A gordura está nas arquibancadas

Desde que começou sua verdadeira caminhada na Série B rumo ao acesso à elite do futebol nacional, com a chegada do técnico Hémerson Messias, o Maria, o Avaí tem jogado uma decisão a cada rodada. É uma pedreira atrás da outra a cada semana, sem descanso, sem dó e tempo pra chorar. Graças aos treinadores indecisos de antes e das aulas de geometria do atual em algumas partidas, o Avaí não tem gordura pra queimar e tem ainda que gastar suas poucas reservas para obter êxito.

Ainda assim, é possível se ver que há futebol inteligente jogado pelo time da Ressacada. As frases “time limitado” e “cheio de carências” não têm respaldo técnico adequado. O que temos são dificuldades inerentes à própria competição e à nossa condição financeira. E mesmo com todas estas dificuldades, percebe-se que de bobo o time do Avaí não tem nada, faltando apenas um acertozinho nas finalizações para tornar as partidas menos dolorosas. Tenho certeza que este jogo contra o Sport pode sacramentar o acesso, pois a tabela começará a ser pródiga daqui por diante, enquanto que para os outros concorrentes agora que começa a remada na arrebentação.

Mas é preciso mais do que futebol jogado no campo para levar um time à glória. A conjunção clube-time-torcida ainda não foi compreendida por muita gente. É inegável que quando estes fatores se associam coesamente, as conquistas acontecem de maneira mais fácil e rápida.

A grande maioria dos blogueiros e a própria mídia repetem que nem papagaios a conversa de que a torcida tem que comparecer. Mas somente agora, na decisão, se diz isso. Somente no filé mignon ou em jogos encardidos como o desta noite é que se pensa num estádio cheio. Antes é preço de ingresso caro, jogadores desconhecidos, acesso ruim e jogos sem importância. Se a gente soubesse que um time iria se dar bem (ou não) com jogadores ditos apostas nada disso precisaria existir, nada. Era só deixar rolar que as coisas iriam acontecendo. E, seguindo essa lógica torpe de não freqüentar o estádio lá no começo, é exatamente nessa fase que se acumulam as tais gorduras para agora, nas fases finais de um campeonato, se poder fazer um time descansar.

Puxa, mas é preciso dizer isso? Será que as pessoas são dotadas de cérebro de musgo para ter que se repetir, incansavelmente, a importância de um torcedor comparecer num estádio, em qualquer momento?

É claro que as comodidades e o conforto da vida moderna afastam o torcedor preguiçoso dos jogos no estádio. É muito melhor ficar sentado num sofazinho macio, à frente de uma tela de quarenta e duas polegadas, som digital, cervejinha gelada e aquela calabresinha do lado, vendo lance a lance cada jogada do seu time preferido, sem se incomodar com palavrões alheios, além do seu, sem fumaça, frio, chuva, calor e fila irritante.

Mas, até que alguém invente um smartphone que transmita calor à distância, a única forma de se ter um time pra chamar de seu e ajudá-lo a ganhar coisas é num estádio. É batendo o seu tamborzinho do lado esquerdo do peito, é sofrendo, é se divertindo e abraçando o seu clube que se diz de coração. Não inventaram outra maneira de ser torcedor efetivo, que eu chamo de tor-sofredor.

Portanto, menos de dez mil na Ressacada hoje, para ajudar o Avaí a obter a sonhada classificação à série A, eu vou pedir para a direção fechar as portas do estádio e desistir do acesso. Não merecemos e estamos conversados.

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