis Duelo de disputa da Chave da cidade!

Angela Cristina Aguiar Vitoria

Gilberto Rateke Jr. O clássico não costuma ter favoritos. A vontade e a raça se sobressaem à qualidade e aos esquemas táticos. O resultado de um clássico passa a ser a linha tênue entre os que passarão uma semana felizes e os que desejam não sair de casa. Ainda bem que ultimamente o Avaí tem garantido a felicidade dos torcedores. E que assim continue sendo. Por que domingo o clássico é uma decisão. E, em decisão eu sempre sou mais Avaí!

Lourival Biologia Clássico para mim é o reencontro da ilha formosa com seu passado no campo da liga com o futuro promissor para o futebol da capital ! Clássico é o momento ímpar onde um time de luta (Avahy) encontra o time da figueira num nuance mágico que o futebol proporciona!!

Márcia Almeida Clássico para mim é entre times da mesma cidade, onde as torcidas estarão “guerriando” nas arquibancadas e os times em campo… Clássico é uma disputa continua para saber quem é o melhor, quem tem mais torcida, quem enche o estadio, quem canta mais, quem ama mais… clássico é a rivalidade diária e não apenas em um jogo. Clássico é muito mais que um jogo… é a paixão diária discutida, avacalhada, sofrida… é viver isso todos os dias.

Jussara Rebello Pura emoção, muita adrenalina. Orgulho de ser Avaiana.

Dinho VinteeNove Na minha visão de torcedor, mais ou menos o que representa o jogo contra o time do estreito pra mim? O valor da vitória, etc… ???

Murilo Moreira Clássico é o apogeu do futebol, é o encontro máximo de dois times que se destacam. É não dormir, é não conseguir parar de pensar, é pura emoção, é ir da frustração à extrema alegria em minutos, é diferente, é louco, é tudo no mundo do futebol. Futebol sem clássico não sobrevive. Essa é uma definição mais digamos “gay”, Clássico é foda. É porrada, é rixa, é rolo, é pegada, é pau o tempo todo, se não for assim não é clássico

Evandro Reis Clássico entre Avaí e Figueirense, não é apenas por simples definição um confronto futebolístico de grande rivalidade local. É além de tudo, confrontos de Egos entre as torcidas, que tem por exclusividade inconsciente (mecanismo de defesa), a sua satisfação pessoal e sua posição como “um vencedor” na sociedade em que vive. É esse princípio que introduz a razão de torcer, muitas vezes fanaticamente, visando um máximo de prazer e um mínimo de consequências negativas. Isso se dá, pois a principal função do nosso Ego é buscar uma harmonização inicialmente entre os desejos de ser vencedor e a realidade planejada, que vai desde a simples gozação até as vias de fato com agressões físicas. Mas clássico é clássico, não há favoritos, mas ninguém quer perder para não ser alvo de “chacotas”, pois o Ego não gosta. rs Grande Abraço!

André Vieira Couto O que dizer do clássico? Clássico é adrenalina, é paixão, é coração…uma briga de “irmãos” (afinal todo mundo tem um “irmão” barbie) onde o que vale é vencer! Clássico é clássico! Guenta coração!

André Aguiar Penso no clássico como um baile de gala, você vai a vários bailes, isso até vira comum a ida a esses eventos, mas chega o dia do baile da gala, então a ansiedade aumenta, o tempo não passa, você não dorme direito. Quando vai chegando a hora, você vai se preparando, não sabe direito o que vestir ou usa uma camisa bem passada só para essa ocasião. vai chegando o momento e você não entende porque o teu coração esta sem controle. Entra no estádio e vê vários amigos de longa data. O time entra em campo, já esta até sem voz, canta o hino nesse dia como se fosse um grande patriota, e de uma hora para outra sente uma energia sem igual, olha para o lado e sente que todos estão assim, com os olhos marejados. Não tem explicação, lógica. É um momento sem igual.

