As voltas que o mundo tem a obrigação de dar

Não há dúvidas, o Avaí figura como o time de melhor campanha nas últimas vinte partidas da série B, acima mesmo de Palmeiras e Chapecoense. Por conta disso, o acesso é praticamente inevitável. Mas por que ainda corre aquela aguinha de nervoso na nuca dos torcedores e qual a razão do discurso de “todo cuidado é pouco”? Porque começamos mal.

Se ninguém lembra mais, este time ao qual falta pouco para ser chamado de time de guerreiros (e eu vou perder a minha aposta, Murilo!) é o mesmo que teve que fugir pela porta dos fundos do aeroporto, nesta mesma série B. É o mesmo que já teve 3 mil torcedores calados nas arquibancadas. É o mesmo que rodou pela zona de rebaixamento.

E isso prova que futebol é um troço que roda e se modifica ao longo do tempo. É muito dinâmico. Isso prova, também, que o que é dito hoje, amanhã vira fumaça, e o que execramos agora, torna-se fenômeno emocional daqui a pouco.

As manifestações que surgem nos corredores e nos arredores da Ressacada para a eleição dos membros do Conselho Deliberativo trazem à tona exatamente esse debate. Se no campo da política nossa de cada dia, aquela dos partidos políticos, dos governos e ideologias, verdades são fundamentadas para originar atitudes na sociedade, no âmbito do futebol uma verdade não dura mais que algumas horas. Mesmo que se queira separar o campo de futebol do campo administrativo do clube, o desempenho de um time pode jogar por água abaixo verdades tidas como absolutas. O gol de placa alimenta valores e a falha do zagueiro requer os fora fulano.

Assim, a manutenção de picuinhas, malquereres e fofocas só serve para se lavar roupa na fonte e mantidas por crianças com barba na cara. Não sai do lugar quem mantém o ódio como alimento diário, apenas é um falastrão com megafone no meio da selva e torna-se inconveniente. Para a administração de um clube de futebol é preciso avançar muito mais nisso, contemporizar, associar contrários, pois todos, ao final, são torcedores da mesma causa. Sob pena, a continuar assim, de na primeira cara feia ou da remada que não tira o barco do lugar, se sair correndo pedir colinho para a mamãe.

Alguém viu o Zunino fazendo isso durante seu tempo de mandato na Ressacada? Então que se aprenda com ele e não se queira inventar a roda.

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