A teoria do raio e o homem que mudou o jogo

Um raio não pode cair duas vezes no mesmo lugar. Mas um outro raio pode cair no mesmo lugar de um raio anterior?

Faço esse questionamento para lembrar da sequência invicta que o Avaí teve no primeiro turno (que somando o primeiro jogo do returno, estabeleceu uma marca de dez partidas sem perder).

Da 11a. até a 19a. rodada a ordem foi a seguinte: vitória – vitória – empate / vitória – vitória – empate / vitória – vitória – empate. Portanto, nestes nove jogos finais do primeiro turno o Avaí somou 21 pontos.

Neste segundo turno, da 30a. rodada até a 33a. o Avaí já somou 06 pontos (terça jogará a partida da 30a. rodada), e o curioso é que iniciou novamente a sequência com duas vitórias.

E neste momento é que cabe a pergunta: um outro raio pode cair no mesmo lugar de um raio anterior? Se o Avaí repetir as seis vitórias e os três empates do primeiro turno (já conseguiu duas vitórias) alcançará a marca de 68 pontos. Ou seja, o caminha está sendo traçado …

O homem que mudou o jogo

Ontem assisti ao filme Moneyball (no Brasil ficou com o título “O homem que mudou o jogo”).  No filme, o ator Brad Pitt interpreta Billy Beane o manager do time de baseball Oakland A. Recomendo o filme, e por isso não vou falar muito dele.

E vendo o filme não pude deixar de lembrar o que escrevi aqui no Todo Esporte SC, lá em maio deste ano:

“… arrisco a dizer que atualmente o Avaí tem – em formação – o melhor plantel dos últimos anos. E sem desmerecer quaisquer títulos passados, quiçá este plantel será o melhor de toda a sua história. Ufanismo de minha parte? Pode até ser” (grifei)

Na época, Ricardinho era treinador do Avaí, e eu ainda escrevi:

Contudo, a formação deste grupo, por incrível que pareça, fará com que ocorra o grande problema do treinador Ricardinho: como extrair deste plantel um time!

Tal dilema não se soluciona simplesmente com a escolha dos onze titulares. É preciso definir o esquema tático e suas variações (explorando a qualidade individual de cada atleta); Necessário, também, trabalhar individualmente os egos de cada atleta. Em especial daqueles que não terão, a princípio, oportunidade no time titular.”

Está certo que o Avaí ainda não conquistou nada. Mas muitos, mesmo que veladamente, criticaram meu pensamento. Mas este elenco do Avaí (que foi reforçado defensivamente, diga-se de passagem) já demonstrou que é forte e capaz de superar as suas limitações. As conquistas, que devem vir, serão consequências.

Retornando ao filme, o manager do time de baseball Oakland A cansado por ser eliminado nos playoffs e possuindo um baixo orçamento acaba encontrando num jovem economista uma alternativa para a solução dos seus problemas. Com base em dados estatísticos, e desconsiderando as opiniões dos olheiros do time, contratou jogadores dentro das características que buscava, desconsiderando, inclusive, fatores como a idade do atleta e posição que habitualmente jogava.

Por isso, quando penso no Avaí, sob esta ótica, logo lembro de dois nomes: Hemerson Maria e Júlio Rondinelli. Não os conheço. O trabalho do Rondinelli, então, apenas sei quando aparecem as contratações. E o atual treinador avaiano sempre demonstrou uma enorme capacidade motivacional (gostaria muito de ver o Avaí ser treinado pelo Maria num torneio como uma Copa do Brasil) e de agregar o grupo, e geralmente apresentou humildade suficiente para modificar alguns de seus conceitos táticos (desde a sua saída ano passado, até este ano, os demais treinadores que passaram pelo Avaí foram de uma intransigência tática que beira o absurdo).

E o trabalho de treinador e gerente de futebol precisa estar em harmonia. No filme, o treinador do Oakland A não concordava com as atitudes do seu manager, e com isso acabava por não escalar os atletas contratados para determinadas posições. O curioso é que neste caso (talvez para não rescindir o contrato do treinador que terminaria naquele ano) o manager optou por se desfazer de jogadores então titulares do time (que o treinador insistia em escalar), para que fossem aproveitados os atletas trazidos por intermédio de dados estatísticos.

A atitude de abandonar os olheiros na elaboração do elenco já havia sido duramente criticada pela imprensa. E muitos foram as derrotas no início da competição, quando o treinador não utilizava os jogadores contratados pelo manager. Quando ocorreram a liberação dos atletas então titulares (negociados por meio de trocas com outros clubes) a imprensa que já pedia “a cabeça” do manager acreditava que o Oakland A “estava entregando os pontos”. Ocorre que bastou o treinador utilizar os jogadores contratados para que o Oakland A estabelecesse o recorde de 20 vitórias consecutivas no baseball dos Estados Unidos.

Não vou contar se foram campeões, ou não, e como ficou a vida do manager depois deste campeonato. Para isto vocês terão que ver o filme.

Mas não posso deixar de admitir que após o filme constatei/confirmei que há no Avaí mais do que um homem que mudou o jogo.

E isto fora de campo. Por que dentro de campo são mais do que jogadores de futebol, mas daí já é necessário uma outra história …

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