Dulci Provensi Nevorsismo até o ultimo segundo, só relaxo quando o Juiz apita e escuto aquela musiquinha que homenageia a torcida adversária….

Walmir Luiz Rabelo Rabelo CLASSICO UMA RIVALIDADE ENTRE DOIS TIMES, QUE APOS ANOS DE CONFRONTOS NINGUEM SAI VENCEDOR ,SERVE SOMENTE PARA BRINCADEIRAS ENTRE AMIGOS, COLEGAS ,PARENTES ,ISTO JA DA GOSTINHO DE VITORIA ,SABER QUE O OUTRO FICA INDIGNADO DE SABER QUE O TIME QUE ELE ESCOLHEU ESTA POR BAIXO DO RIVAL.

Marcos Toto Evangelista O Acesso……

Fabíola Soares Scheidt Clássico é um confronto de muita rivalidade, jogo muito tenso, muita pressão aonde encontram-se duas torcidas loucamente apaixonadas pelo seu clube…assim como eu pelo meu AVAI.. CLASSICO È PRA MATAR O TORCEDOR DO CORAÇÂO.

Nildão Freire Na minha opinião, o fato de realizarmos de forma singular esse clássico em um domingo, simboliza por si só que ele representará nosso carimbo para estarmos no lugar mais adequado do “alfabeto” futebolístico brasileiro: a série A.

Se mais torcedores desejarem mandar depoimentos, é se me encaminhar que eu publico.

Opinião de torcedor, por Fabio Flora

Achei que o Avaí venceria com certa facilidade, mas acredito que os jogadores também pensaram igual, só que eles não podem pensar isso de nenhum adversário.

São bons jogadores, alguns consagrados, estão numa boa fase, mas tem que entrar 150% focados e se baixar disso passamos a ser um time comum.

A derrota faz parte do futebol, então vamos virar a página e usar esse aprendizado para o clássico.

Apesar da fragilidade do adversário, eles estavam mais focados e venceram com justiça.

Não sei se foi falta de foco, se jogaram com menos intensidade para se pouparem, se jogaram achando que a vitória cairia do céu, se foi o clima, gramado, a bola, não sei, não sei mesmo,…só não deu certo.

Domingo temos que jogar juntos para ganharmos forças na remada. “É NECESSÁRIO!”

Campanha de time anoréxico

Se alguém imaginava que o Avaí teria facilidades neste campeonato, ontem foi decretado que será com doses homeopáticas de dureza e crueldade, com sabores amargos. Foi definido que não haverá colher de chá e nem melzinho na chupeta para a nação avaiana.

Se isso é ruim, pois o time anda sempre no fio da navalha, tentando se impor e se superando até onde não der mais, é bom porque forma um grupo de cascudos e de valor, e forja uma torcida mais forte, unidos numa causa comum.

Dos resultados que poderiam ocorrer, o mais improvável era a derrota, depois do que se viu diante do Sport e principalmente contra o Bragantino. Era para o time do Avaí atropelar o time de Goiás prestes a ser rebaixado. E aí, teríamos uma vantagem monstruosa de uma vitória sobre os outros, uma obesidade assombrosa de três pontos, coisa nunca vista e sequer imaginada nesta série B de 2013 para os lados do time do mangue mais belo do país.

Mas aí os deuses do futebol disseram:

– Peraí, é o Avaí que vai ter vantagens? Não senhor. Amarrem os pés destes rapazes quarentões do meio, fechem os olhos dos atacantes e façam os zagueiros rodarem até ficarem tontos. E tirem essa comilança da mesa. Vão encher o pandulho e ficar gordinhos? Nada disso.

O bom dessa história é que teremos que ganhar o clássico. O “se ganhar” não vale. Vamos ter que entrar focados mais um vez, sangue nos olhos, convocar Treino dos Cinco Mil, fazer carreatas, chamar na responsa, impondo respeito e superando as dificuldades. Afinal, se alguém ainda não entendeu, com o Avaí será historicamente muito mais difícil e a torcida tem sempre que estar junto. É bom que se acostumem com isso.

