E a oposição goes to…

As mobilizações para a sucessão do presidente Zunino estão em modo de velocidade cinco ali pro lados do mangue mais azul do mundo. Contamos, é claro, com as informações quentes e fidedignas da mídia local, uma mixórdia que mal entende o que vê em volta e cria coisas que não existem. Sempre muito bem informados, já estão dando o tom das conversas e da montagem das chapas. Ah, sim, perdoem-me o ato falho. Chapas, não, chapa.

Pelo visto teremos chapa única de um só candidato sozinho. Não é uma pena?

Se a gente fosse contar essa história desde o começo, com todos os altos e baixos, prós e contras, durante muito tempo uma das figuras mais significativas da vida do Avaí Futebol Clube, João Nilson Zunino, foi também uma das mais execradas, obviamente fazendo parte dos sonhos de cérebros em gambiarras. Mais criticado que os maiores ditadores da História das civilizações, diga-se. A animosidade (vou usar este termo porque é bonitinho!) reinante no Sul da Ilha da Magia assumiu ares de epopéia, de drama grego, ou melodrama mexicano após a doença do homi. E sinceridade aí é mato.

As animosidades fazem sentido, pois num processo democrático devemos ter pontos, contrapontos e anteparos. E quem teve capacidade de defender seus pontos de vista, o fez com competência. Cada um buscando seu mais alto lugar ao sol, mesmo que tenha sido para aparecer.

Ocorre que essa animosidade… ou melhor, esta oposição…, não este dissabor… ah, vai, este contraponto sempre se achou no direito de pautar as condutas da direção avaiana. Não era situação, mas queria mandar mais do que quem estava à frente do clube.

Teses, projetos, estudos, propostas e definições foram sendo elaboradas. Nas minúcias e à mancheia. Denúncias foram levantadas. Acusações e ofensas vieram a reboque, como quem entrega flores pra namorada. A democracia tipo yanque (como armas em punho pra manter a ordem) foi exercida no que tinha de melhor e pior neste período.

Portanto, com um grupo tão rico e envolvente de ideias era de se imaginar que, assim que tomasse conta, em qualquer área, fizesse com uma competência que poria a NASA sob a sola dos sapatos. Nunca se viu tantos homens e mulheres, alguns adolescentes também, com uma gama tão portentosa de planos para se administrar a Ressacada. E, claro, o que viesse pela frente, para poder ajudar o Avaí crescer, se fosse diferente do Zunino, era bem-vindo. Qualquer coisa. Há até quem queira que o Avaí volte passado, sem coberturas, camarotes e estrutura de CT. Se é para ser diferente de tudo aquilo que o Zunino construiu, melhor. E o que veio?

A primeira oportunidade real e concreta que surgiu foi a elaboração, ou uma nova formatação do estatuto. Gol de Copa do Mundo, de letra. Seria a chance de alguns ditos oposicionistas, homens valorosos e dotados do perfil mais avançado em administração em clubes de futebol no mundo pôr no papel a prática tão exigida e sonhada. Afinal, tantos anos de faculdade em Harvard não poderiam ser jogados fora. Sabia-se que dali só sairia, no mínimo, a fórmula para transformar o Avaí num Chelsea tupiniquim. E o que saiu, depois de vários meses queimando-se glicose e fosfato dentro das calotas cranianas? Nada. Ou o mais do mesmo. Perfeitamente natural e democrático, igual a um Congresso Nacional, por exemplo, ou seja, uma grande plantação de abóboras. Um avanço no processo. A constatação de que, assim, o Avaí seria outro clube, graças a esta aplicada re-formatação do estatuto que não existiu.

Porém, a vida é uma caixinha de surpresas e para manter o pique e não perder a oportunidade se percebeu que a eleição para substituir o Zunino poderia, novamente, contar com aqueles que mais entendiam de futebol no mundo, esta venerável oposição nos Carianos. Aberta a temporada de caça aos votos a chapa de oposição mostrou sou valor, se expôs e partiu para o pleito.

– Guerreiros, oposição de guerreiros – o brado retumbante ecoou às margens da Reserva do Pirajubaé.

Agora, a partir desse momento passamos a ter a certeza que as coisas vão andar e vão mudar no Sul da Ilha. Agora vai! Os homens de terno serão defenestrados, a máfia instalada há doze anos seriam derrubada e que o Avaí seria um clube moderno, enxuto, com transparência e… o quê? Como é que é, produção? A oposição não lançou chapa? Tá comendo uma pizza ainda? Só tinha pipoca e eles queriam salgadinhos? Vai lançar alguém, mas é fake? O Einstein disse que não apóia? Não vai participar, mas já diz que é uma armação? Ah, tá, hãhã, entendi.

Pano rápido.

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3 pensamentos sobre “E a oposição goes to…

  1. Oposição apenas falando ou atrás de um teclado no conforto de sua casa é facil de fazer, quero ver é ter um projeto que realmente mude alguma coisa, aliás queiram ou não o Avaí antes do Zunino é um e totalmente diferente hoje, e não adianta espernear porque hoje somo muito mas muito maiores do que éramos a 12 anos.

  2. Parabéns pelo texto. Ele retrata meu pensamento. Quando era do Conselho e depois que sai, fui convidado para reuniões que se propunham mudar o Clube, entretanto sem propostas e Candidatos(sim porque aquele Sr.
    que queriam colocar, já esteve lá e vimos os estragos que deixou).Com ele sempre estive fora e sempre disse: querem alguém melhor, escolham quem queira pegar. E o resultado está aí, ninguém apareceu e as pessoas sumiram. Fácil falar né. Muito bom!

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