Estes rompantes de ótimo futebol, jogos fabulosos do trio fantástico, cantigas de time de guerreiros e gozações do “já ganhou”, para depois vir uma partida desastrosa é bem a nossa cara. O Avaí faz isso mesmo, uma boa dose de deslumbre e uma massacrante jornada de má vontade, que é para deixar o torcedor roendo todas as unhas.

Porque, se for muito fácil, como é que ficam os cardiologistas? Sem emprego?

Sem cochilos

Parece ser mais tranqüilo, mas não é. Outra vez devemos ir para uma partida decisiva nesta série B de angustias e sofrimentos. Embora se diga que podemos até perder, que o jogo desta noite contra o Dragão goiano é mais leve, confesso que isso me incomoda. O Leão da Ilha não está acostumado a facilidades. É no fio da navalha que ele rende mais. Por isso, espero que a faca na caveira não se afaste dos jogadores avaianos.

Jogando pelo Zunino ou por Héracles, os velhos meninos avaianos tem que vencer esta partida.

Ouvi suspeitas de que o treinador Hémerson Maria vai tentar algo diferente neste jogo. Parece que vai abdicar de um lateral e colocar o bom zagueiro Bruno Maia naquela posição, pela esquerda, para manter a revelação Juliano na zaga ao lado de Alex Lima. Insinua um 3-4-3, ou a sua variação mais elementar, um 3-4-1-2, das seleções européias, para enfrentar o Atlético de Goiás. Achei interessante. Em minha opinião, é um bom esquema. Embora possa parecer invencionice, ao primeiro olhar, até que faz sentido esta disposição tática.

Reforça a marcação, prioriza a posse de bola e ainda pode meter jogadas, através de Marquinhos, para a rapidez de Betinho e Marcio Diogo. Não é uma má ideia.

A outra opção seria a escalação de Aelson na lateral, a mais óbvia, cuja função seria aproveitar a velocidade do tartaruguinha e desmontar a defesa adversária. Sem mistérios.

Na minha opinião, o Avaí não pode é abdicar da chance de fazer três pontos e sacramentar a presença no G4. Essa é a hora de tirar a pressão de nossas costas e largar na dos outros, ao invés de se pensar em jogar o jogo da vida contra o rival, no domingo. Que se esqueça o clássico e se foque neste jogo desta terça-feira. Fincar o pé na zona de conforto e jogar com uma obesidadezinha já é um alento pra quem ficou várias rodadas com olhos esbugalhados de tensão e suores de desespero.

A concentração será total e a corrente da nação avaiana imprescindível para mais este passinho rumo à série A.

Os trabalhos por Héracles

A caminhada do Avaí rumo ao acesso começa a assumir contornos dramáticos. Percebe-se, nitidamente, que os jogadores avaianos estão se superando a cada partida. Mas não é apenas aquele sentimento de jogador de futebol, que joga por um objetivo focado, por um título ou uma conquista comum. Há muito mais por trás disso.

Quem acompanhou a campanha de 2008 sabe que ali havia um misto de superação e força naquele elenco. O grupo avaiano daquela época jogava com humildade exatamente por não ser conhecido, era uma grata surpresa, e suas motivações era parecidas com o pobre que se tornou rico pela força do trabalho e da competência. Foi uma conquista apoteótica.

Nesta campanha de 2013, embora também possamos perceber uma boa dose de superação, há também um sentimento de consagração. Muitos destes jogadores estariam em qualquer time de série A neste momento. Tiago, Diego, Alex Lima, Alê, Aelson, Rodrigo Thiesen, Eduardo Costa, Marquinhos, Cléber Santana e Marcio Diogo, além do próprio treinador Hémerson Maria, já andaram por aí. Alguns com mais intensidade, outros já narrados em jogos de grande porte. Junte-se aí o atacante Betinho e temos um elenco que joga em qualquer lugar.

Porém, se no papel o grupo é forte, no campo o time custou a se firmar. As contingências próprias do futebol fizeram o grupo virar time num momento crucial da temporada, mas que, até ali, sofreu as mais diversas críticas que se podia imaginar. Por falta de empenho a grupo de mercenários, de tudo foi dito. E é neste ponto que o atual elenco avaiano, em sua campanha, quer dar respostas, quer dizer que pode, quer calar a indignação com futebol.

Aludir que jogam pelo Zunino é uma bengala existencial, uma mandinga auto-motivacional. Fazemos isso no dia a dia quando queremos superar um desafio cascudo, externar o problema e colocá-lo numa estante, de forma a ser lembrado todo dia. Contudo, isso é etéreo. Podemos correr de 0 a 100 em poucos segundos, mas não cruzar a linha de chegada. Valeu o esforço, foi mostrado que havia possibilidades, mas não chegamos.

Só que, agora, surgiu um fato novo. A linha de chegada é preciso ser superada para fazer jus ao esforço. Não é mais competir, mas vencer.

A lesão de Heracles trouxe, além da superação e da consagração, mais um motivo para o Avaí estar na série A: a glória.

Os antigos guerreiros das lendas mitológicas lutavam por seus ideais para obter o reconhecimento dos deuses, a glorificação, o prestígio máximo. E para isso havia o sacrifício, a imolação de um dos seus para obter o êxito do grupo. O lance que gerou a contusão grave no lateral avaiano pode ser encarado pelo grupo com um sacrifício, o motivo que faltava para não perder mais o objetivo final.

Pode fazer as faixas, este time estará na série A de 2014.

As voltas que o mundo tem a obrigação de dar

Não há dúvidas, o Avaí figura como o time de melhor campanha nas últimas vinte partidas da série B, acima mesmo de Palmeiras e Chapecoense. Por conta disso, o acesso é praticamente inevitável. Mas por que ainda corre aquela aguinha de nervoso na nuca dos torcedores e qual a razão do discurso de “todo cuidado é pouco”? Porque começamos mal.

Se ninguém lembra mais, este time ao qual falta pouco para ser chamado de time de guerreiros (e eu vou perder a minha aposta, Murilo!) é o mesmo que teve que fugir pela porta dos fundos do aeroporto, nesta mesma série B. É o mesmo que já teve 3 mil torcedores calados nas arquibancadas. É o mesmo que rodou pela zona de rebaixamento.

E isso prova que futebol é um troço que roda e se modifica ao longo do tempo. É muito dinâmico. Isso prova, também, que o que é dito hoje, amanhã vira fumaça, e o que execramos agora, torna-se fenômeno emocional daqui a pouco.

As manifestações que surgem nos corredores e nos arredores da Ressacada para a eleição dos membros do Conselho Deliberativo trazem à tona exatamente esse debate. Se no campo da política nossa de cada dia, aquela dos partidos políticos, dos governos e ideologias, verdades são fundamentadas para originar atitudes na sociedade, no âmbito do futebol uma verdade não dura mais que algumas horas. Mesmo que se queira separar o campo de futebol do campo administrativo do clube, o desempenho de um time pode jogar por água abaixo verdades tidas como absolutas. O gol de placa alimenta valores e a falha do zagueiro requer os fora fulano.

Assim, a manutenção de picuinhas, malquereres e fofocas só serve para se lavar roupa na fonte e mantidas por crianças com barba na cara. Não sai do lugar quem mantém o ódio como alimento diário, apenas é um falastrão com megafone no meio da selva e torna-se inconveniente. Para a administração de um clube de futebol é preciso avançar muito mais nisso, contemporizar, associar contrários, pois todos, ao final, são torcedores da mesma causa. Sob pena, a continuar assim, de na primeira cara feia ou da remada que não tira o barco do lugar, se sair correndo pedir colinho para a mamãe.

Alguém viu o Zunino fazendo isso durante seu tempo de mandato na Ressacada? Então que se aprenda com ele e não se queira inventar a roda.